foto de Paul Ricard

Por que Paul Ricard na F1 tem tantas faixas azuis?

A F1 retorna ao circuito de Paul Ricard para disputar a segunda edição do renovado GP da França neste fim de semana.

E essa é uma das pistas mais icônicas do calendário da principal categoria do automobilismo mundial. Mas a fama não é por já ter recebido o certame de 1971 a 1990 nem por causa das praias da região do sudeste francês. O que torna o autódromo reconhecido internacionalmente e inconfundível são as inúmeras faixas azuis e pretas, que circundam o traçado nas áreas de escape.

Mas você sabe por que resolveram pintar o circuito com essas listras?

Tudo começou no fim da década de 1990, com a morte do próprio Paul Ricard, um empresário francês que fundou o autódromo, batizado com seu nome.

A reforma de Paul Ricard

Após a morte do empresário, o circuito foi colocado a venda, e quem o comprou foi Bernie Ecclestone.

Só que os planos do então promotor da F1 não era trazer o autódromo de Paul Ricard de volta à principal categoria do automobilismo mundial. Na verdade, a empresa de Ecclestone começou uma enorme reforma no traçado para transformá-lo em uma pista de testes de última geração, destinada a protótipos e carros superesportivos das montadoras e, principalmente, equipes do esporte a motor.

E fazia todo o sentido. O autódromo praticamente não tem subidas e descidas, fica na região do Mediterrâneo, com clima mais ameno que no resto da Europa e conta até mesmo com uma pista de pouso nas imediações, facilitando o acesso.

Com a reforma, o circuito passou a oferecer mais de 150 opções de traçados, boxes e instalações de última geração e até mesmo sistema de irrigação do asfalto para simular chuva.

Mas a grande novidade das obras foi a retirada das caixas de brita das áreas de escape. No lugar, elas ganharam uma mistura de asfalto e um mineral chamado tungstênio, que faz os carros terem maior aderência.

Como Paul Ricard passou a ser um circuito de testes, a ideia era que, se alguém escapasse do traçado nessas avaliações, a maior aderência das áreas de escape ajudaria o piloto a retomar o controle do equipamento, evitando, assim, uma batida.

E, para marcar onde está esse composto especial, foram pintadas as faixas azuis brilhantes nas áreas de escape. Elas também servem como orientação, para que se volte à pista após uma rodada, por exemplo.

Aliás, depois das faixas azuis, há nas áreas de escape linhas vermelhas, mais próximas ao muro. Nelas, a mistura de asfalto e tungstênio é ainda mais aderente e serve como última esperança de recuperar o controle do equipamento para evitar o choque com o muro. Por outro lado, essas faixas vermelhas desgastam muito os pneus, então não é uma boa ideia tentar cortar caminho por lá.

Fazendo um parêntese, Paul Ricard é uma pista tão segura que, mesmo se um veículo passar pelas linhas azuis e pelas vermelhas, ele não bate direto no muro. Em boa parte do circuito foram instaladas barreiras tecpro, similares aos safer barriers, dos EUA, uma espécie de muro mais macio, que serve para absorver o impacto.

Paul Ricard na F1

A reforma deu tão certo que, quando a Toyota tinha uma equipe na F1, ela costumava testar em Paul Ricard.

Após as obras, por muitos anos o autódromo francês foi destinado apenas aos testes e só voltou a receber corridas em 2009.

E, em 2018, após quase 30 anos longe, ele mais uma vez passou a fazer parte do calendário da F1. Muito por conta da influência do governador da região de Provence-Alpes-Côte d’Azur, chamado Christian Estrosi, que é apaixonado por automobilismo.

Ele percebeu que, com o bom momento da França no esporte a motor, era uma boa hora para abrir os cofres públicos e negociar com a principal categorias do automobilismo mundial. Assim, o GP da França foi recriado dez anos depois de Magny-Cours ter parado de sediar a prova.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos do GP da França de 2019, assim como os das principais categorias do esporte a motor no fim de semana.

foto de Paul Ricard
Também há faixas vermelhas (com maior aderência, mas que destroem os pneus) na pista de Paul Ricard – fotos do post: daimler/divulgação

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