Para quem viveu os tempos de vacas magras do WTCC, com menos de 20 carros no grid e a Citroën ganhando todas as corridas, a temporada 2019 do WTCR foi um grande sucesso.

O campeonato teve ao menos 26 competidores participando de todas as etapas, mais da metade deles já conquistou títulos relevantes em categorias de carros de turismo, e sete montadoras eram representadas nas pistas.

No fim, quem levou a melhor foi a Hyundai, com o veterano Norbert Michelisz enfim conquistando seu primeiro título mundial ao superar Esteban Guerrieri, da Honda, e Yvan Muller, da novata sensação Lynk & Co.

Mas a realidade pode ser bastante diferente em 2020. Por motivos que variam de projeto atrasado a modelo saindo de linha, o número de marcas no WTCR deve diminuir na próxima temporada, com estimativas apontando um grid de 16 a 20 carros.

Abaixo, confira as cinco ameças que o WTCR enfrenta em 2020.

Os problemas do WTCR 2020

1) A Volkswagen anunciou, no fim de novembro, que vai passar a competir apenas em campeonatos que usam carros elétricos, acabando com os demais projetos, incluindo aí o WTCR, onde era representada por quatro pilotos.

Dessa maneira, Johan Kristoffersson, que venceu o prêmio de novato do ano em 2019, com direito a ganhar a última corrida da temporada após ter largado em 22º, e Robert Huff, campeão do WTCC em 2012, estão a pé.

2) Apesar de também fazer parte do Grupo Volkswagen, a Audi não era obrigada a seguir os passos da matriz e só participar de campeonatos de carros elétricos. Mesmo assim, a montadora anunciou que estava acabando com os investimentos que fazia no WTCR, onde inscrevia outros quatro veículos.

A equipe Comtoyou disse que planeja continuar no certame, continuando com o equipamento das quatro argolas, mesmo sem o apoio da montadora – e dependendo de pilotos com patrocínio. Já a WRT vai mesmo sair da categoria para focar no DTM e nas corridas de carro GT. A esquadra tinha Gordon Shedden, tricampeão do BTCC, e Jean-Karl Vernay, último vencedor do TCR antes da fusão com o WTCC, como pilotos.

3) A Alfa Romeo, com seus dois carros, também já indicou que deve sair e se dedicar ao eTCR, certame similar ao WTCR que ainda não foi lançado e será destinado a, adivinha, veículos elétricos.

No caso da marca italiana, a situação é um pouco mais complicada. O modelo usado no WTCR, o Giulietta saiu de linha, portanto não há mais interesse de divulgá-lo nas pistas do mundo tudo. Como é preciso desenvolver um equipamento do zero, a escolha foi se dedicar apenas ao TCR.

4) Até mesmo a Hyundai, bicampeã do WTCR, pode diminuir seus investimentos na categoria. Desde o começo do ano passado, a montadora tem reclamado dos privilégios dados pela organização à Lynk & Co. 

Ela reclama que a marca chinesa quebrou a regra fundamental do WTCR, que é a proibição de equipes de fábrica na categoria – a maior parte dos times recebe investimentos pesados das montadoras, mas em teoria são independentes.

A Lynk & Co é a única marca do mundo TCR que não colocou seus carros à venda. E, se a montadora não comercializa seus carros, portanto não tem clientes, o que configuraria de fato ser uma equipe de fábrica.

Segundo a imprensa italiana, insatisfeita com a categoria, a Hyundai cogita diminuir sua principal equipe, a BRC, de quatro para apenas dois carros no WTCR 2020, com os outros dois passando a ser inscritos por algum time cliente, que não deverá contar com o mesmo investimento.

5) Novas montadoras já anunciaram que têm interesse no WTCR, mas a previsão é que só a partir de 2021 elas terão condições de disputar o mundial, tarde demais para impedir que o grid deste ano diminua.

A chinesa MG afirmou que está de olho no campeonato, mas antes deve competir em outros certames ao redor do mundo para avaliar se tem condições de ser competitiva no mundial. Afinal, ninguém quer desembolsar muito dinheiro para ficar andando no fim do pelotão.

Já a Mazda, que lançaria seu carro TCR agora em 2020, precisou adiar os planos para o ano que vem por problemas no projeto, que incluem até mesmo a empresa responsável por construir e desenvolver o equipamento ter falido. E a marca nunca escondeu que a prioridade é ter bom desempenho nos EUA. A ida para o mundial só depois disso.

Com todos esses problemas, o grid do WTCR 2020 deve mesmo ser menor que o do ano passado.

foto do topo: volkswagen uk/divulgação

foto do Mazda TCR
O projeto da Mazda para o mundo TCR está tão atrasado que a empresa responsável por construir os carros faliu – foto: mazda/divulgação