foto de Kimi Raikkonen

O acordo com a Alfa Romeo foi bom a Sauber na F1?

Na F1, a máxima de o que vale é o último resultado conquistado continua em vigor.

Em julho de 2017, Frederic Vasseur assumiu a função de chefe de equipe da Sauber, no lugar de Monisha Kaltenborn, e tinha dois grandes pepinos para resolver.

O primeiro era que a equipe dependia do dinheiro de um grupo de investimentos sueco para continuar funcionando, o que praticamente garantia Marcus Ericsson como um dos titulares.

O segundo era o acordo recém-assinado com a Honda. Na época, a montadora japonesa estava em baixa. Em 2017, o contrato que tinha para fornecer motores para a McLaren tinha sido rompido por causa dos resultados abaixo do esperado e, para continuar na F1, a única saída foi fechar uma parceria com a escuderia suíça.

O problema é que na Sauber ninguém estava muito animado com o novo acordo. Os resultados em 2017 estavam ruins – foram só cinco pontos obtidos ao longo de todo o ano -, e a perspectiva era de, com o motor Honda, um desempenho ainda pior em 2018.

Vasseur não perdeu tempo. Ligou para a Honda e desfez o acerto com a montadora. Ao mesmo tempo, se aproximou de Sergio Marchionne e da Ferrari. Em troca, a Sauber recebeu o patrocínio da Alfa Romeo (montadora que na época também era comandada por Marchionne), os serviços de um jovem piloto muito talentoso chamado Charles Leclerc e também reforços na área de engenharia.

Com Leclerc, a Sauber deu a volta por cima. O monegasco, mesmo estreando na categoria em 2018, levou a escuderia constantemente ao top-10, tendo pontuado em quase metade das 21 provas da temporadas.

Queda da Alfa Romeo na F1 2019

Mas bastou os resultados minguarem na F1 2019 para o trabalho começar a ser questionado. Rebatizada como Alfa Romeo, a escuderia tem somente 34 pontos na atual temporada e ocupa o oitavo lugar entre as dez equipes no Mundial de Construtores.

Segundo a imprensa britânica, um dos pontos mais criticados dentro da equipe é que a aliança com a Ferrari tem impedido a própria escuderia crescer.

É só ver que, em relação ao ano passado, a Alfa Romeo perdeu Leclerc e, em troca, recebeu Antonio Giovinazzi, que ainda não engrenou em sua primeira temporada na principal categoria do automobilismo mundial. Até agora o italiano tem somente quatro pontos marcados diante de 31 de seu companheiro, o veterano Kimi Raikkonen.

E nem dá para demitir Giovinazzi. Pelo acordo com a montadora Alfa Romeo e com a Ferrari, a escuderia de Maranello tem o direito de escolher um dos titulares do time suíço. Isso quer dizer que mesmo se o italiano for demitido, caberá a Ferrari selecionar o segundo piloto.

Assim, a Alfa Romeo não pode contratar um veterano para fazer dupla com Kimi Raikkonen em 2020. Lembrando que Nico Hulkenberg está livre no mercado após ser dispensado pela Renault, e o alemão é bem avaliado por Vasseur, que o levou para a escuderia francesa, e também pelos antigos integrantes da Sauber, onde correu em 2013.

Além disso, no meio do ano, a Ferrari solicitou que o engenheiro Simone Resta, que estava emprestado à escuderia suíça, retornasse a Maranello, enfraquecendo ainda mais a Alfa.

Para piorar, vendas abaixo do esperado da Alfa Romeo em 2019 serviram para dar início ao boato de que a montadora estude retirar o patrocínio da Sauber e deixar novamente a F1.

Ao mesmo tempo, a Red Bull, que assinou com a Honda após a desistência da Sauber, ganhou duas corridas na atual temporada da F1. E mesmo a Toro Rosso já conquistou um pódio neste ano, graças a Daniil Kvyat, no confuso GP da Alemanha disputado debaixo de chuva.

Aliás, a STR soma 64 pontos na F1 2019, quase o dobro dos 35 da Alfa Romeo.

E aí é que o jogo virou. Se o acordo entre Sauber e Honda era considerado um pepino para Vasseur resolver em meados de 2017, agora ele é até mesmo visto como uma chance de salvação perdida pela escuderia suíça.

Não que a esquadra esperasse ter os mesmos resultados da Red Bull na F1 em 2019. Mas ela contaria com investimentos da Honda, além de ter prioridade tanto na hora de selecionar engenheiros quanto de ter o equipamento desenvolvido na medida para ela.

Para a Toro Rosso, de certa forma deu certo. Por que para a Sauber não daria?

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos do GP do México da F1, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no último fim de semana.

foto de Charles Leclerc
Charles Leclerc foi um dos principais responsáveis por tirar a Sauber da crise na F1 em 2018, mas a alegria durou pouco – fotos do post: alfa romeo/divulgação

 

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