foto Pato O'Ward

A inexplicável passagem de Pato O’Ward pelo Red Bull Junior Team

A ida de Pato O’Ward, da Indy para o Red Bull Junior Team, em maio, pode terminar o ano como momento mais inexplicável da temporada 2019 do automobilismo mundial.

Na época, o mexicano estava chamando atenção nos EUA: tinha acabado de ser campeão da Indy Lights, estreou na categoria principal na última corrida do ano anterior e terminou entre os dez primeiros, resultado que repetiu em sua primeira prova em 2019, no Circuito das Américas.

Mas a Red Bull estava mesmo interessada era nos pontos da superlicença, documento obrigatório para correr na F1, que O’Ward garantia ter, devido aos títulos conquistados por ele nos anos anteriores.

Segundo o piloto mexicano, de 2016 a 2018, ele foi o terceiro colocado na F4 Mexicana de 2016 (levando sete pontos na superlicença), foi vice da Pro Mazda no mesmo ano (outros sete), comemorou o título da divisão PC da Imsa em 2017 (18) e levantou a taça da Indy Lights na temporada seguinte (15), chegando aos 47, sendo que é preciso 40 para emitir o documento.

Mas alguns desses resultados eram questionados. Por exemplo, O’Ward tinha sido campeão da divisão PC da Imsa, não da principal, a Protótipos – e o regulamento da FIA não deixa claro se ambas ou se apenas alguma delas (qual?) distribui os pontos para correr na F1.

Além disso, os grid enfrentados por O’Ward nas campanhas da Pro Mazda e da Indy Lights tinham menos carros que o mínimo estabelecido pela FIA para que um campeonato possa fornecer pontos na superlicença. Assim, o mexicano precisaria que a principal entidade do automobilismo internacional abrisse uma exceção e desses os pontos referentes a esses certames mesmo assim.

E, enquanto a FIA avaliava se o piloto mexicano de fato tinha cumprido os requisitos, ele foi colocado na Super Formula, do Japão, no lugar do polêmico Dan Ticktum.

Pato O’Ward na Super Formula 2019

Por lá, sua campanha passou longe do espetacular. Sem ter tomado parte de algum teste antes da estreia, somou pontos em apenas uma das três corridas em que esteve – com o sexto lugar em Okayama.

Mas, enquanto ele se preparava para a última corrida do ano, em Suzuka, marcada para o último fim de semana de outubro, ele recebeu uma ligação de Helmut Marko, do Red Bull Junior Team, dizendo que não fazia mais parte do programa.

O motivo é que a FIA recusou emitir a superlicença, justamente por a Indy Lights no ano passado ter em média sete carros por etapa, enquanto o mínimo estabelecido pela federação para distribuir os pontos são 12 competidores por prova.

Sem os pontos da Indy Lights, a Red Bull preferiu dispensar O’Ward, menos de seis meses após tê-lo contratado.

Mas o mexicano não deve ficar muito tempo a pé. Segundo a imprensa americana, ele é um dos principais candidatos a assinar com a McLaren SP e ficar com o segundo carro da escuderia na temporada 2020 da Indy.

Vendo por um lado, talvez fizesse mais sentido o piloto ter ficado na categoria americana em 2019, em vez de embarcar na aventura rubro-taurina. Chegaria na McLaren já conhecendo praticamente todas as pistas do calendário (com exceção de Richmond, que retorna ao certame no ano que vem) e mais experiente. Por outro lado, fazer parte do programa da Red Bull e tendo andado em uma etapa da F2 e em três da Super Formula também serviu de aprendizado para ele.

Quando à epopeia da superlicença, a história do mexicano é mais um exemplo de como esse sistema é confuso e não deveria existir.

Quer dizer, se a Indy Lights em 2018 tivesse cinco pilotos amadores completando o grid, chegando a 12 carros por etapas, O’Ward teria conquistado a superlicença e provavelmente seria um dos titulares da Alpha Tauri (novo nome da Toro Rosso) na F1 2020.

Resumindo, no caso específico dele, cinco pilotos amadores em um grid é a diferença entre servir ou não para a F1. Faz algum sentido deixá-lo de fora da principal categoria do automobilismo mundial só por causa disso?

A outra conclusão é que pilotos e equipes não fazem a menor ideia de como o sistema funciona. Quando há algum caso que sai do caminho tradicional (de um competidor passar por F4, F3 e F2), as regras acabam interpretadas de inúmeras formas, causando mais confusão que esclarecimento.

Pietro Fittipaldi, por exemplo, passou muito tempo dizendo que o título da World Series, em 2017, tinha garantido a ele a superlicença. A situação não era esse, e hoje o piloto brasileiro ainda está em busca dos pontos que faltam. Da mesma maneira, não dá para entender a Red Bull, que contratou oficialmente um piloto sem nem saber se ele tinha o documento ou não.

Mais fácil é acabar logo com a atual regra da superlicença e colocar no lugar um sistema de filtragem simplificado, que pilotos, equipes, fãs e patrocinadores consigam acompanhar.

foto do topo: talladega87 at english wikipedia, CC BY-SA 4.0

Super Formula
Largada da etapa de Okayama da Super Formula (Pato O’Ward é o carro azul nas cores da Red Bull, com asa dianteira branca, na parte direita da imagem, mais ao fundo) – foto: toyota gazoo racing/divulgação

2 comentários sobre “A inexplicável passagem de Pato O’Ward pelo Red Bull Junior Team

  1. Tbm nunca entendi pq a Rede Bull o levou para o programa. Nunca teve os pontos para a superlicença. E perdão discordar de vc, mas a pontuação é a forma mais justa de evitar que somente endinheirados cheguem ao grid. Acho que desde o início da utilização desse sistema, pilotos melhores chegaram a F1, valorizando mais a F2, basta ver a classe de 2018 da F2 que subiu. Somente uma interpretação muito picareta faz com que o Pato tivesse os pontos da IMSA. É claro que esses pontos só se referem a classe principal, assim como é no WEC. Aliás, no ano que venceu a classe PC, só 2 carros corriam. Enfim, tomara que ele retome a carreira nos EUA. Não é um piloto ruim, poderia ter se dado bem no Japão tivesse mais tempo para se adaptar

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    1. Também achei surpreendente que ninguém nunca questionou ele levar em conta os pontos da divisão PC da IMSA para pleitear a superlicença. Deu no que deu…

      E eu só acho que o sistema de pontos em vigor tem muitas falhas. No fim, concordo contigo que é preciso algum sistema para filtrar os pilotos e evitar pagantes endinheirados e com pouco talento no grid (ainda mais se chegar novas equipes em breve)

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