A estranha demissão de Dan Ticktum do Red Bull Junior Team

Parecia que era questão de tempo para que Dan Ticktum se tornasse titular na F1. Afinal, ele acumula 35 dos 40 pontos para tirar a superlicença – documento obrigatório para correr na principal categoria do automobilismo mundial – e era considerado o principal nome do Red Bull Junior Team.

Tanto que nos testes coletivos deste ano, após os GPs da Espanha e do Bahrein, Ticktum pilotou pela própria Red Bull, não pela Toro Rosso – lembrando que nessas atividades todas as equipes são obrigadas a dar espaço a algum novato.

Mas se era questão de tempo sua chegada ao campeonato principal, agora não é mais. Nesta semana, a Red Bull confirmou que o polêmico piloto britânico foi demitido do Junior Team.

Por mais controverso que Ticktum seja (falo das polêmicas mais abaixo) e por mais que o Junior Team seja conhecido pela prática do hire-and-fire (contratar para demitir), a decisão desta semana é estranha, porque aconteceu ainda no primeiro semestre do ano.

A justificativa dada pela Red Bull à imprensa austríaca foi o fraco desempenho de Ticktum em 2019. Até agora o britânico ocupa a 15ª colocação da Super Formula, do Japão, com apenas um ponto somado.

Não dá nem para dizer que ele tem sido péssimo. Tem sido abaixo disso. Nem sei como descrever. Pode ser considerado trágico, calamitoso. Precisa melhorar para chegar ao péssimo.

Em uma das corridas, Ticktum largou em 16º e terminou em oitavo, na única vez em que pontuou na temporada. Em outra, voltou a sair da 16ª posição no grid, mas abandonou ao bater logo na primeira volta. E, no último fim de semana, em Sugo, partiu da 19ª posição e recebeu a bandeirada em 15º, uma volta atrás – sendo que seu companheiro de equipe lutava para subir ao pódio.

Só que, por pior que tenham sido estes resultados, só houve três etapas da Super Formula até agora. Ainda resta mais da metade do campeonato – são sete corridas no total. Ou seja, tempo existe para uma eventual recuperação de Ticktum.

E, para conquistar os cinco pontos que faltam na superlicença, ele precisa terminar a temporada entre os seis primeiros, o que não é uma tarefa impossível, mesmo após esse começo ruim.

Portanto, a justificativa de falta de desempenho para mandar embora o principal nome do programa de jovens pilotos ainda na metade da temporada não cola para a Red Bull.

Polêmicas de Dan Ticktum

Muita gente tem se lembrado que Ticktum acumula polêmicas na carreira, então os fracos resultados deste ano seriam só mais um motivo para a fabricante de energéticos mandá-lo embora.

Em 2015, o piloto foi punido com um gancho de dois anos longe das pistas por um episódio que aconteceu na F4 Inglesa. Na etapa de Silverstone, Ticktum tinha sido tocado por outro piloto e foi parar fora da pista, o que acionou o safety-car. O britânico ficou irritado com o adversário, ignorou a presença do carro de segurança, saiu ultrapassando todo mundo até bater de propósito e garantir que o piloto com quem ele tinha se enroscado abandonaria a corrida.

Só que essa punição aconteceu antes de Ticktum ter assinado com a Red Bull. Ou seja, não só a empresa austríaca sabia desse episódio como mesmo assim resolveu contratá-lo. Não faz nenhum sentido levar este passado em conta para demiti-lo agora em 2019.

E, no período em que Ticktum defendeu o Junior Team, a fabricante de energéticos praticamente não teve do que reclamar. O piloto foi bicampeão do GP de Macau de F3, com direito a uma ultrapassagem com três carros lado a lado em cima de Lando Norris, atual titular da McLaren na F1, e só não venceu a F3 Euro em 2018 por causa da polêmica do turbogate – havia suspeitas no paddock de que Mick Schumacher recebeu um motor mais potente que o dos adversários (o que não era necessariamente ilegal), por isso seu desempenho melhorou repentinamente em meados da temporada passada.

Como o alemão tem andado mal desde que foi campeão da F3 Euro – tanto em Macau, no ano passado, quanto na F2, este ano -, as suspeitas fazem algum sentido.

Portanto, para tentar chegar a alguma explicação pelo fim da paciência da Red Bull, há duas hipóteses mais prováveis. A primeira é que, na última etapa da Super Formula, alguma atitude de Ticktum, dentro ou fora da pista, serviu como gota d’água e causou sua demissão.

A outra é a justa causa. Normalmente contratos com patrocinadores e com equipes têm cláusulas que determinam em quais casos a rescisão é imediata, e Ticktum pode ter desobedecido alguma delas.

Agora, só vamos descobrir o que realmente aconteceu caso o piloto, a Mugen (sua equipe no Japão) ou a Red Bull resolvam contar a verdade. Até la, fica essa fraca justificativa de que foi por causa do desempenho.

foto do topo: red bull/divulgação

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Dan Ticktum durou apenas três etapas na Super Formula 2019 – foto: superformula

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