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Os desafios de Piquet e Drugovich na F3 2019

A estreia da nova F3, neste fim de semana, em Barcelona, é o passo mais ambicioso da FIA na reformulação das categorias de acesso da F1.

As mudanças anteriores não foram tão radicais. A chegada da F2 foi apenas uma troca de nome da GP2 (além do coincidente encerramento da World Series by Renault), enquanto a F4 tomou o espaço que antes era da F-Renault e trouxe novidades muito bem-vindas, como as rodadas triplas e um formato praticamente único para todo o mundo, isto é, é quase o mesmo regulamento da F4 USA à F4 do Sudeste Asiático, entre outras, por exemplo.

Mas na parte intermediária das categorias, os obstáculos serão maiores. O novo certame equivale a uma fusão entre a GP3 e a antiga F3 Euro, embora dê para dizer que representa um retrocesso em relação ao certame europeu.

Antes, pilotos e equipes da F3 Euro tinham, na maior parte das etapas, dois treinos livres, duas classificações e três corridas. No novo campeonato, é um treino livre, outro que define o grid de largada e duas provas. Com menos tempo de pista, fica a dúvida se o desenvolvimento dos jovens pilotos poderá ser comprometido.

Em troca do tempo perdido, os competidores da F3 vão correr na frente das equipes da F1, já que todas as etapas são preliminares do mundial, poderão experimentar pneus desenvolvidos pela Pirelli e terão acesso à asa traseira móvel. Além de transmissão de TV em canais importantes da TV paga, um incentivo na hora de atrair patrocinadores.

Como resultado, 30 pilotos de dez equipes se inscreveram para a F3 neste ano, em um grid que conta com jovens apoiados por Ferrari, Renault, Sauber e Red Bull.

Das três dezenas de participantes, dois são brasileiros: Pedro Piquet renovou contrato com a Trident, enquanto Felipe Drugovich estreia pela Carlin após a conquista do título da Euroformula Open em 2018.

Neste ano, ambos vão precisar sair da zona de conforto em que estiveram em boa parte da temporada passada.

Os brasileiros na F3 2019

Piquet se destacou na GP3 andando bem principalmente aos domingos, na corrida com o grid invertido. Foram nessas provas, beneficiado por largar na frente devido ao bom desempenho aos sábados, que ele obteve todos os seus quatro pódios, incluindo suas duas vitórias.

Por ter renovado com a Trident e já conhecer as pistas, os pneus e como o campeonato funciona, a expectativa é que ele evolua e brigue por vitórias já no sábado. Mas, por causa do aumento do grid e da chegada de equipes fortes (como Prema, Carlin e Hitech), a realidade pode ser Piquet repetindo 2018, somando pontos na corrida principal e lutando pela ponta só aos domingos.

Já Drugovich, por ser um estreante, chega menos pressionado que o compatriota.

Ele assinou com a Carlin, sempre favorita por onde compete, mas que por participar de muitos torneios – incluindo a Indy – às vezes sofre com a falta de foco.

Apesar de o brasileiro ter vencido 16 das 22 corridas que disputou na última temporada, ficaram algumas dúvidas sobre sua evolução como piloto, uma vez que que esteve em categorias, como a Euroformula Open e o MRF Challenge, com grids enfraquecidos e de menor qualidade.

Neste ano, ele volta a tomar parte de um dos principais campeonatos de base e vai reencontrar antigos adversários da época da F4 Alemã, incluindo Marcus Armstrong e Juri Vips, contra quem disputou a taça em 2017.

Hoje, ambos fazem parte de times júnior da F1 e estão entre os favoritos. Vips, integrante do Red Bull Junior Team, correrá pela Hitech, enquanto o neozelandês Armstrong, da Academia da Ferrari, está a bordo da sempre poderosa Prema.

Assim, 2019 será a chance de ver se a evolução do brasileiro acompanhou a dos seus antigos adversários, que estavam na F3 Euro no último ano.

Durante a pré-temporada, Piquet e Drugovich tiveram altos e baixos, tanto nos treinos de Hungaroring quanto nos de Barcelona.

Nesses testes, geralmente as equipes costumam usar as sessões da manhã para buscarem voltas rápidas (já que são em horários semelhantes aos das classificações antes de cada GP) e aproveitam a parte da tarde para fazerem simulação de corrida, com tanque cheio e pneus mais gastos.

Piquet e Drugovich estiveram entre os ponteiros durante a tarde, mas muitas vezes ficavam na segunda metade do pelotão pela manhã.

Como não foi divulgado o que cada equipe estava testando, não dá para saber o desempenho real deles. Mas dá para esperar que eles tenham bom ritmo de corrida, embora enfrentem alguma dificuldade nos treinos que definam o grid, um problema se pensarmos que são 30 competidores e apenas os dez primeiros pontuam.

Favoritos na F3 2019

O favorito ao título da nova F3 é o alemão David Beckmann. No ano passado, ele foi companheiro de Piquet na Trident, mas costumava brigar por vitórias no sábado, na corrida principal. Agora, ele assinou com a ART, equipe que levou Charles Leclerc e George Russell ao título da GP3 há alguns anos.

Beckmann, no entanto, não liderou nenhum treino na pré-temporada. Nos testes, quem terminou constantemente na frente foi Leonardo Pulcini, da Hitech. O italiano já tem dois anos de GP3 de experiência e ganhou as duas últimas corridas principais da temporada passada. Na esquadra inglesa, ele terá como companheiros Vips e o chinês Ye Yifei, do programa da Renault.

E a terceira grande força é a Prema, com dois integrantes da Academia da Ferrari: Armstrong e o russo Robert Shwartzman, além de Jehan Daruvala, que tinha a carreira bancada pela Force India.

Olho também em Christian Lundgaard, parceiro de Beckmann na ART e membro da iniciativa da Renault. Outros que podem surpreender são os dois jovens da Red Bull, Liam Lawson e Yuki Tsunoda, o veterano Jake Hughes, da HWA, e Niko Kari, parceiro de Piquet na Trident.

Você pode clicar aqui para ver o grid completo da F3 2019.

O calendário tem oito etapas, começando agora na Espanha e terminando no fim de setembro na Rússia. E há, ainda, negociações para uma nona rodada na Alemanha. Além disso, a expectativa é que esses carros também usados no GP de Macau de F3, em novembro. Todas as rodadas são duplas e fazem a preliminar da F1.

foto do topo: foto: alex farias/divulgação

foto de Felipe Drugovich
Atual campeão da Eurformula Open, Felipe Drugovich vai correr na nova F3 pela Carlin – foto: dutch photo agency/divulgação

 

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