foto de Javier Gonzalez

Crise na RP

Nem mesmo as 27 vitórias nas 32 corridas da Euroformula Open (EFO) disputadas em 2017 e 2018 evitaram que a equipe italiana RP entrasse em crise no começo desta temporada.

A situação do time que levou Felipe Drugovich ao título do ano passado é tão ruim, que a escuderia nem vai disputar o tradicional GP de Pau, neste fim de semana.

Mas o que aconteceu com a RP, nos últimos meses, para a antiga força dominante da categoria agora nem mais figurar entre as participantes?

Na verdade, a esquadra em si não está tão diferente. O que mudou foi a Euroformula. Uma das novidades do certame neste ano foi permitir a entrada de outras fabricantes de motores – até 2018 havia apenas a Piedrafita, responsável por preparar os propulsores da Toyota.

O objetivo era atrair times da antiga F3 Euro. O campeonato foi extinto no fim do ano passado, e algumas de suas equipes não tinham mais onde correr.

As mudanças na Euroformula 2019

Deu certo. Chegaram Double R e Motopark, enquanto a Carlin ampliou sua participação na Euroformula.

Um dos pontos fortes da RP em suas campanhas vitoriosas era contar com o melhor piloto do grid. Em 2017, a esquadra tinha assinado com Harrison Scott, britânico experiente e dono de boa campanha na F-Renault Eurocup no ano anterior, enquanto Drugovich foi o líder da escuderia, em 2018, vindo de um temporada de sete vitórias e o terceiro lugar na tabela da F4 Alemã, considerada a mais forte das F4.

Só que a entrada de novos times na EFO tirou o protagonismo da RP no mercado de pilotos. Como Carlin, Fortec e Double R também participam de outros campeonatos, elas atraíram competidores que já conheciam bem.

A Carlin, por exemplo, já tinha inscrito Billy Monger e Nikolai Coster Waldau Kjaergaard na F3 Inglesa em 2018 e permaneceu com eles para a Euroformula em 2019. Já a Double R manteve Linus Lundqvist, atual campeão da F3 Inglesa, e trouxe Jack Doohan. Apesar de o australiano do Red Bull Junior Team ter competido pela Arden na F4 Inglesa em 2018, foi derrotado justamente por um piloto da Double R.

O caso da Motopark é diferente. A equipe se preparava para correr este ano na F-European Masters, certame que sucederia a F3 Euro, mas a categoria fechou as portas no fim de março, por causa do baixo número de inscritos. Aí foi necessário buscar outro lugar para competir, e a escuderia desembarcou na EFO – com um plantel de respeito: Liam Lawson e Yuki Tsunoda, ambos do programa de pilotos rubro-taurino, o também japonês Marino Sato, veterano de F3, e o alemão Julian Hanses.

Enquanto isso, a RP não conseguiu ninguém do calibre de Scott e Drugovich para equilibrar as forças. Ela assinou com o mexicano Javier González, que ganhou corridas na F4 Espanhola em 2018 e fez uma boa estreia na EFO no fim do ano passado, e com o francês Pierre-Louis Chovet, sexto colocado na F4 Francesa. Na etapa de abertura, em Paul Ricard, também contou com Artem Petrov, mas o principal programa do russo neste ano é a F3, pela Jenzer.

Outra consequência da abertura para novas fabricantes de motores é que a Piedrafita ganhou duas concorrentes de peso, a Spiess, preparadora do equipamento Volkswagen, e a HWA, que faz o mesmo com o Mercedes.

Como essas empresas, até o ano passado, estavam em plena guerra na F3 Euro, tinham evolução constante, uma vez que uma queria vencer a outra. Fora os investimentos que recebiam das montadoras que representam.

Por mais que a Euroformula Open tenha feito a equalização dos motores para 2019, bastou a etapa de Paul Ricard para começar a insatisfação com o equipamento da Toyota, usados pela RP. Tanto que, na França, nenhum piloto da equipe somou pontos. E, como a etapa de Pau acontece em um circuito de rua, em caso de acidente a conta pode ficar muito cara. Assim, ao menos por enquanto, o time italiano está fora do campeonato.

Crise da RP só na Europa

Mas o mau momento na Euroformula não quer dizer que a RP tenha perdido qualidade. Se ela não foi protagonista do mercado de pilotos europeu, nos EUA, assinou com Kyle Kirkwood, campeão da USF2000 e da F3 Americas, para disputar a Indy Pro 2000. Após quatro corridas, o americano já conseguiu dois segundos lugares.

No outro carro, no misto de Indianápolis, estava Ian Rodríguez, da Guatemala. Apesar de vir de um país sem tradição no esporte a motor, ele fez uma boa campanha na F4 Italiana 2018, com três pódios.

E a esquadra também entrou na nova F-Regional, em parceria com a DR, onde inscreve carros para o brasileiro Igor Fraga e para o mexicano Raul Gúzman.

foto de Liam Lawson com o capacete
A Motopark, de Liam Lawson, foi uma das grandes equipes que entraram na Euroformula Open em 2019 – fotos do post: euroformula open/divulgação

 

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