foto Anthoine Hubert

Anthoine Hubert (1996 – 2019)

Ser campeão da F4 Francesa nem sempre é um bom sinal. De 2011 para cá, quem ganhou o certame não teve muito destaque na carreira.

Alex Baron, que levantou a taça em 2011 e chegou a integrar o programa de jovens pilotos de Nicolas Todt, até hoje tenta se firmar nos EUA. Todo ano participa das primeiras etapas da USF2000, vence uma corrida ou outra, mas, sem dinheiro, não toma parte de todas as etapas.

Matthieu Vaxivière, o primeiro colocado de 2012, buscar fazer carreira nas corridas de longa duração, mas ainda não conseguiu ter continuidade. E o que falar de Lasse Sorensen, o campeão de 2014, que hoje está na versão europeia da Nascar, sem nenhum resultado expressivo até aqui? Situação mais complicada que a dele só a de Valentin Moineault, ganhador em 2015 e que, sem oportunidades, parou de correr.

Mas havia um piloto no qual a categoria apostava para quebrar essa sina: Anthoine Hubert, o campeão de 2013.

Nos primeiros anos após levantar a taça na França, Hubert já mostrava que era promissor, embora seus resultados ficassem abaixo do esperado. Ganhou corridas na F-Renault Eurocup, categoria a qual disputou por duas temporadas, e também na F3 Euro, onde foi companheiro de equipe de Pedro Piquet na Van Amersfoort em 2016. Só que nesse tempo todo, seu melhor resultado na tabela foi o quinto lugar obtido na Eurocup.

Foi só em 2018 que sua situação mudou e Hubert atingiu o estrelato. Por ser mais velho – e mais experiente – que boa parte do grid e disputando a GP3 pelo segundo ano consecutivo, o francês pôde aplicar tudo o que aprendeu ao longo da carreira para ficar com o título, obtendo somente duas vitórias na campanha, mas subindo ao pódio em outras nove oportunidades. Com essa consistência invejável, a taça veio com facilidade, com quase uma rodada de antecipação.

Tendo sido campeão da F4 e da GP3, ele assinou no fim do ano passado com a Academia da Renault em sua ida para a F2. Tudo caminhava para que a sina da falta de sorte do campeão da F4 Francesa fosse quebrada.

Vitórias neste ano em Paul Ricard e em Mônaco, pela F2, mostravam que ele estava no caminho certo para ter uma boa carreira no automobilismo. Tanto que a imprensa inglesa já apontava negociações de Hubert com ART e com Dams, duas da melhores esquadras da F2, para a próxima temporada.

Mas não deu tempo de vermos tudo o que Hubert poderia mostrar. Aos 22 anos de idade, o piloto francês morreu em um grave acidente na primeira corrida da F2 2019 em Spa-Francorchamps no fim de semana.

E mesmo com toda a tristeza, Hubert não foi esquecido. Ao longo do fim de semana, o piloto recebeu homenagens de diversas categorias do esporte a motor. Da brasileira Copa Truck à Indy, houve minuto de silêncio. E Charles Leclerc, ao ganhar sua primeira corrida na F1, justamente na Bélgica, dedicou o triunfo ao francês, com quem dividiu as pistas no início da carreira, no kart.

foto do topo: renault/divulgação

foto Anthoine Hubert
Carro de Anthoine Hubert na temporada 2019 da F2, onde obteve duas vitórias – foto: lukas raich/own work, CC BY-SA 4.0

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