foto da S5000

O que deu certo e o que deu errado na nova S5000 da Austrália

Considerada a Indy da Austrália, a S5000 teve sua primeira etapa da história disputada no fim de semana no circuito de Sandown. Além de apresentar um carro muito bonito e equipado com um poderoso motor V8, o certame marcou o retorno de Rubens Barrichello aos monopostos.

O brasileiro estava afastado dos carros de fórmula desde que disputou a temporada completa da Indy em 2012. Mesmo assim, o ex-F1 não fez feio. Apesar dos problemas na primeira corrida de classificação, terminou a prova principal com o segundo lugar, embora sem nenhuma chance de brigar pela vitória. É que a bateria decisiva foi encerrada antes da hora em decorrência de um forte acidente de outro piloto.

Assim, dá para dizer que a estreia da S5000 foi xôxa. Tanta divulgação para poucas disputas na pista.

Mas o campeonato tem bons motivos para ficar otimista com seu futuro. Confira abaixo os pontos positivos e os negativos da mais nova categoria do automobilismo australiano:

O que deu certo na S5000

O carro: fabricado pela Ligier (Onroak) ele é considerado um irmão maior do usado na F-Regional.

Mas não se trata de um equipamento de categoria de acesso. Ele é comparável ao da Indy. É um pouco menor (5,1m x 1,9m nos EUA contra 4,9m x 1,95m na Austrália), mas equipado com motor V8 de 5,0L. Produz 560 hp de potência, equivalente ao propulsor da Indy (que varia de 550 a 750 hp a depender da pista, sem contar o push-to-pass).

E lembrando que ainda é o primeiro passo na evolução do carro, que já deixou uma boa impressão logo de cara. Outras categorias de monopostos estavam bem atrás quando foram lançadas. Basta ver o quanto o equipamento da Formula E evoluiu ao longo dos últimos cinco anos ou mesmo a própria Indy, que sofreu com corridas horríveis na época dos kits aerodinâmicos, quando era praticamente impossível ultrapassar.

O grid: se levarmos em conta que os pilotos da Supercars normalmente têm contrato de exclusividade e não podem disputar outras categorias ao longo do ano, a S5000 foi bastante criativa em selecionar os pilotos de sua primeira corrida da história.

Trouxe Matthew Brabham, que disputou as 500 Milhas de Indianápolis há alguns anos. Teve John Martin, australiano com passagem pela A1GP e pelo WEC. E Will Brown, campeão da F4 local e considerado um dos jovens pilotos mais talentosos do país

A eles se juntaram Alex Davison, veterano da Supercars, gente conhecida na F3 da própria Austrália e alguns nomes promissores da Nova Zelândia. E, claro, Rubens Barrichello, que foi a cereja do bolo do projeto e funcionou como um imã para o interesse internacional.

Claro que os australianos gostariam de ver Mark Webber e Ryan Briscoe (sem contar os pilotos de F1/Indy, evidentemente) fazendo parte do certame também, mas para uma primeira corrida o nível dos participantes foi muito bom.

O que deu errado na S5000

O circuito: a pista de Sandown, uma das mais tradicionais da Supercars, não tinha condições de abrigar a estreia de um campeonato de monopostos. É que ela é estreita e quase sem pontos de ultrapassagem.

Não é totalmente culpa da categoria. Atrasos na montagem dos carros fizeram com que os veículos só ficassem pronto agora. Como a S5000 faz parte de um evento chamado Shannons Nationals, que equivale à Stock Car e suas categorias de acesso aqui no Brasil, não tinha como mudar o local de corrida de uma hora para a outra, para algum traçado que fosse melhor para uma corrida de monopostos.

Uma solução poderia ser esperar a última etapa do ano do Shannons Nationals, no circuito de The Bend. Mas ela está marcada apenas para meados de novembro, e não teria motivos para adiar ainda mais a estreia da S5000 até lá.

O acidente: a principal corrida da S5000, na madrugada de sábado para domingo aqui no Brasil, foi encerrada mais cedo, com apenas 11 voltas disputadas (sendo sete delas atrás do safety-car) em decorrência de um forte acidente de Will Davison.

O piloto nada sofreu, mas o dano causado no guard-rail não seria consertável a tempo, e  a direção de prova decidiu terminar a corrida antes do previsto. Um tremendo anticlímax para um campeonato que teve uma estreia amplamente divulgada e aguardada.

A duração da corridas: mesmo se a prova não tivesse acabado antes, ela seria bem curtinha. Com 26 voltas programadas, deveria tomar um pouco mais de meia hora. Essa é a duração de uma corrida de F4 ou de F-Renault.

O que ainda não dá para dizer

O sistema de corridas de classificação: a S5000 tem um regulamento confuso. O grid de largada da prova principal é formado a partir da soma dos resultados de duas baterias classificatórias. Uma delas conta com o grid invertido e a outra não. A ideia é que os pilotos briguem por posição também nessas preliminares, mas sempre há o risco de que nelas todo mundo decidir poupar equipamento e evitar uma quebra ou um acidente que prejudique todo o fim de semana.

Por Sandown ser uma pista travada, as baterias classificatórias não mostraram muito, apesar de poucas brigas no começo da primeira, na madrugada de sexta para sábado. Talvez em pistas mais apropriadas para monopostos essa ideia possa dar certo.

Lembrando que ainda há mais uma etapa da S5000 até o fim do ano. Está marcada para o circuito de The Bend, no dia 17 de novembro. Mas a presença de Barrichello não está confirmada nem de boa parte do grid que correu na abertura do campeonato.

Mas vai ser uma boa oportunidade para ver como a categoria vai se sair em um fim de semana sem tantos holofotes.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da S5000 em Sandown, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no último fim de semana.

foto do topo: S5000/divulgação

 

Um comentário sobre “O que deu certo e o que deu errado na nova S5000 da Austrália

  1. Parabéns ótimo resumo

    Torço para que dia 17 Rubens confirme, quem sabe leve Tony com ele…..
    Seria demais para o universo S5000….
    Rsrs

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