foto do Safety-car

A F1 deveria acabar com as investigações após a corrida?

O GP de Abu Dhabi, neste fim de semana, marca o fim da temporada 2019 da F1 e também do primeiro ano da gestão Michael Masi como diretor de provas da categoria.

O australiano, para quem não lembra, foi chamado às pressas em março para ocupar o cargo depois que Charlie Whiting morreu repentinamente em Melbourne.

Quando Masi assumiu a função, já era esperado que ele desse continuidade ao trabalho que vinha sendo feito, uma vez que estava sendo treinado pelo próprio Whiting para um dia sucede-lo.

Mas em 2019 já deu para ver algumas novidades. Uma delas foi o retorno da bandeira branca e preta. Quando acenada a um piloto, ela equivale a uma bronca (ou um cartão amarelo no futebol). Significa que o competidor fez algo de errado, mas não o suficiente para ser punido. O competidor, portanto, só levará uma penalização caso repita o erro.

Críticas à F1 em 2019

Por outro lado, não faltaram críticas à gestão de Masi. A principal delas não é exatamente culpa apenas dele, mas um problema que já vinha desde a época de Whiting: a demora para os comissários investigarem incidentes na pista e tomar uma decisão sobre possíveis punições.

No GP do Brasil, esse defeito esteve em evidência. Levou horas para que decidissem punir Lewis Hamilton pelo toque em Alexander Albon no fim da corrida. Como resultado, o próprio britânico subiu ao pódio antes de saber que tinha caído para o sétimo lugar. E Carlos Sainz Jr não pôde comemorar com troféu e champanhe seu primeiro pódio na F1 – e o primeiro da McLaren desde 2014.

Essa demora para definir o resultado já tinha acontecido na Áustria. Naquela prova, só muito depois da bandeirada que os comissários concordaram que Max Verstappen não deveria ser punido pela manobra em cima de Charles Leclerc, que lhe rendeu a vitória.

É verdade que no Red Bull Ring não houve penalização, mas é muito ruim os espectadores irem embora do autódromo sem a certeza de quem realmente foi o vencedor. Da mesma forma, é péssimo que eles assistam a um pódio cujo resultado depois é modificado.

Mas será que a solução é decidir pelas punições em poucos minutos?

Nem sempre. Houve um episódio curioso neste ano na Supercars, da Austrália, categoria que tem a cultura de aplicar logos as penalizações durante a corrida em vez de esperar a bandeirada.

Na etapa de Sandown, os pilotos Anton de Pasquale e Shane van Gisbergen se acidentaram quando brigavam pela segunda posição. Como Van Gisbergen abandonou no lance, os comissários não tiveram dúvidas e aplicaram uma punição a De Pasquale.

O problema é que, assim que foi entrevistado ao chegar aos boxes, Van Gisbergen assumiu a culpa da batida e disse ter ficado surpreso pelo adversário ter sido penalizado. Foi só aí que a direção de prova resolveu rever o lance e percebeu que tinha errado.

Nesse caso, a pressa para decidir um culpado pelo incidente fez o piloto errado ser punido.

É justamente esse o argumento de Masi, que era o diretor de provas da Supercars antes de ser promovido à F1. Ele defende que é melhor levar o tempo que for necessário para investigar minuciosamente cada incidente em vez de tomar uma decisão na pressa e cometer um erro. E muitas vezes é preciso ouvir os pilotos para entender o que aconteceu, então esses lances só podem ser investigados após a bandeirada.

O problema é esse argumento se tornar uma muleta. Isto é, a direção de prova e os comissários se acomodarem com a facilidade que é averiguar os incidentes após as corridas, em vez de criarem protocolos para tentar resolver o mais rápido possível.

Ao menos por enquanto, Masi não parece interessado em mudar o sistema de F1, e as longas investigações devem continuar após as corridas em 2020.

De qualquer forma, como a Supercars já mostrou, não há sistema ideal. Com decisões rápidas ou análises longas, sempre vai haver erros e reclamações. Talvez o melhor fosse os comissários apitarem cada vez menos sobre o que acontece na pista. Assim as chances de mudar os resultados após a bandeirada diminuiriam.

foto do topo: daimler/divulgação

foto do GP do Brasil
Lewis Hamilton foi ao pódio do GP do Brasil, mas logo depois acabou punido, perdeu a terceira colocação e precisou devolver o troféu – foto: governo do estado de são paulo/fórmula 1/grande prêmio do brasil de f1 2019/CC BY 2.0

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