Sergio Sette Câmara, 2016, Red Bull Junior Team, F3 Euro, Motopark

Sergio Sette Câmara pode ser titular de uma equipe da Red Bull na F1?

Quando vi o anúncio de que Sergio Sette Câmara será o novo piloto reserva da Red Bull na F1, dois pensamentos passaram pela minha cabeça.

O primeiro foi a surpresa, é claro. É verdade que, após o brasileiro ter confirmado no fim de semana o encerramento do contrato que tinha com a McLaren, onde desempenhava a mesma função, já era esperado algum anúncio sobre sua carreira vindo logo em seguida.

Mas a expectativa era a confirmação de que ele fosse correr na Indy (ao menos em algumas etapas), cuja temporada começa neste fim de semana em São Petersburgo. Nada a ver com a Red Bull.

O segundo foi questionar para que serve o Red Bull Junior Team, o programa de jovens pilotos criado pela fabricante de energéticos para levar novos talentos à F1.

Afinal, com Sette Câmara, agora três pilotos que em algum momento foram demitidos pelo Junior Team receberam novas oportunidades da Red Bull na F1.

Sergio Sette Câmara e o Red Bull Junior Team

Para quem não lembra, o brasileiro já tinha feito parte da iniciativa rubro-taurina em 2016, quando correu na F3 Euro, mas foi dispensado no fim daquele ano. Sette Câmara teve uma temporada marcada por punições devido a troca de motores e de falhas técnicas no equipamento (que não foram culpa dele), mas ao mesmo tempo ele não foi bem nas corridas livres de penalidades.

Se o objetivo era lutar pelo título naquela temporada, ele acabou fechando em 11º na tabela, com apenas dois pódios e nenhuma vitória.

Atual titular da Red Bull na F1, Alex Albon teve uma trajetória parecida. Ele assinou com a fabricante de energéticos na época em que ainda estava no kartismo, quando era considerado um dos pilotos mais promissores da modalidade. Mas foi demitido no fim de 2012 pelos resultados ruins após a transição para os monopostos. Depois de uma carreira de altos e baixos, foi recontratado para correr pela Toro Rosso em 2019 e, com o rebaixamento de Pierre Gasly, virou o companheiro de Max Verstappen.

E o terceiro piloto que ganhou uma nova chance foi Brendon Hartley. O neozelandês defendeu as cores da Red Bull nas categorias de base de 2006 a 2010 e ficou muito próximo de correr na F1, mas perdeu a vaga para Jaime Alguersuari.

No fim de 2017, quando Hartley já era um dos principais nomes das corridas de longa duração, a Toro Rosso ficou sem pilotos por causa da demissão de Daniil Kvyat e do empréstimo de Carlos Sainz à Renault, e o neozelandês foi recontratado.

Na prática, o que aconteceu é que a Red Bull entregou para que outras equipes investissem na formação desses três pilotos, e agora está sendo a marca rubro-taurina que está colhendo os louros. Se de um lado ela está sendo esperta por ter “economizado” com eles, de outro levanta dúvidas sobre a eficiência do seu próprio programa de talentos.

Voltando a Sette Câmara, como Daniil Kvyat e Gasly, a atual dupla da AlphaTauri (novo nome da Toro Rosso), só têm contrato até o fim deste ano, há uma chance real de o brasileiro brigar por uma vaga de titular em 2021.

Sette já tem a superlicença, o documento obrigatório para correr na F1, enquanto os principais nomes do Red Bull Junior Team ainda não. Fora que todos os pilotos do Junior Team vão ter pedreiras pela frente em 2020, o que pode complicar ainda mais as chances de eles conseguirem a superlicença.

Juri Vips, considerado o principal nome do programa, vai tomar parte da Super Fórmula, do Japão, e precisa terminar a temporada entre os dois primeiros colocados para obter o documento. Uma tarefa mais do que complicada levando em conta que a categoria costuma reunir inúmeros veteranos.

Liam Lawson necessita fechar a F3 no top-3 (ou ser o quarto e participar de ao menos um treino livre na F1). Yuki Tsunoda será obrigado a terminar entre os quatro primeiros da F2, enquanto Jehan Daruvala tem que fechar no top-5 no mesmo campeonato. Os dois últimos serão novatos no certame em 2020 e vão correr pela Carlin, que está longe de ser uma equipe ruim, mas está abaixo de ART, Dams e Prema na ordem de forças.

