foto de Matheus Leist

A saída de Matheus Leist da Indy para a Imsa

Após duas temporadas, Matheus Leist não deve mais fazer parte do grid da Indy. Nesta semana, o jovem piloto brasileiro foi anunciado pela equipe JDC-Miller para a disputa das quatro corridas de longa duração da Imsa (em Daytona, Sebring, Watkins Glen e a Petit Le Mans) em 2020 e ainda pode participar de mais provas da categoria na próxima temporada.

Segundo a imprensa americana, apesar de o acordo com a JDC ser por somente quatro corridas por enquanto, ele não deve retornar à Indy.

Agora que acabou, dá para dizer que a passagem dele pela categoria americana de monopostos, em 2018 e 2019, tinha todos os motivos para dar errado – e deu.

A situação de Matheus Leist na Indy

O primeiro deles era a falta de experiência. Leist chegou ao certame após ter conquistado o título da F3 Inglesa, em 2016, e sido o quarto colocado na Indy Lighs no ano seguinte com três vitórias em 16 corridas, incluindo no oval de Indianápolis.

Esses são bons resultados, mas precisam ser contextualizados. A F3 Inglesa, na prática, equivale hoje a uma super-F4 e costuma preparar seus pilotos para categorias como a F-Renault Eurocup ou a Euroformula Open. É um título importante, mas é para quem está dando os primeiros passos na carreira.

Ser quarto colocado na Indy Lights também é bom, mas naquele ano o certame teve somente 14 pilotos participando de todas as provas, e Leist nem foi o melhor novato. Acabou atrás de Colton Herta, que preferiu permanecer no campeonato de acesso para 2018.

Como resultado, o brasileiro estreou na Indy muito jovem em 2018, com 19 anos e 6 meses de idade. Na época, o recorde de piloto mais novo a participar de uma temporada completa da categoria era de 19 anos e 0 meses, registrado por Marco Andretti em 2006.

Fazendo um parentese, Colton Herta, ele mesmo que preferiu ficar mais um ano na Lights, é o novo recordista ao ter corrido aos 18 anos e 11 meses agora em 2019.

Se faltava experiência para Leist, ter assinado com a Foyt – onde fez dupla com o também brasileiro Tony Kanaan – não ajudou. A escuderia jamais se acertou com a nova versão do carro da Indy e se tornou uma das piores (ou talvez a pior) do grid.

Neste ano, a Foyt só terminou seis vezes entre os dez primeiros colocados de uma prova, tendo obtido o terceiro lugar de Kanaan no oval de Gateway como melhor resultado. Já Leist tinha sido o quarto no misto de Indianápolis, principalmente devido à boa estratégia da escuderia durante a chuva. Em resumo, o jovem piloto foi o 18º na tabela em seu ano de estreia e caiu uma posição em 2019.

Um dos motivos para Leist ter sido colocado nessa situação de levado às pressas à Indy e por uma equipe ruim era a perspectiva de não ter mais brasileiro no grid.

É que, no fim de 2017, a Penske confirmou que Helio Castroneves estava deixando o campeonato e, a partir do ano seguinte, iria se dedicar somente à Imsa (além de aparecer nas 500 Milhas de Indianápolis). E Kanaan, o outro brasileiro do certame, já passou dos 40 anos e está em seus últimos anos antes da aposentadoria

Segundo uma reportagem publicada pelo site americano Racer, no fim de 2017, o acerto de Leist com a Foyt foi viabilizado porque o brasileiro contava com o dinheiro de uma emissora de TV daqui do país para completar o orçamento.

A reportagem da Racer não citou diretamente a Band, mas na época ela era quem transmitia as corridas da categoria aqui no Brasil e, portanto, tinha todo interesse em ter pilotos do país tomando parte do campeonato.

Não é por acaso que, poucos dias após a saída de Leist da Indy ter sido confirmada, a Band paralisou as negociações para transmitir o campeonato (e só confirmou que ia passar dias antes da prova do Texas).

Portanto, seria muito interessante que, no futuro, Leist recebesse alguma nova oportunidade na Indy, quando estiver mais experiente e por uma equipe melhor. Como Simon Pagenaud já mostrou, correr alguns anos de endurance não significa que a porta esteja fechada nos monopostos para sempre.

Leia mais sobre a Indy 2020:
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foto do topo: rf1/divulgação

foto da Imsa
Cadillac da equipe JDC Miller, que terá Matheus Leist em ao menos quatro corridas da Imsa 2020 – foto: richard prince/cadillac/divulgação

 

 

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