foto Felipe Drugovich

Os problemas para Felipe Drugovich na F2 2020

Felipe Drugovich, logo nos primeiros dias de 2020, surpreendeu ao anunciar que vai subir para a F2, onde correrá pela equipe MP.

O brasileiro já havia participado dos testes de pós-temporada da categoria pela escuderia holandesa, mas a expectativa era que ele ficasse mais um ano na F3. Por lá, ele não foi bem em 2019. Andando pela Carlin, terminou o ano com a 16ª colocação, tendo pontuado somente em uma única etapa e batido durante o fim de semana do tradicional GP de Macau, realizado no fim do ano.

Seu principal problema em 2019 foi o desempenho em uma só volta rápida. Das oito classificações realizadas no ano passado, em seis ele se posicionou na segunda metade do grid, a partir de 16º. Nas corridas, ele costumava ter bom ritmo. Ganhava muitas posições, mas estava saindo tão atrás que não conseguia se recuperar o suficiente para pontuar.

A exceção foi em Hungaroring, quando Drugovich largou em décimo e terminou a prova na sexta colocação, somando seus únicos pontos da campanha.

É por esse desemprenho que o anúncio do brasileiro na F2 em 2020 foi bastante criticado. Afinal, por qual razão o 16º colocado da F3 no ano anterior mereceria essa promoção?

Mas olhar a posição em que Drugovich terminou a temporada 2019 não conta a história toda.

Os pontos fortes de Felipe Drugovich

Em primeiro lugar, de uma maneira geral, toda a equipe Carlin foi mal no ano passado. O americano Logan Sargeant terminou três posições atrás do brasileiro, embora tenha pontuado em quatro corridas ao longo da temporada. No fim do ano, ele se recuperou e subiu ao pódio em Macau, corrida à parte, que não vale pontos para o campeonato. Já o japonês Teppei Natori foi o 24º na classificação final, com um único top-10.

Outro ponto é que, apesar do 2019 fraco, Drugovich tem um currículo muito bom. Em 2017, ele foi o terceiro colocado na F4 Alemã, tendo lutado pelo título contra Juri Vips (hoje principal nome do Red Bull Junior Team) e contra Marcus Armstrong (da Academia da Ferrari). Naquela temporada, o brasileiro ganhou sete corridas, contra três triunfos de Armstrong e apenas um de Vips.

No ano seguinte, o brasileiro subiu para a Euroformula Open, considerada uma F3 de baixo custo e menos competitiva, onde foi campeão com recorde de vitórias – 14 em 16 corridas (nas outras duas ele foi segundo colocado).

É pelo currículo vitorioso que está errado criticar a subida de Drugovich para a F2 apenas com base no desempenho na F3 em 2019.

Mas há problemas na escolha do brasileiro para este ano. O principal deles é sumir do radar das grandes equipes de F1 e das montadoras.

Caso a aposta na MP não dê certo, ele vai para dois anos consecutivos de fracos resultados. Lembrando que a esquadra holandesa foi a sétima colocada na temporada passada da F2, com dois pódios, ambos obtidos por um piloto mais do que experiente: Jordan King, que milita na categoria desde 2015 e, inclusive, teve uma passagem pela Indy nesse meio tempo. Situação bem diferente da de Drugovich, que será um novato e precisará aprender como o certame funciona, ao mesmo tempo em que luta contra veteranos.

E no automobilismo ainda vale a máxima de que um piloto é tão bom quanto seu último resultado. Voltando a falar de Sargeant, que foi companheiro do brasileiro na Carlin, após o pódio obtido em Macau, ele assinou com a Prema e é considerado um dos favoritos ao título da F3 2020.

Outro caso é o de Frederik Vesti, que andou pela mesma esquadra de Drugovich na F4 Alemã em 2017. Enquanto o brasileiro obteve sete vitórias naquele ano, o dinamarquês recebeu a bandeirada na frente uma única vez. Só que na temporada passada Vesti optou por correr na novíssima F-Regional, ganhou o título com facilidade, com 13 vitórias, e será outro piloto da Prema na F3 em 2020.

E aí fica a questão. Será que Drugovich vai ter uma temporada tão boa pela MP a ponto de negociar com equipes grandes da F2 para 2021? Ou será que as principais esquadras vão optar por Vesti, Sargeant, Armstrong, entre outros, daqui a um ano?

Até lá, resta ao brasileiro conquistar os melhores resultados possíveis, principalmente nas corridas com o grid invertido, para tentar se destacar. Foi o que Sergio Sette Câmara fez em 2017, quando correu pela mesma MP. Ele demorou para engrenar, mas ganhou a prova do domingo em Spa-Francorchamps e descolou um acordo com a Carlin para a temporada seguinte, que o colocou entre os principais nomes da F2 e também de sua geração.

Você pode clicar aqui para ver como o grid da F2 2020 está sendo formado.

foto do topo: dutch photo agency/kgcom/divulgação

Felipe Drugovich
Felipe Drugovich não foi bem em 2019, quando correu pela Carlin, na F3 – foto: euroformula open/divulgação

Um comentário sobre “Os problemas para Felipe Drugovich na F2 2020

  1. Na minha opinião ele acerta ao sair da F3, categoria com muitos carros e poucas chances de êxito para quem não está em um time top. A F2 esse ano terá uma nova dinâmica com mudança nos pneus, o que irá nivelar a disputa, pilotos como Markelov’s, Gelael’s e Deletraz da vida não terão tanta vantagem pois eles mesmos terão que adaptar seus respectivos racecraft e ritmo em volta rápida. Mais vale para o brasileiro arriscar agora do que ficar outro ano na F3 com resultados medíocres

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