foto de Sergio Sette Câmara

As novas regras da superlicença 2020

A todos os jovens pilotos que um dia sonham chegar à F1 a FIA deu uma mãozinha com as novas regras da superlicença, anunciadas no Conselho Mundial da entidade, nesta sexta, dia 14.

A partir de 2020, quem completar no mínimo 100 km em algum treino livre da F1 vai somar um ponto. E, por essa maneira, cada competidor poderá acumular no máximo dez em um período de três anos.

Lembrando que para conseguir a superlicença, documento obrigatório para correr na principal categoria do automobilismo mundial, é preciso reunir 40 pontos em três temporadas.

Até 2019, esses pontos eram dados somente com base nos resultados obtidos por um competidor na temporada. Por exemplo, o campeão da F2 leva 40, enquanto o vencedor da F3 fica com 30.

Assim, a mudança anunciada nesta sexta é importante porque pela primeira vez os pilotos serão premiados sem depender apenas dos resultados nas pistas.

escrevi aqui no World of Motorsport que os pontos da superlicença não deveriam ser levados tão a ferro e fogo, e o bom senso deveria prevalecer em muitos casos.

Por exemplo, caso um competidor seja o quinto colocado na F3 neste ano e vença o título da categoria em 2020, ele somará 38 . Faltarão somente dois para chegar à F1. Dois pontos é a quantidade dada ao oitavo lugar da Super Formula, do Japão. Ou seja, se esse piloto terminar no top-8 no certame nipônico em 2021, carimba o passaporte para a categoria principal. Porém, se for o nono, ele já não serve mais.

Com um pouco de bom senso, dá para dizer não faz a menor diferença ser oitavo ou nono colocado de qualquer categoria. Algo tão pequeno não deveria determinar se um competidor está aptou ou não a correr na principal categoria do automobilismo mundial – daí a a novidade da FIA de bonificar quem participar dos treinos livres é tão bem vinda. Para o piloto desse exemplo, bastará participar de duas sessões para conseguir os pontos que faltam.

Premiar quem anda nos treinos é um bom primeiro passo, mas é pouco. Em 2018, seis pilotos reservas estiveram nessas sessões, sendo que dois deles – Sean Gelael e Artem Markelov – tomaram parte de apenas uma cada um. Robert Kubica esteve em três, mas ele já tinha a superlicença. Os outros foram Nicholas Latifi, Lando Norris e Antonio Giovinazzi. Talvez o ideal fosse expandir o bônus para quem completasse 100 km também durante a pré-temporada ou em algum dos treinos de meio do campeonato.

Quem se beneficiou com a nova regra da superlicença?

Dan Ticktum. O polêmico integrante do Red Bull Junior Team acumula 35 pontos em sua superlicença e precisa terminar a atual temporada da Super Formula entre os seis primeiros para obter os cinco que faltam. Caso não os consiga, bastará participar de dez treinos livres em 2020 pela Toro Rosso para alcançar os 40 (lembrando que os cinco da vitória no GP de Macau de 2017 expiram no fim deste ano).

Sergio Sette Câmara. O brasileiro (pilotando pela McLaren na foto do topo) recebeu dez pontos pelo sexto lugar na temporada passada da F2. Se fechar o campeonato atual no top-5 (atualmente ele é o sexto), ganhará mais 20. Aí vão faltar mais dez, que podem ser alcançados participando dos treinos no ano que vem.

Pilotos da Academia da Ferrari e do Red Bull Junior Team. Como essas equipes de F1 têm times satélites/parceiras na categoria, elas poderão dar quilometragem a seus pupilos em Toro Rosso, Haas e Alfa Romeo.

A nova regra da superlicença afeta Pietro Fittipaldi?

Segundo uma reportagem do site Projeto Motor, a FIA indicou que Fittipaldi tem 35 pontos por causa do título da World Series em 2017. Ou seja, ele só precisaria participar de cinco treinos livres pela Haas até o fim do ano para poder ser titular da equipe em 2020, certo?

Errado. Com a nova regra, os pilotos só serão bonificados se participarem de treinos livres a partir de 2020. O título da World Series, em 2017, deu 35 ao brasileiro, mas os pilotos têm apenas três anos para chegar aos 40. Assim, os obtidos naquele ano só podem ser usados juntos com os de 2018 e os de 2019.

Depois disso, eles expiram e passam a não valer mais.

Outra novidade na superlicença

Além de premiar quem participar de treinos livres, a FIA decidiu que um piloto poderá somar pontos de dois campeonatos diferentes em um mesmo ano, desde que o segundo certame comece apenas após o término do primeiro.

O objetivo é permitir que categorias que acontecem durante o inverno europeu, como a Toyota Racing Series, da Nova Zelândia, atraia quem está em busca da superlicença.

Por outro lado, há dois casos em que os competidores devem ser prejudicados. O primeiro é no Japão. Por lá, é comum correr tanto na Super Formula quanto no Super GT no mesmo ano, já que não há choque de datas entre eles. Assim, pela nova regra, só vai valer os pontos na superlicença dados por um dos torneios.

O outro é a dobradinha entre F4 Alemã e F4 Italiana. Tem quem escolha disputar ambas as categorias em uma mesma temporada, já que o mesmo equipamento é usado nas duas, e não há conflito de calendário. É o caso do brasileiro Gianluca Petecof neste ano.

O campeão de uma F4 leva 12 pontos. Assim, se Petecof vencer as duas em 2019 – é o favorito em ambas – receberá apenas 12, não 24, justamente pela questão de o calendário não poder coincidir.

Por fim, alguns pilotos também competem na Formula E junto com WEC, DTM ou Imsa. A maior parte deles, no entanto, já tem a superlicença, então não faz diferença. Para os demais, a situação é a mesma da F4 e do Japão: vão ficar com os pontos de apenas um dos campeonatos.

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Dan Ticktum pode ficar tranquilo que agora só depende dele (e da Red Bull) garantir os pontos que faltam em sua superlicença – foto: superformula

 

 

 

2 comentários sobre “As novas regras da superlicença 2020

  1. Felipe, tem uns probleminhas na matéria aí… segundo o próprio PM, o Pietro tem 36 e não 35 pts. Ele conseguiu 35 e não 30 pts com o título da World Series em 2017. +1 pt por ter sido 10º em 2016 na msm WS. E ainda segundo o PM, os 35 ainda valem pra 2020, sim e não 2019 como vc publicou. Logo, o 1 pt de 2016, vale até o fim deste ano.

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    1. Você está fazendo confusão porque esse ponto do Pietro Fittipaldi de 2016 ainda não expirou, mas ele não faz diferença nenhuma.

      Um piloto pode usar os pontos obtidos em três temporadas consecutivas para pedir a superlicença. Ou seja, os pontos de 2016 podem somados apenas aos de 2017 e aos de 2018. Pietro marcou 1 ponto em 2016 e 35 em 2017, mas zerou em 2018. Ou seja, ele ficou com 36 (e precisava de 40).

      Para usar pontos que ele vier a obter em 2019, ele só vai poder somá-los aos de 2018 e aos de 2017. Aquele obtido em 2016 vai expirar. Por isso falei em 35, não em 36.

      Agora, respondendo se ele poderá usar os 35 pontos do título da WS de 2017 para correr na F1 em 2020. Pode, desde que junto com os conquistados em 2018 (zero) e os que vier a somar em 2019.

      Se ele precisar de pontos de 2020 (como os dados em um campeonato de inverno), aí os de 2017 deixam de valer pela regra das temporadas.

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