É nesse sentido que dá para ficar otimista em ver o brasileiro como titular da F1 em 2021, embora nada esteja garantido neste momento.

foto do topo: f3 euro/divulgação

foto de Sergio Sette Câmara
Sergio Sette Câmara teve seu retorno à Red Bull confirmado para 2020 – foto: red bull/quick comunicação/divulgação

4 comentários sobre “Sergio Sette Câmara pode ser titular de uma equipe da Red Bull na F1?

  1. Quem fez a matemática da matéria tá bem atrapalhado… o Lawson ja tem 39 pts e não precisa de praticamente nada pra obter o ponto que falta, bastando por exemplo 1 dia de treino livre na F1. Além disso, o Vips tem 20 pts e pode ser Top5 no campeonato, e não 2°. Assim como o Daruvala que tb tem 20 já. Por fim a Carlin foi a 4a colocada na F2 ano passado, bem melhor que a Prema que foi a penúltima. Legal torcer pro Sergio mas tem q pesquisar bem antes de escrever.

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    1. Obrigado por avisar! Esqueci os pontos do Liam Lawson na F4.

      Ficaria:
      P2 na F4 Alemã 2018 = 10
      P2 na Euroformula Open 2019 = 12
      P2 na Toyota Racing Series 2020 = 7

      Dá 29. Para chegar aos 39, eu precisaria somar os 10 da F4 Australiana em 2017. Só que eles não podem ser usados junto com os que Lawson vier a conquistar neste ano na F3, então não coloquei na conta.

      No caso do Juri Vips, ele tem 10 pontos do P4 na F3 Euro em 2018 e mais 10 do mesmo P4 na F3 em 2019. São 20. Assim como no caso de Lawson, não contei os pontos do título da F4 Alemã 2017, porque eles expiram no fim deste ano e não podem ser usados juntos com os Vips vier a conquistar em 2020.

      A Super Formula dá 25 para o campeão e 20 para o vice. Ou seja, ele precisa ainda terminar entre os dois primeiros para obter os 20 que faltam.

      Quanto ao argumento do Daruvala, você tem sua opinião de que ele vai brigar por bons resultados, e eu tenho a minha, sobre a Carlin estar atrás de ART, Dams e Prema, apesar do resultado ruim da equipe italiana em 2020. Não tem erro aqui no post.

      Minha dica é que você não precisa ser grosseiro para dizer que o post estava errado. Era só apontar aqui que eu corrijo (como corrigi) a pontuação do Lawson.

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    2. Na F2 pilotos fazem bem mais diferença do que a equipe (em relação a F3 e a própria F1), a própria Prema é um bom exemplo, saiu De Vries entrou o Mick foram embora os resultados. A Carlin ano passado é outro bom exemplo, bem inferior há um ano atrás com Norris/Sergio, além do Mazepin na própria Art que não conseguiu nada relevante enquanto o parceiro foi campeão.

      Dito isso creio que o Daruvala se saíra bem, foi rápido nos testes, mas na hora do vamo ver terá outros bons rookies correndo (Schwartzman, Ticktum, Lundgaard) e os veteranos (Guiotto, Markelov e Aitken). Menos veteranos do que ano passado, mas ainda assim complicado.

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  2. O Daruvala foi bem rápido nos testes, creio que se ele conseguir um top 3 ele pode ser promovido. Mas sabemos que a F2 é bem mais complicada do que parece, quando for pra valer os pilotos mais experientes devem andar na frente.

    O real candidato para vaga é o Vips mesmo, mas a Super Formula se transformou em um moedor de carne da Red Bull, vamos ver se ele vai se sair bem, talento ele tem, creio que o melhor piloto da F3/F2 do ano passado.

    Se esses dois não despontarem ai o Sergio tem uma chance real de uma vaga, dificilmente irão manter Kvyat e Gasly mais um ano.

    O Tsunoda eu nem considero, muito jovem, vai precisar de pelo menos 2 anos de F2 para ser competitivo.

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