Liam Lawson Toyota Racing Series 2019

O primeiro campeão de 2019

Se a Toyota Racing Series, categoria que acontece na Nova Zelândia em cinco fins de semana seguidos de janeiro e fevereiro, é conhecida por ser o primeiro campeonato do calendário, então seu vencedor é, portanto, o primeiro campeão do ano.

Em 2019, este posto é do neozelandês Liam Lawson. Completando 17 anos nesta segunda-feira, ele superou o compatriota Marcus Armstrong por apenas dez pontos para ficar com a taça.

Apesar de Lawson ter apresentado um ritmo um pouco mais forte que o adversário – principalmente nas provas disputadas com pista molhada – Armstrong deu a volta por cima, se destacando com boas largadas, e se manteve na briga até a etapa final, em Manfeild, sendo que as duas corridas decisivas foram marcadas por punições polêmicas.

A primeira aconteceu quando o representante da Academia da Ferrari tentava deixar Calan Williams para trás na prova com o grid invertido. Já a segunda foi em um duelo valendo a liderança na última corrida do ano contra Lawson. Em ambas Armstrong foi considerado culpado por forçar o adversário para fora da pista, recebendo cinco segundos de punição, o suficiente para que o título ficasse com seu compatriota.

Se Armstrong é mais conhecido por quem acompanha o esporte a motor por já fazer parte da Academia da Ferrari, Lawson está começando agora a ganhar destaque internacional. Ele foi bem em 2018 ao ficar com o vice-campeonato da F4 Alemã em sua primeira temporada na Europa e, desta vez, se tornou o primeiro campeão de 2019.

A primeira vez que ouvi falar nele foi no fim de 2017, na seletiva da bolsa do Road to Indy para correr na USF2000 na temporada seguinte. Lawson tinha sido o campeão da F-Ford da Nova Zelândia e se classificado para a disputa.

Lawson no Road to Indy

Fazer um texto sobre a seletiva do Road to Indy não tem muito segredo. Como o representante brasileiro é escolhido em uma corrida de kart, geralmente ele não tem muitas chances na seletiva, porque seus adversários costumam ser muito mais experientes. Então na hora de escrever o tema normalmente é sobre a necessidade de mudar a forma como o piloto do Brasil é selecionado e mostrar que os vencedores da bolsa já estão há anos no automobilismo.

Mas Lawson tinha 15 anos na época. Ou seja, caso ele ficasse com a vaga na USF2000, qualquer texto dizendo que somente competidores mais experientes têm chances perderia a credibilidade na hora.

Fazendo um parenteses, Lawson é um fenômeno. Ele é a exceção. Mesmo se o neozelandês tivesse vencido aquela seletiva, não mudaria que, por vir do kart, o representante brasileiro praticamente não tem chances e que experiência sempre ajuda nesse tipo de competição. O texto não ia estar errado, mas o timing para publicá-lo seria muito ruim.

Nesse contexto, sorte que o vencedor foi Keith Donegan, irlandês então com 20 anos de idade e que desde 2012 já militava nas pistas do Reino Unido.

Donegan teve uma passagem bastante complicada pela USF2000. De 2011 para cá, todos os campeões da categoria correram pela equipe Cape. Mas o irlandês, por algum motivo, fechou contrato com a ArmsUp, que não está entre as grandes do certame. Disputou as cinco primeiras provas por ela e depois se mudou para a BN.

A troca deu resultado, e o piloto europeu passou a figurar no top-5 constantemente, tendo obtido um pódio. No fim, sem chances de ser campeão – Kyle Kirkwood, da Cape, ganhou 12 das 14 corridas disputadas -, nem participou da última etapa em Portland.

Seria um exercício muito grande de adivinhação tentar dizer o que teria acontecido com Lawson, caso ele tivesse sido o vencedor da seletiva.

Mas é fato que a Indy e suas categorias de acesso o deixaram escapar. Se a escolha, há pouco mais de um ano, tivesse sido diferente, ele poderia estar fazendo carreira nos EUA, em vez de tentar chegar à F1.

Não que seja hora de buscar por culpados e dizer que os jurados do Road to Indy fizeram um péssimo trabalho em 2017 ao escolherem Donegan como o vencedor. Decisão ainda mais absurda levando em conta que Lawson é que foi o mais rápido entre os finalistas, não o irlandês.

O que precisa ser feito é analisar os erros cometidos no processo de dois anos atrás para que eles nunca mais aconteçam. Afinal, não adianta ter uma bolsa para jovens talentos se vai deixar passar os principais nomes.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da rodada decisiva da Toyota Racing Series, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.

Toyota Racing Series 2019
Liam Lawson lidera o pelotão da Toyota Racing Series 2019 – fotos: m2/divulgação

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