Foto de Kiko Porto

Dudu Barrichello e Kiko Porto nos treinos de pós-temporada da USF2000

A USF2000, a Indy Pro 2000 e a Indy Lights estiveram, no penúltimo fim de semana de outubro, no circuito misto de Indianápolis para o Chris Griffis Memorial Test, nome dado ao treinos de pós-temporada das categorias do Road to Indy.

Dessa vez, parece que a organização aprendeu com os erros do ano passado. Em 2018, os testes tinham sido realizados no fim de setembro, em um fim de semana no qual a maior parte dos campeonatos de fórmula da Europa e da Ásia também tinha corridas marcadas. Como resultado, foram poucos os participantes nos EUA.

Agora, a atividade foi adiada em quase um mês, atraindo mais pilotos. A grande beneficiada foi a Indy Pro 2000, que teve 17 competidores, mais que os 12 em média por etapa da temporada recém-terminada.

A USF2000, assunto deste post, também teve 17 pilotos testando, mas, como apenas cinco não eram americanos, ter evitado choque de datas com os campeonatos europeus não foi um fator decisivo para o grid encorpado.

E quem levou a melhor nos testes da categoria de entrada do Road to Indy foi o dinamarquês Christian Rasmussen, que anotou 1min24s931, sendo o único a andar abaixo de 1min25s ao longo dos dois dias de atividade.

Ainda é muito cedo para fazer qualquer previsão para a temporada 2020 da USF2000, mas, se Rasmussen continuar no certame, com certeza será um dos favoritos ao título.

O dinamarquês estreou na categoria neste ano pela equipe do (ex-?) piloto Jay Howard – a JHDD. Apesar de tanto ele quanto a esquadra serem novatos na USF2000, venceram três corridas em 2019 e largaram na pole em uma oportunidade. Assim, com mais experiência, a tendência é que busquem resultados ainda melhores no ano que vem.

Só que é bom segurar o favoritismo. Segundo um levantamento feito pelo site americano TSO Ladder, nas nove edições dos testes coletivos de pós-temporada do Road to Indy realizadas até hoje, 27 pilotos lideraram as sessões de treinos. Destes, somente cinco (menos de 20%) foram campeões no fim do ano seguinte.

Para piorar a situação de Rasmussen, de 2011 a 2019, todos os campeões da USF2000 correram pela equipe Cape. Essa escuderia tem o hábito de demorar para anunciar seus pilotos, pois costuma ir atrás dos vencedores da bolsa dada por patrocinadores para estreantes na categoria. E a seletiva para essa bolsa só deve acontecer em novembro.

Como não se sabe quem vai estar correndo pela Cape, ainda não dá para dizer que Rasmussen deve ter vida fácil em 2020.

Voltando aos resultados de Indinápolis, o americano Yuven Sundaramoothy ficou em segundo, pouco mais de 0s1 atrás do líder.

Uma curiosidade é que Sundaramoothy tem como empresário o pai de Alexander Rossi, que corre na Indy pela Andretti. Em seu primeiro ano na USF2000, em 2019, o jovem piloto não impressionou. Ficou em 12º na tabela de pontos e não terminou nenhuma corrida entre os cinco primeiros colocados.

Seu ponto forte é ter assinado com a equipe Pabst, considerada a segunda mais forte da categoria. Em 2019, a escuderia levou o neozelandês Hunter McElrea ao vice-campeonato (tomou a virada na última prova) e também contou com a brasileira Bruna Tomaselli – agora titular da W Series.

O desempenho de Kiko Porto e Dudu Barrichello

Kiko Porto (na foto do topo), em terceiro, foi o melhor brasileiro na atividade. No ano passado, ele já tinha participado dos testes de pós-temporada da USF2000, mas optou por seguir na F4 USA em 2019, onde deve terminar com o vice-campeonato.

Ele é um dos pilotos mais jovens do grid – com 16 anos  -, mas já também um dos mais experientes. Afinal, já tomou parte de uma temporada e meia na F4 dos EUA e mais meia temporada na F4 Mexicana. Assim como Rasmussen, caso tenha dinheiro para seguir carreira, é um dos nomes que em que devemos ficar de olho para os próximos anos.

A quarta posição ficou com o holandês Rick Bouthoorn, no segundo carro da Pabst. Esse piloto veio do kartismo e almeja seguir os passos do compatriota Rinus Veekay, que também fez toda a carreira nos EUA e deve assinar com a equipe de Ed Carpenter para a temporada 2020 da Indy.

Dudu Barrichello, companheiro de Porto na DEForce, ficou com a quinta colocação nos treinos, mas seu desempenho foi melhor do que o resultado sugere.

É que ao longo do fim de semana, cada categoria teve direito a seis sessões de treino, e as melhores condições para marcar voltas rápidas ocorreram na manhã do domingo, quando o brasileiro foi o quinto mais rápido.

Só que nas outras cinco atividades de pista, ele terminou três delas em segundo, uma em quarto e outra em quinto.

Independentemente do resultado final, dá pra dizer que Barrichello fechou 2019 em alta. Depois que assinou com a equipe DEForce, ele largou na primeira fila em uma das corridas da USF2000 em Laguna Seca, quase foi ao pódio e esteve entre os ponteiros da pós-temporada.

Por um lado, como não andou bem na F4 USA em 2018 nem no começo da USF2000 em 2019, dá para dizer que o ideal para ele seria ficar mais um ano nos EUA e usar toda a experiência acumulada para lutar pelo título da categoria de acesso do Road to Indy em 2020.

Por outro, Rubens Barrichello já deu entrevistas dizendo que pretende levar o filho para correr na Europa, então se esse for o caminho que Dudu for seguir na carreia, melhor fazer a transição logo para se adaptar às pistas e às equipes europeias o quanto antes.

Wyatt Brichacek, também vindo da F4 USA, foi o sexto no segundo carro da equipe de Jay Howard, enquanto Reece Gold, único piloto da sempre-favorita Cape na atividade, veio logo em seguida.

Jack William Miller, antigo companheiro de Barrichello na Miller Vinatieri, fechou em oitavo, mostrando evolução em relação aos resultados obtidos ao longo da temporada 2019 – foi o 16º na tabela da USF2000, conquistando um único top-10.

Nolan Siegel, outro veterano da categoria, encerrou em nono, seguido pelo sueco Viktor Andersson, piloto de bastante sucesso no automobilismo do seu país e que chegou a ser o terceiro mais veloz na última sessão de pista do fim de semana.

Como dito antes, ainda está muito cedo para fazer qualquer previsão para a próxima temporada da USF2000, mas a tendência é que boa parte destes competidores estejam no grid da categoria no ano que vem. E, claro, é um bom sinal que tanto Kiko Porto quanto Dudu Barrichello tenham ido bem.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos dos treinos do Road to Indy em Indianápolis, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no último fim de semana.

Confira abaixo a soma dos tempos das seis sessões de treinos da pós-temporada da USF2000 de 2019:

resultados dos treinos de pós-temporada da USF2000 de 2019

foto do topo: kmcom/deforce/divulgação

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