foto de Pietro Fittipaldi

Pietro Fittipaldi conquistou a superlicença para correr na F1?

Com o quinto lugar conquistado na recém-terminada temporada 2019-2020 da F3 Asiática, Pietro Fittipaldi tem dito que alcançou seu objetivo: os 40 pontos necessários para poder emitir a superlicença, documento obrigatório para correr na F1.

A imprensa internacional, por outro lado, tem apontado o contrário: que o brasileiro acumula apenas seis dos 40 pontos exigidos e está, portanto, bem longe de poder tirar o documento.

Assim, fica a questão: porque existe essa diferença entre as contas feitas por Fittipaldi e as que estão em reportagens?

O problema começa na hora de ler o regulamento da FIA ao pé da letra. Nele, está escrito que um piloto tem um prazo de três anos para conseguir os 40 pontos obrigatórios. Podem ser os três anos anteriores ao do pedido do documento ou podem ser os pontos somados na atual temporada mais os conquistados nos dois anos anteriores.

Ou seja, com o quinto lugar na F3 Asiática, Fittipaldi marcou seis desses pontos. Como eles vieram em 2020, segundo o regulamento, eles podem ser acrescentados aos que o brasileiro somou em 2018 e em 2019, os dois anos anteriores.

Os pontos de Pietro Fittipaldi

Só que nesse período Fittipaldi não acumulou nenhum ponto na superlicença. Em 2019, ele ficou na 15ª posição do DTM, fora da zona que premia para o documento. Já em 2018 o brasileiro passou a maior parte do ano afastado das pistas por causa de um grave acidente sofrido na etapa de Spa-Francorchamps do WEC, o Mundial de Endurance, no qual quebrou as duas pernas.

Seus demais pontos vieram em 2017, quando foi o campeão da World Series, título que lhe valeu 35 na superlicença. São esses que acrescentados aos seis da F3 Asiática que resultam nos 40 (ou 41, no caso) necessários para obter a permissão de correr na F1.

Mas pode somar os resultados de 2017 com os de 2020?

Nada no automobilismo é preto no branco. É sempre uma questão de interpretação. Basta ver o DAS, revolucionário novo sistema da Mercedes para a F1 2020, em que o piloto empurra e puxa o volante para alterar a cambagem das rodas dianteiras. Enquanto a equipe alemã garante que a FIA declarou o sistema dentro das regras, há quem aponte que o aparelho será proibido com base no regulamento do parque fechado.

No caso de Fittipaldi, a situação é similar, e o ponto de vista pode mudar. Na hora de emitir a superlicença, ele pode, por exemplo, argumentar – se é que já não o fez – que o ano de 2018 não deveria entrar na conta, pois não seria justo ter seu desempenho avaliado naquela temporada por estar lesionado.

E esse é só um exemplo de como é possível interpretar um argumento de muitas maneiras, indo além do que dizem as letras frias escritas no papel.

Nessas horas também é bom respeitar o piloto. Fittipaldi, mais do que ninguém, deve saber o que precisa para chegar à F1. Afinal, sua carreira rumo à principal categoria do automobilismo mundial depende disso.

O primeiro passo rumo à F1

Ao mesmo tempo em que esperamos o anúncio oficial de o brasileiro ter conquistado a superlicença, vale lembrar que o documento é só primeiro passo.

Com ele em mãos, Fittipaldi precisará mostrar à Haas, onde é piloto de testes, (ou a qualquer outra equipe) que merece uma chance de ser titular.

E ele não concorre a essas vagas apenas contra Kevin Magnussen e Romain Grosjean (os atuais representantes da escuderia americana). A expectativa é que o mercado de pilotos da F1 2021 seja bastante movimentado, uma vez que Sebastian Vettel, Daniel Ricciardo e Valtteri Bottas, entre outros, estão sem contrato com suas equipes, e de repente um deles pode acabar sobrando para um time do meio do pelotão.

Fora que, caso Fittipaldi desbanque a concorrência e fique com uma das vagas, aí terá de mostrar desempenho para não ser ele o ameaçado de perder o posto.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da última etapa da F3 Asiática 2019-2020, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

foto do topo: audi/divulgação

foto de Pietro Fittipaldi na Haas
Pietro Fittipaldi tem atuado como piloto de testes Haas na F1 – foto: haas f1 team/rf1/divulgação

3 comentários sobre “Pietro Fittipaldi conquistou a superlicença para correr na F1?

  1. Infelizmente nunca vi o Pietro como real candidato a uma vaga na F1, acho que a questão da Super Licença é indiferente. Ele sequer conseguiu vencer este campeonato da F3 asiática que não é lá o mais concorrido (apesar de ter ido bem melhor do que o fiasco do Ticktum ano passado). Porque alguém o contrataria além do nome? Venceu a V8 series contra pilotos bem fracos (e ainda no segundo ano). Fez 1 ano de DTM e não conseguiu se sobressair em relação ao Aberdein.

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  2. Bom se pensarmos de forma coerente o campeonato da World Series terminou em novembro de 2017, então os pontos da super licença só poderiam ser atribuídos a partir desta data, como os pontos expiram em 3 anos, eles deveriam expirar em novembro de 2020, mas como dito no texto, vejamos como a situação será interpretada, entretanto não acho que haja muita dificuldade disso não, porém creio que alcançar a pontuação necessári para obtenção da supelicença seja o menor dos obstáculos para ele conseguir uma vaga, tem muitos pilotos melhores que ele batendo na porta.

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