foto de Niki Lauda

Niki Lauda (1949 – 2019)

É muito difícil escrever um obituário para Niki Lauda. É porque provavelmente ninguém em todos os tempos da F1 tenha tanta história, dentro e fora das pistas, quanto ele.

Mesmo aqueles que não acompanham de perto a principal categoria do automobilismo mundial sabem quem foi esse piloto austríaco que sobreviveu a um dos piores acidentes da categoria, no GP da Alemanha de 1976. Por causa da batida, Lauda até mesmo recebeu a extrema-unção, pois os médicos achavam que ele não ia se recuperar depois de ter boa parte do seu corpo queimada e de ter inalado fumaça tóxica.

Ele não só se recuperou como venceu o título mundial mais duas vezes como piloto. Aliás, recentemente essa história foi contada pelo filme Rush.

Mas o que poucos se recordam é como esse austríaco se tornou um dos principais nomes da F1.

A origem de Niki Lauda na F1

Vindo de uma família rica, Lauda fazia empréstimos bancários para pagar pelas vagas em equipes pequenas no começo da década de 1970. Uma delas foi na BRM, escuderia campeã nos anos 1960 e que já estava em decadência.

Em 1973, o austríaco descolou uma vaga no time, com a esperança que o bom desempenho fizesse sua carreira deslanchar e, assim, conseguir o dinheiro para quitar os débitos bancários. Mas não dá para dizer que ele foi bem. Terminou o campeonato em 17º, tendo pontuado apenas em uma etapa.

Seu companheiro na BRM era o experiente Clay Regazzoni. No fim daquele ano, o veterano piloto suíço acertou seu retorno à Ferrari para comandar a reformulação do time. A escuderia italiana estava em crise. O desempenho em 1973 tinha sido tão ruim, que a esquadra de Maranello decidiu nem sequer participar de algumas etapas, enquanto não corrigisse os problemas do equipamento.

Para o ano seguinte, a Ferrari recomeçou do zero: demitiu os titulares Jacky Ickx e Arturo Merzario e trouxe Regazzoni. Mas a segunda vaga ainda estava aberta.

Luca di Montezemolo, que tinha acabado de ser contratado para ser o chefe da escuderia, defendia que Lauda ficasse com o outro carro. Mas dentro da equipe, o nome do francês Jean-Pierre Jarier, campeão da F2 naquele ano, também tinha seus defensores.

Coube a Enzo Ferrari decidir. O fundador da montadora, então, mandou chamar Regazzoni e perguntou o que ele achava de Lauda. O suíço respondeu que seu antigo companheiro de BRM deveria ser contratado, e assim o segundo carro foi preenchido.

Para a Ferrari, a decisão foi mais do que acertada. Lauda se tornou pilar importante na reestruturação e conquistou os títulos de 1975 e 1977.

Anos mais tarde, o austríaco aceitou um pedido de Montezemolo, um de seus melhores amigos na F1, e voltou à equipe italiana, no começo da década de 1990, para ajudar em uma nova reformulação. Mas acabou deixando o time assim que Jean Todt foi contratado.

Antes, Lauda teve uma passagem pela McLaren, de 1982 a 1985. Naquele época, ele já tinha se aposentado da F1 e foi convencido por Ron Dennis, chefe da esquadra britânica, a retornar às corridas. Ficou por quatro anos e levantou a taça em 1984 ao derrotar Alain Prost por apenas meio ponto.

No começo dos anos 2000, não teve bons momentos como chefe da Jaguar. No ponto mais baixo, disse que os carros de F1 eram tão fáceis de guiar que até um macaco seria capaz de pilotá-lo. O próprio austríaco decidiu testar o equipamento, mas acabou rodando.

Mais de dez anos depois, em 2012, ele foi o principal responsável por convencer Lewis Hamilton a deixar a McLaren, onde estava desde a época do kart, para se juntar à Mercedes, numa época em que a montadora alemã ainda estava dando os primeiros passos após seu regresso à F1, enquanto o piloto britânico lutava pelo título constantemente pela equipe do seu país.

Mas Hamilton aceitou a proposta, e Lauda, assim, teve participação em mais quatro títulos mundiais – ao menos até agora.

Nos últimos meses, o austríaco se ausentou do dia a dia da Mercedes para cuidar de sua saúde, tendo passado por um transplante de pulmão no ano passado. Nunca se recuperou completamente. Deixa mulher e quatro filhos.

foto do top: daimler/divulgação

foto do carro de Niki Lauda
Niki Lauda foi bicampeão pela Ferrari e comandou a reestruturação da equipe nos anos 1970 – foto: george voudouris – own work, CC BY-SA 4.0

 

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