foto de Dan Ticktum

Por que Dan Ticktum voltou às pistas na F-Regional

Demitido de forma misteriosa pelo Red Bull Junior Team em junho, Dan Ticktum voltou às pistas, em setembro, ao assinar contrato com a equipe Van Amersfoort para disputar as últimas etapas da temporada 2019 da F-Regional.

Causou surpresa o acerto. Afinal, o polêmico britânico, vice-campeão da última temporada da história da F3 Euro, estava na Super Formula, onde Pierre Gasly e Stoffel Vandoorne correram logo antes de serem promovidos à F1, e agora participa de uma categoria mais abaixo, destinada a recém-saídos da F4.

Mas a curiosa ida de Ticktum para a F-Regional não foi por acaso. Muito menos por falta de opção.

O motivo de o piloto ter escolhido o certame europeu para seu retorno é a chance de salvar seu 2019 e acumular mais alguns pontos na superlicença, documento obrigatório para quem quiser correr na F1.

Um piloto recebe pontos pelo desempenho que teve ao longo do ano e precisa acumular 40 em um período de três temporadas para obter a superlicença.

Por ter vencido o tradicional GP de Macau de F3 duas vezes e ser o atual vice-campeão da F3 Euro, o britânico soma 35. Ou seja, precisa de apenas mais cinco para garantir o documento.

Como a F-Regional foi criada neste ano pela FIA, para atrair jovens pilotos, a entidade foi bastante generosa na hora de decidir quantos pontos na superlicença o torneio distribuiria. Ficou assim: o campeão deste ano levará 25 pontos, o vice ficará com 20 e o terceiro colocado ganhará 15. Ao todo, os nove primeiros serão recompensados. Esse é o mesmo sistema de pontos aplicado à Super Formula ou à antiga GP3.

Assim, para conquistar os cinco pontos que faltam, Ticktum precisaria terminar a temporada 2019 da F-Regional em sexto.

Desempenho de Dan Ticktum na F-Regional

Mesmo tendo estreado na categoria apenas na sexta rodada deste ano, matematicamente é possível. Antes, um parentese, a partir de agora falo da pontuação do campeonato, aqueles que os pilotos marcam após cada corrida, não mais os que são dados da superlicença.

Em sua estreia no certame, o antigo pupilo da Red Bull obteve dois segundos e um quinto lugares, abocanhando 46 pontos.

Como faltam seis corridas (duas rodadas triplas) para o fim da temporada 2019, Ticktum ainda pode marcar mais 150 pontos. E o sexto colocado na tabela atualmente é o mexicano Raul Guzman, com 132. Ou seja, caso tenha duas etapas cheias de abandonos em Mugello e também em Monza, então pode, sim, ser ultrapassado.

Mas pela diferença entre os dois é bastante complicado para que Ticktum termine o ano em sexto. Da mesma forma, o sétimo posto também é difícil. Quem o ocupa é Sophia Floersch, companheira de equipe do britânico, com 124, apenas oito a menos que Guzman.

Já o oitavo lugar é um objetivo possível. No momento, ele é de Marcos Siebert, que marcou 70 pontos na temporada e já ficou de fora da última etapa, em Barcelona. Pode ser que ele nem corra mais na F-Regional no restante de 2019.

Se Ticktum ultrapassá-lo e fechar o ano em oitavo, levará dois pontos na sua superlicença. Ainda não será o suficiente para chegar à F1, mas estará mais próximo de seu objetivo. Aí caberá somar os pontos que faltam em 2020.

E o britânico sabe muito bem o quanto um ano zerado pode prejudicar a carreira. Em 2016, ele foi banido das pistas pela MSA (equivalente à CBA no Reino Unido) porque, durante uma corrida de F4 no ano anterior, teve um verdadeiro ataque de fúria ao receber um toque de um adversário. E, com o safety-car acionado por causa do incidente, voltou à pista, acelerou como se a corrida estivesse em bandeira verde, ultrapassou os demais carros e foi bater de propósito em quem tinha lhe tirado da prova.

Sem pontos da superlicença de 2016, o britânico jamais chegou aos 40 exigido para estrear na F1 e perdeu uma vaga na Toro Rosso que parecia destinada a ele – ironicamente, quem acabou contratado foi Alexander Albon, que já acabou promovido para a Red Bull.

Agora, ele está disposto a recuperar o tempo perdido, mesmo sem contar com o apoio da fabricante de energéticos. Mas resta ver se, mesmo que obtenha a superlicença, ainda haverá espaço para ele na F1 após as muitas polêmicas em que já se envolveu.

A penúltima etapa da temporada 2019 da F-Regional está marcada para este fim de semana em Mugello.

foto de Dan Ticktum
Dan Ticktum disputa posição com o brasileiro Igor Fraga em seu retorno às pistas na F-Regional – fotos do post: aci csai/divulgação

 

2 comentários sobre “Por que Dan Ticktum voltou às pistas na F-Regional

  1. Não vai conseguir esses pontos, sério. Apesar da qualidade duvidosa do grid, ele não tem como ultrapassar seus adversários a tempo. Porém vai ir muito bem, é importante se manter em atividade, talvez apareça algo para ele na F2 ano que vem.

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