foto do carro de Max Verstappen

A volta do GP da Holanda ao calendário da F1

Após 35 anos, o GP da Holanda deve voltar ao calendário da F1. Segundo o site Motorsport, falta apenas a assinatura do contrato para que a corrida na pista de Zandvoort seja confirmada a partir da temporada 2020. O anúncio oficial deve acontecer em meados de maio.

Na verdade, era questão de tempo para a etapa holandesa sair do papel. Quem tem acompanhado a F1 nesses últimos anos percebeu que o chamado exército laranja – a torcida de Max Verstappen – tem marcado presença em diversas provas.

Foi o comparecimento maciço do exército laranja que tornou o GP da Alemanha do ano passado um sucesso de público, fazendo com que Hockenheimring sediasse também a corrida de 2019. Antes, a pista recebia a F1 só a cada dois anos. E o GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, é outra rodada que tem se beneficiado dos fãs do titular da Red Bull para salvar suas contas.

Com a torcida laranja viajando pelo mundo para acompanhar seu piloto, os promotores holandeses perceberam a oportunidade e fecharem um acordo com a Liberty, dona da F1, para ter sua própria prova.

O único problema é a corrida deve acontecer em Zandvoort. Durante muitos anos, esse autódromo sediou o Masters de F3, uma competição criada em 1991 e patrocinada pela Marlboro, reunindo pilotos vindos das mais variadas F3, como a Inglesa, a Alemã e a Europeia. E todos eles concordavam em um ponto: é quase impossível ultrapassar por lá.

Zandvoort no calendário da F1

Como o anúncio oficial do GP da Holanda ainda não aconteceu, não dá para saber se o traçado passará por reformas. Mas, pelo sucesso do GP do Azerbaijão e pelas negociações com o Vietnã, a Liberty já indicou que está preocupada em ter pistas que permitam disputas emocionantes. Então, alguma obra no circuito pode acontecer.

E não vai ser muito complicado para o governo holandês conseguir o orçamento necessário para atender as exigências da F1. Nos últimos anos, o país tem tentado descentralizar seus pontos turísticos, tentando convencer os visitantes a irem a locais além de Amsterdã. Um deles é justamente a região de Zandvoort, área de praia no norte do país. Ou seja, promover a corrida também será uma forma de divulgar essa parte da Holanda.

Não que o GP vá precisar tanto assim de visitantes de outros países. Pelo sucesso que Verstappen vem fazendo, os próprios locais devem lotar a arquibancada.

Outras mudanças no calendário da F1

Há quem aponte que, se um dia o GP do Brasil – cujo contrato termina no fim de 2020 – deixar o calendário da F1, a melhor chance de voltar é o país ter um piloto capaz de lutar por vitórias, da mesma forma que acontece com o holandês da Red Bull.

Porque aí será uma situação em que todos saem ganhando. O governo vai concordar em gastar dinheiro público nas obras e na promoção da prova, pois sabe que o retorno financeiro compensará.

Só não há nenhum piloto brasileiro próximo da F1 por enquanto. Tanto Pietro Fittipaldi quanto Sergio Sette Câmara ainda não têm a superlicença – documento obrigatório para correr no principal campeonato do automobilismo mundial. Assim, ainda está longe o dia em que o país terá um representante lutando por vitórias e lotando autódromos.

Entretanto, um piloto brigando por bons resultados nem sempre é o suficiente para salvar um GP. Apesar do domínio recente de Sebastian Vettel, de Nico Rosberg e da Mercedes, o GP da Alemanha constantemente tem dado prejuízo, tanto que Nurburgring desistiu de recêbe-lo. Foi só a presença da torcida de Verstappen que tornou a prova em Hockenheimring financeiramente mais saudável.

E a mais tradicional das corridas, a da Inglaterra, também esteve ameaçada, mesmo com os títulos seguidos de Lewis Hamilton. Em 2017, os organizadores romperam o contrato com a F1, e a etapa deste ano é a última prevista no vínculo. Os britânicos esperam renegociar – pagando menos – para manter Silverstone na categoria, e, segundo a imprensa europeia, o acordo está próximo de acontecer.

Enquanto o GP da Holanda deve voltar à principal categoria do automobilismo, o da Espanha deve fazer o caminho contrário e deixar o calendário após 36 anos. No caso da corrida em Barcelona, o governo central parou de financiá-la, ainda mais por estar localizada na região da Catalunha, que tem buscado se separar do resto do país. E isso sem falar da aposentadoria de Fernando Alonso, que diminuiu o interesse pela etapa.

Como a prova espanhola é uma das mais tradicionais, ela não depende necessariamente de um piloto local fazendo sucesso para retornar. Revisões de prioridades dos governantes e novas eleições podem mudar esse necessário.

Mas, caso os espanhóis estejam esperando o surgimento de um Verstappen por lá para alavancar novamente o interesse pela F1, as notícias não são boas. Nas categorias menores, há um único piloto do país apontado como grande promessa: David Vidales, que acaba de fazer a transição para os monopostos após ser duas vezes vice-campeão mundial no kartismo.

O curioso desse jovem espanhol é que, apesar de ser apadrinhado por Alonso, ninguém sabe onde ele vai correr em 2019. As principais categorias de base já começaram – ou anunciaram seus inscritos -, e ele não faz parte de nenhuma delas.

Independentemente de onde for competir, nunca é bom apostar no sucesso de um único piloto para que o país volte a ser protagonista da F1. Porque, se ele não der certo, não há plano B.

image of orange army F1
O exército laranja, a torcida de Max Verstappen, é um dos principais responsáveis pela volta do GP da Holanda na F1 em 2020 – foto

 

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