foto de Fernando Alonso

Os 7 pecados de Alonso para ficar fora da Indy 500 2019

Fernando Alonso, ao menos por um ano, vai precisar adiar sua busca pela Tríplice Coroa do esporte a motor. É que o bicampeão da F1 fracassou na tentativa de se classificar e ficou de fora das 500 Milhas de Indianápolis de 2019.

Com vitórias no GP de Mônaco e nas 24 Horas de Le Mans, o espanhol ainda precisa ganhar a tradicional prova americana para completar a mais importante tríade do automobilismo mundial.

E o vexame no treino classificatório da Indy 500 de 2019 foi o capítulo final de uma história cheia de problemas que começou há cerca de um ano.

Alonso fora da Indy 500 2019

Veja abaixo os sete pecados que Alonso cometeu e os deixou fora da corrida:

1- Não fazer a temporada completa da Indy

Desde 2002, apenas uma vez o vencedor das 500 Milhas de Indianápolis não disputou todas as etapas da temporada da Indy. Foi Dan Wheldon, em 2011. Mas o britânico já era um piloto bem veterano, tendo vencido a tradicional prova, em 2005, mesmo ano em que foi campeão da categoria.

Se Alonso tivesse optado por correr a temporada completa em 2019, no mínimo sua equipe teria mais experiência com o equipamento.

2- Mau relacionamento com a Honda

Em seus anos de F1, o espanhol ficou conhecido por criticar a montadora japonesa, que fornecia motores para a McLaren. Em uma corrida, disse que o propulsor era tão potente quanto os da GP2 (atual F2). E os próprios membros da equipe britânica afirmaram que tinham o melhor carro da F1, sendo justamente o motor nipônico que o segurava.

Para piorar, Alonso se associou à Toyota, principal concorrente, para vencer em Le Mans. Ou seja, acabou vetado pela Honda e, se quisesse disputar a Indy 500 em 2019, precisava ser por uma equipe com motor Chevrolet.

3- Sem espaço entre as grandes equipes

É um erro pensar que há um equilíbrio de forças por Honda e Chevrolet fornecerem cada uma delas motores para metade da Indy. Da maneira como o grid foi montado, a fabricante americana tem a Penske como principal cliente e a Carpenter, muito forte nos ovais, como segunda força. As demais esquadras que usam seu equipamento são as mais fracas do certame.

Já a Honda conta com duas gigantes – Andretti e Ganassi – e como todo o pelotão intermediário da categoria: RLL, Dale Coyne, Harding e Sam Schmidt.

Quando uma equipe nova entra na Indy (mesmo que seja só para as 500 Milhas), como é o caso da McLaren neste ano, é comum ela se aliar a alguma já estabelecida. É uma forma de arrumar uma sede para trabalhar a também de trocar experiência.

E são justamente as esquadras do meio pelotão que costumam aceitar essas parcerias. Elas não têm medo de estarem reforçando uma rival e sabem que a união também pode fortalecê-las.

Só que a McLaren estava limitada aos times com motor Chevrolet, então havia duas opções reais de aliança: Penske e Carpenter. Se não desse certo com elas, seria preciso recorrer a algum das piores escuderias da categoria…

4- Parceria infrutífera com a Carlin

Como nem Penske, nem Carpenter aceitaram se juntar ao time britânico, restou as esquadras do fim do pelotão: Foyt, Carlin, Dragonspeed e Juncos.

Em defesa da McLaren, quando o acordo com a Carlin foi fechado, há algumas semanas, não dava para saber que a participação do time seria um desastre e dois de seus pilotos – Patricio O’Ward e Max Chilton – ficariam fora das 500 Milhas.

Na época, O’Ward estava andando constantemente entre os dez primeiros nas provas em circuito mistos, enquanto o experiente Charlie Kimball se juntaria à esquadra em Indianápolis.

5- Chuva e acidente prejudicaram preparação

Se a preparação de Alonso para as 500 Milhas de Indianápolis já tinha sido prejudicada por ele não disputar a temporada completa, piorou devido à semana conturbada de treinos.

O ponto mais baixo foi o acidente do espanhol, no segundo dia de testes. Depois, a McLaren levou mais um dia para consertar o equipamento, e a chuva ainda deu as caras, interrompendo algumas vezes as atividades – incluindo neste domingo de decisão do grid -, diminuindo o tempo de pista e de chances de trabalhar no carro.

6- Todo mundo perdido

A McLaren ter levado quase um dia para reconstruir o veículo de Alonso após o acidente devia ter soado o sinal de alerta. Após pancadas similares – talvez até mais fortes -, Kyle Kaiser teve o seu automóvel preparado pela Juncos literalmente da noite para o dia, de sexta para sábado, enquanto James Hinchliffe bateu na classificação no próprio sábado e já tinha o equipamento reserva disponível no mesmo dia, horas depois.

Não é uma surpresa, portanto, que quando a McLaren constatou que Alonso tinha riscos, sim, de não se classificar para a Indy 500, foi procurar ajuda de outras equipes. Mas aí já era tarde demais. Sem ter testado o novo acerto neste domingo, devido ao mau tempo antes da classificação, o espanhol sentou no cockpit praticamente sem saber o que esperar.

Preparação muito diferente da 2017. Naquele ano, Marco Andretti, mais experiente nos ovais, deu algumas voltas no carro de Alonso para garantir que o espanhol tinha um equipamento competitivo em mãos.

Talvez a McLaren pudesse ter buscado algum piloto em atividade e experiente, como Tony Kanaan (e a Foyt) ou mesmo Juan Pablo Montoya, para assessorar o bicampeão da F1 na empreitada.

7- Falta de sorte

Alonso foi o 31º no primeiro dia de classificação (quando 30 garantiam presença nas 500 Milhas), terminando apenas 0s013 atrás de Pippa Mann. No domingo, na disputa pela última fila, o espanhol foi somente 0s012 mais lento que Kyle Kaiser, o 33º e último no grid.

Como são diferenças mínimas, nos centésimos de segundo, pequenos detalhes teriam colocado o bicampeão na prova. Bastava o vento estar um pouco mais favorável, ter escolhido uma linha de pista com mais aderência, sido mais agressivo em alguma curva ou então torcido para nuvens tamparem o Sol, melhorando as condições do asfalto, quando ele estava na tomada de tempo.

É lógico que Alonso não teve azar – o que faltou foi velocidade. Mas uma dose extra de sorte para escapar dos problemas teria caído muito bem.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da classificação das 500 Milhas de Indianápolis, assim como os das principais categorias do automobilismo no fim de semana.

Veja abaixo mais textos do especial Indy 500:
> Quando a Ferrari quase correu na Indy
> Os maiores vexames em Indianápolis
> A menor 500 Milhas de Indianápolis

foto do topo: mclaren/divulgação

Fernando Alonso 2017 Indy 500 Indianapolis
Fernando Alonso vai precisar assistir pela TV as 500 Milhas de Indianápolis de 2019

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