foto do carro da Audi no DTM 2019

Pietro Fittipaldi no DTM 2019

Pietro Fittipaldi deve estar perto de algum tipo de recorde. Tendo assinado contrato para correr no DTM, em 2019, ele terá participado de alguma forma de cinco das maiores categorias do automobilismo mundial em menos de um ano e meio.

No ano passado, ele disputou etapas da Indy, da Super Formula (do Japão) e do WEC (Mundial de Endurance). Atualmente, é piloto de testes da Haas, na F1, ao mesmo tempo em que se prepara para estrear no certame alemão.

E olha que, no fim de 2017, a expectativa era que ele fosse correr na F2 no ano seguinte. A equipe britânica Fortec estava tão confiante no acerto com o brasileiro que chegou a figurar na lista de inscritos da categoria. Fittipaldi, no entanto, optou por rumar para os EUA, e a esquadra foi obrigada a desistir da empreitada.

Com todas essas mudanças de caminho na carreira, a crítica de que falta foco para o brasileiro é quase que inevitável.

Mas, ao menos no ano passado, não parecia ser esse o caso. Em 2018, o primeiro acordo que ele fechou foi o de participar de metade da temporada da Indy pela Dale Coyne. Os contratos com Super Formula e WEC vieram depois. Essas categorias estavam em segundo plano e eram uma forma de complementar o calendário. Tanto que, se houvesse choque de datas, as corridas nos EUA teriam preferência.

O problema é que Fittipaldi sofreu um grave acidente em sua estreia no Mundial de Endurance, no qual quebrou as duas pernas, e ficou afastado das pistas por quase meio ano, o que o obrigou a mudar o planejamento inicial.

Só que depois de se recuperar, ele não focou nenhuma dessas três categorias. Terminou seu vínculo com a Dale Coyne e definiu uma nova meta: queria fazer parte da F1. Tanto que fechou com a Haas para ser piloto de testes e do simulador da equipe.

Pietro Fittipaldi ainda pode ir para a F1?

Para ser titular na F1, é preciso um documento obrigatório chamado superlicença. Para emiti-lo, a FIA leva em conta o desempenho de um competidor nos últimos três anos e dá pontos para os resultados obtidos nesse período. É preciso de 40 desses pontos para correr na principal categoria do automobilismo mundial.

Segundo uma reportagem do site Projeto Motor, a FIA indicou que Fittipaldi tem 35 por causa do título da World Series em 2017. Ou seja, para obter a superlicença precisa de mais cinco.

Essa é a quantidade dada ao sexto colocado na temporada do DTM. Terminar tão alto na tabela é uma tarefa complicada para qualquer estreante, ainda mais para alguém que só agora, de última hora, foi confirmado no grid.

E, no caso do brasileiro, há mais um agravante. Até o ano passado, todos os carros no certame alemão eram inscritos pelas montadoras: Mercedes, Audi e BMW. Ou seja, não havia necessidade de as equipes irem atrás de patrocínio, e mecânicos, engenheiros e equipamentos eram fornecidos pelas próprias fabricantes.

Em 2019, por causa da saída da Mercedes, essa situação mudou, e o DTM passou a permitir equipes privadas. É o caso da WRT, time pelo qual Fittipaldi vai correr. De cara, essa escuderia tem um orçamento menor que as adversárias (porque não é 100% pago pela Audi), e ela é a única que está nessa situação.

Com essas dificuldades para somar os pontos que faltam é que a crítica da falta de foco do brasileiro em sua carreira passa a fazer sentido. Se o objetivo era estar na F1, para que disputar três campeonatos diferentes em 2018 e, mesmo antes da lesão, não ter chances de obter pontos na superlicença em nenhum deles por não fazer todas as etapas? 

E lembrando que os pontos na superlicença são válidos por três anos. Ou seja, se Fittipaldi não conseguir os cinco que faltam nesta temporada, os 35, por terem sido obtidos em 2017, vão expirar no fim do ano que vem.

Assim, pensando em F1, talvez seja mais fácil a Haas conseguir algum tipo de dispensa da superlicença para que o brasileiro eventualmente possa ser promovido ao posto de titular.

Nunca aconteceu de a FIA abrir mão desse requisito. Mas a equipe poderá argumentar que ele tem acumulado experiência em testes – tanto que participou da pré-temporada -, que já foi campeão da World Series e que passou por diversos torneios grandes. E faria todo o sentido caso a entidade concorde em liberá-lo para correr na principal categoria do automobilismo mundial.

imagem do carro da Audi em verde e amarelo
Layout do carro da Audi que será usado por Pietro Fittipaldi no DTM 2019 – fotos do post: audi/divulgação

 

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