foto Felipe Nasr

Felipe Nasr e Sergio Sette Câmara: os novos Kanaan e Castroneves da Indy?

A notícia caiu como uma bomba no começo da manhã desta segunda, dia 10: Felipe Nasr e Sergio Sette Câmara serão os pilotos brasileiros na temporada 2020 da Indy.

Segundo reportagem publicada pela imprensa americana, eles vão dividir o carro número 31 da Carlin ao longo de todo o campeonato, embora ainda não tenha sido divulgado em qual prova cada um deles vai andar.

A estreia acontece já nesta terça-feira, no Circuito das Americas, onde a categoria americana realiza os treinos da pré-temporada. Lembrando que, pelas regras da Indy, os testes desta semana são considerados atividades oficiais do campeonato e, portanto, abertos apenas para quem vai disputar ao menos uma corrida ao longo do ano.

Não é absurdo dizer que, caso a chegada de Nasr e Sette Câmara se confime, eles podem ser, enfim, os sucessores de Tony Kanaan e Helio Castroneves na Indy.

Os dois veteranos estavam na categoria desde o fim dos anos 1990 e ganharam até agora quatro 500 Milhas de Indianápolis e um título entre eles. Mas, em 2020, Kanaan vai participar apenas das corridas em ovais pela Foyt, enquanto Castroneves está escalado apenas para a Indy 500.

Nos últimos anos, conforme esses dois pilotos foram se aproximando dos 40 anos de idade (Kanaan tem 45 e Castroneves, 44), ficava claro que era preciso surgir algum brasileiro capaz da sucede-los.

Se levarmos em conta de 2008, ano da reunificação entre IRL e ChampCar, para cá, 12 representantes do país (sem contar Kanaan e Castroneves) passaram pela Indy.

É difícil dizer que algum deles estivesse tão preparado quanto Nasr e Sette Câmara para vingar nos EUA.

O motivo é que ambos construíram carreiras vitoriosas na Europa. Nasr ganhou quatro corridas na GP2 e teve uma breve passagem na F1, com destaque justamente para sua estreia, no GP da Austrália de 2015, quando terminou em quinto. E Sette Câmara acumulou três triunfos na F2, principal categoria de acesso da F1, e testou por Toro Rosso e McLaren.

Voltando aos 12 brasileiros que passaram pela Indy, somente três deles competiram em uma categoria equivalente à F2 ou à GP2: Bruno Junqueira, Rubens Barrichello e Enrique Bernoldi.

No seu auge, Junqueira foi vice da ChampCar, mas na Indy reunificada tomou parte de apenas uma única temporada completa. Foi logo em 2008, andando pela então pequenina Dale Coyne e obtendo dois top-10.

Barrichello e Bernoldi chegaram ao certame após a F1. O ex-ferrarista já tinha 39 anos quando estreou e começou a engrenar na parte final da temporada, quando conseguiu dois top-5, seus melhores resultados naquele ano. Mas logo em seguida ele anunciou que estava voltando ao Brasil para se dedicar à Stock Car.

Já Bernoldi andou em 2008, logo após a fusão, começou muito bem com dois top-5, incluindo tendo lutado pela vitória em São Petersburgo, mas depois caiu de rendimento, fechando abaixo do 20º lugar em sete das últimas nove provas de que tomou parte. Nunca mais voltou aos EUA.

Alguém pode argumentar que para fazer carreira nos EUA não é tão importante correr na F2. E que o que vale mesmo é ir bem nas categorias de acesso americanas. Afinal, nem Kanaan, nem Castroneves ficaram muito tempo nos certames europeus. Eles se destacaram na Indy Lights.

Só que de 2008 para cá, Rafa Matos foi o único representante do país a ser campeão da Indy Lights. Ele era considerado um fenômeno nas categorias de base nos EUA, levantou o caneco também da Star Mazda e da F-Atlantic (campeonatos equivalentes aos do Road to Indy de hoje), mas não vingou na Indy.

Participou de 38 provas no certame principal, e obteve dois quartos lugares como melhores resultados. Matos, como tantos jovens de sua época, teve o problema de não encontrar uma vaga competitiva na Indy. Como a categoria era dominada por veteranos próximos dos 40 anos, os jovens normalmente não tinham espaço. Acabavam assinando por equipes nos máximo medianas e muitas vezes não conseguiam mostrar do que eram capaz.

Também correram na categoria americana Matheus Leist (campeão da F3 Inglesa em 2016), Pietro Fittipaldi (vencedor da F-V8 em 2016), Bia Figueiredo, Vitor Meira, João Paulo de Oliveira (em uma única prova em 2011), Mario Romancini, Mário Moraes e Jaime Câmara. Entre bons e maus resultados, nenhum conseguiu se firmar como sucessor de Kanaan e Castroneves.

Problemas para os brasileiros na Indy

Só que Nasr e Sette Câmara também terão dificuldades para conseguirem arrumar espaço na Indy. São dois os principais problemas para eles:

O primeiro é que nenhum vai fazer a temporada completa. Como são novatos, o ideal é que pilotem o carro o maior tempo possível. Sempre que um deles estiver  de fora significa que algum adversário estará testando/correndo e se desenvolvendo.

A outra é que o equipamento da Carlin não é bom. Em suas duas primeiras temporadas, conquistou um único top-5, e o time ficou mais conhecido por seus pilotos não terem conseguido se classificar para as 500 Milhas de Indianápolis do ano passado, incluindo na conta a parceria com a McLaren, que deixou Fernando Alonso de fora da tradicional prova.

Ou seja, Nasr e Sette Câmara são os brasileiros mais bem preparados a chegarem à Indy, mas ainda há muito trabalho a ser feito por eles.

Você pode clicar aqui para ver como o grid da temporada 2020 da Indy.

foto do topo: jake archibald flickr/CC BY 2.0

sergio sette camara f2 hungaroring
Sergio Sette Câmara defendeu a Carlin na F2 em 2018 – foto: Zak Mauger/fia f2/divulgação

 

 

Um comentário sobre “Felipe Nasr e Sergio Sette Câmara: os novos Kanaan e Castroneves da Indy?

  1. Para eles é uma boa chance, especialmente para o Sette Camara, que não está no radar de ninguém na Europa e precisa tomar um rumo na carreira. O Nasr eu já vejo como consolidado no mundo do Endurance, se quiser passa a carreira toda por lá. Correr pela Carlin não é o ideal mas é a chance que eles possuem de aparecer para as demais equipes. Não vai demorar para vários dos pilotos das equipes de ponta de aposentar / serem aposentados. Daí pode surgir uma vaga interessante.

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