Talvez tenha sido um erro a W Series, controversa categoria só para mulheres, não ter selecionado uma brasileira para o grid da temporada inaugural em 2019.

Quer dizer, não estou questionando os critérios do campeonato, que eliminou Bruna Tomaselli ainda na primeira etapa do processo seletivo, em janeiro deste ano, em Melk, na Áustria.

Estou falando de uma forma abstrata, que seria vantajoso para o certame ter uma pilota do país – independentemente de quem fosse – correndo. E há alguns motivos para isso.

O principal é que, já há alguns anos, o Brasil é dono da maior audiência da F1 no mundo. Com ampla vantagem para o segundo colocado. E, de uma forma até mesmo surpreendente, o número de espectadores do campeonato no país tem crescido, mesmo depois que Felipe Massa deixou o certame, e não há mais um representante do país.

Assim, a W Series poderia ter selecionada uma pilota do Brasil para aproveitar esse interesse do país pelo esporte a motor e negociar contratos de transmissão e patrocínio, por aqui, mais vantajosos que os que têm hoje.

A outra razão é que a novíssima geração de pilotas brasileiras está tendo bons resultados.

Brasileiras bem no kart em 2019

No último fim de semana, a cidade de Cascavel recebeu a primeira etapa do Brasileiro de Kart, principal competição do país na modalidade.

Na categoria Júnior Menor, Maria Eduarda Nienkotter, de Santa Catarina, ficou com o vice-campeonato. Enquanto Antonella Bassani terminou com a quinta colocação, colocando duas mulheres entre os cinco primeiros, em um grid bastante competitivo, de 24 competidores.

Nienkotter vem de uma família tradicional do automobilismo catarinense, com seu pai, Fernando, e o tio, Leonardo, tendo participado de alguns dos principais certames do país no esporte a motor nas últimas décadas. E Bassani, em 2017, tinha sido uma das representantes do Brasil no mundial da marca Rotax, também do kartismo.

A divisão ainda teve Aurélia Nobels (da foto em destaque), que faz parte do programa de pilotos da Shell, com a 13ª colocação.

Bem longe de Cascavel, Le Mans, na França, recebeu a última etapa do Europeu de Kart. Por lá, quem também representa o Brasil é Julia Ayoub, de 13 anos, que no fim do ano passado conquistou uma bolsa da fabricante Birel ART para competir na Europa em 2019.

Na época, competiu contra pilotas de outros países e foi a mais bem avaliada, ficando com o prêmio.

Só que sua estreia no kartismo europeu, neste ano, não tem sido fácil. Ela nem sequer passou para final em Le Mans e, nas etapas anteriores, constantemente ocupou as últimas posições.

Mesmo assim, o Brasil vem mostrando que tem ao menos quatro competidoras com condições de fazer carreira no esporte a motor.

Falei da W Series no começo deste texto, mas é preciso ter um pouco de calma. A própria categoria de monopostos só está confirmada até o fim de 2020, e ninguém sabe o que vai acontecer com ela a partir daí.

Por outro lado, os resultados e a experiência que Nienkotter, Bassani, Nobels e Ayoub estão tendo vão ser levados por elas para o resto da carreira. Seja na W Series, seja em uma F4, seja nos EUA, seja aqui mesmo no Brasil.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da W Series em Assen, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no último fim de semana.

foto do topo: bruno gorski/shell/divulgação

foto de Julia Ayoub
Julia Ayoub venceu a bolsa da Birel ART para correr no Europeu de kart em 2019, mas teve um ano bastante complicado – foto: rf1/divulgação