Matheus Leist Indy Foyt

Por que quase não tem mais piloto brasileiro na Indy?

Brasil e Indy já foram praticamente sinônimos. No fim da década de 1990 e no começo dos anos 2000, a principal categoria americana de monopostos chegou a reunir uma dezena de competidores do país.

Hoje, a situação é bastante diferente. Na temporada 2019 da Indy, que começa neste fim de semana, são apenas dois os brasileiros no grid: Tony Kanaan e Matheus Leist, ambos da Foyt, considerada a pior equipe entre as que estão confirmadas para todas as etapas.

Mas por que o número de brasileiros na Indy diminuiu tanto?

Parte da resposta dá para descobrir na própria agenda deste fim de semana. Enquanto Kanaan e Leist são os únicos pilotos do país nos EUA, a Formula E corre em Hong Kong com quatro brasileiros: Lucas Di Grassi, Nelsinho Piquet, Felipe Massa e Felipe Nasr.

No auge do Brasil na Indy, era comum que os pilotos do país que não se firmassem na F1 mudassem o foco para os EUA. Foram os casos de Christian Fittipaldi, Roberto Pupo Moreno, Maurício Gugelmin e Tarso Marques, entre outros. Mas, agora, os da atual geração não têm o mesmo interesse pela categoria americana.

Piquet até chegou fazer carreira nos EUA, mas foi na Nascar. Di Grassi foi convidado para disputar uma corrida da Indy, não deu certo e nunca quis deixar o automobilismo europeu. Massa é um dos maiores críticos da categoria americana da atualidade, principalmente quanto à segurança, e Nasr foi especulado em um teste com a RLL, que até agora não saiu do papel.

Também aconteceu de o período em que esses pilotos deixaram a F1, principalmente os dois primeiros mais Bruno Senna, ter coincidido com o momento de vacas magras da Indy, que sofria com grid enfraquecido e cobertura esparsa (no Brasil mesmo, ela fica escondida no Bandsports na maior parte do ano). E também com o boom da Nascar.

Para completar, a Formula E foi criada e, por ter o estilo europeizado de competição, se tornou a opção preferida para quem saía da principal categoria do automobilismo mundial.

O segundo motivo é a falta de dinheiro. Como a Indy estava escondida na TV paga na maior parte do ano e contava com cada vez menos carros, não era um pacote bom para empresas investirem, seja patrocinando algum piloto, seja comprando espaço publicitário na transmissão televisiva, o que prejudicou a renovação da presença brasileira no grid. A retomada da categoria americana só aconteceu de dois ou três anos para cá.

E não é que só faltou interesse pelos EUA. Até houve bons pilotos do país passando pelos campeonatos de acesso. como Pipo Derani, André Negrão, Luiz Razia, Felipe Guimarães, Nicolas Costa, Victor Franzoni, entre outros. Só que, sem dinheiro para fazer diversas temporadas por lá, nenhum se firmou.

Novos pilotos na Indy 2019

E o terceiro motivo é que, mesmo nesse cenário negativo, nenhum brasileiro consolidado em outro campeonato jogou tudo para o alto e tentou a Indy. Faltou alguém como Robert Wickens, que pediu para ser liberado da Mercedes no DTM para se juntar ao time de Sam Schmidt, ou então como Felix Rosenqvist, dono de uma boa vaga na Mahindra, na Formula E, e que este ano correrá pela Ganassi. Isso sem falar em Fernando Alonso, que desenterrou o mito da Tríplice Coroa (vitórias no GP de Mônaco, nas 24 Horas de Le Mans e nas 500 Milhas de Indianápolis) após décadas em que ninguém buscou essa façanha.

Sem a chegada de novos nomes, por muitos anos Kanaan e Helio Castroneves foram os únicos representantes do país na categoria americana. Mas quando o brasileiro da Penske foi transferido para a Imsa, no começo do ano passado, o medo de o Brasil não ter um representante no campeonato de monopostos – nem na F1 – se tornou real.

Aí dá para entender por que houve pressa, inclusive da Band, para levar Leist, com apenas 19 anos na época, direto para a Indy em 2018. Mesmo que fosse pela pior equipe da categoria.

E é verdade que nos anos 1990 e 2000 havia representantes do país nas piores equipes. Mas com uma dezenas de brasileiros, eles tinham tempo para completar o desenvolvimento nas categorias de base e se firmar no campeonato principal. Nem todos vingaram, claro, mas para Kanaan, Castroneves e Cristiano da Matta, deu bastante certo.

André Ribeiro Honda Indy 1995 CART tasman
Diversas empresas brasileiras bancaram André Ribeiro na Indy em 1995 – foto: Morio, own work, CC BY-SA 3.0

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