foto Ricky Stenhouse Jr.

A demissão com anos de atraso na Nascar

Pegou todo mundo de surpresa o anúncio da equipe Roush-Fenway, nesta quarta-feira, da contratação de Chris Buescher para a temporada 2020 da Nascar, no lugar do demitido Ricky Stenhouse Jr.

O espanto é porque já estamos no fim do mês de setembro, e a maior parte dos pilotos cobiçados do mercado já tinha assinado com outras escuderias.

Atual líder da Xfinity, Christopher Bell, por exemplo, fechou com a Leavine Family e vai correr em um carro satélite da Joe Gibbs. Tyler Reddick, o atual campeão da Xfinity, deve ser confirmado como substituto de Daniel Hemric na RCR. E Matt DiBenedetto, que deixou a Leavine para abrir espaço para Bell, já anunciou que terá a Wood Brothers como destino.

Mas mesmo tarde a Roush resolveu agir e recontratou Buescher. Foi justamente competindo pela equipe da Ford que o piloto conquistou o título da Xfinity em 2015. Desde então, ele corre na Cup, mas por times menores. Primeiro andou pela Front Row – tendo até conquistado uma vitória – e passou os últimos três anos na JTG-D.

Só que o atraso da Roush para mudar sua dupla para 2020 não foi apenas de alguns meses – em relação a quando Bell, Reddick e DiBenedetto estavam disponíveis no mercado.

É de anos. Stenhouse passou sete temporadas competindo pela escuderia na principal divisão da Nascar e em nenhum momento mostrou que poderia ser um piloto capaz de reconduzir a esquadra ao caminho de vitórias e bons resultados.

Fama de batedor na Nascar

Nos seus piores momentos, em 2014, o americano não conseguiu se classificar para uma corrida em Talladega, quando estava em seu segundo ano completo da categoria. E, em 2015, foi apontado como o maior batedor da Nascar daquela temporada, ao se envolver, em média, em um acidente a cada duas etapas (contando também os treinos).

Só que esses episódios não soaram o alerta na Roush, e Stenhouse foi tendo seu contrato renovado.

De fato, houve uma melhora. De maior batedor da Nascar de 2015, o piloto conquistou duas vitórias em 2017, quando disputou para os playoffs e terminou o ano em 13º na classificação, seu melhor resultado da carreira.

Só que os dois triunfos aconteceram em super-ovais. Como nessas pistas há restrição na potência e na velocidade, os carros acabam equalizados, e pode ser questão de sorte receber a bandeirada na frente. Então vitórias nesse tipo de pista muitas vezes escondem que não está havendo uma evolução do piloto e/ou da equipe.

Ainda assim, Stenhouse terminou 2017 com outros dois top-5 e com nove top-10 ao todo, mostrando que a melhora com relação aos anos anteriores era real. Só que, desde então, seus números foram ladeira abaixo.

Ele jamais voltou aos playoffs e, no ano passado, voltou a se envolver em acidentes. Como resultado, viu sua posição média de chegada cair de 17,1 de 2017 para 19,4 no ano passado.

Em 2019, piorou. Sua posição média de chegada é de 20,9. E passou longe do mata-mata. Sem vencer, fechou a temporada regular quase 200 pontos atrás de Ryan Newman, seu novo companheiro de equipe, o último a conquistar uma vaga na fase decisiva.

Foi a gota d’água para a Roush Fenway, que enfim decidiu mudar o dono do carro número 17 para a Nascar 2020. É como dizem: antes tarde do que nunca.

Lembrando que a Roush-Fenway foi campeã com Matt Kenseth e Kurt Busch, em 2003 e 2004, respectivamente, mas nos últimos anos ela perdeu espaço. Principalmente porque no começo dos 2000 era a principal equipe da Ford na Nascar – e como consequência recebia muito dinheiro da montadora -, mas depois a marca fez acordos mais lucrativos com Penske e Stewart-Haas, deixando a Roush como coadjuvante. Talvez a segunda mudança de pilotos em dois anos possa fazer a equipe a recuperar parte do prestígio – e do rendimento – que já teve.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da Nascar em Richmond, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no último fim de semana.

foto do topo: zach catanzareti photo – ricky stenhouse jr/CC BY 2.0

foto Chris Buescher
Chris Buescher, que estava na JTG-D, será o substituto de Ricky Stenhouse Jr. na Roush Fenway – foto: andrew coppley/chevy/divulgação

Um comentário sobre “A demissão com anos de atraso na Nascar

  1. O pé na bunda da Danica deve ter deixado ele abalado. Pensei até um certo momento que iria acontecer com ele algo parecido que ocorreu com o Truex Jr. Depois que começasse a engatar resultados positivos, iria deslanchar. Mas tbm tem outra coisa. Na Nascar, de um tempo para cá, Gibbs e Stewart Hass dominam, e os demais pegam as sobras. O título do Logano ano passado só foi possível graças ao formato do playoff. Falando nele, lendo nos sites gringos é cada vez maior a insatisfação do pessoal que curte Nascar com esse formato de disputa, estágios, playoff e penduricalhos. Não por coincidência, os autódromos estão com menos gente a cada ano que passa

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