Caio Collet na academia da Renault

Se ainda restava alguma dúvida sobre compensar ou não fazer parte dos programas de jovens pilotos das equipes da F1, a última semana tratou de dar as respostas.

Depois de Mick Schumacher ter assinado com a Academia da Ferrari, foi a vez de Caio Collet, considerado o brasileiro mais promissor nas categorias de acesso, a fechar com a iniciativa da Renault.

Assim, o novo contratado da escuderia francesa se tornou o quarto representante do país a fazer parte dos programas de talentos da F1. Sergio Sette Câmara é piloto em desenvolvimento da McLaren, enquanto Enzo Fittipaldi e Gianluca Petecof são colegas de Schumacher em Maranello.

O acerto com a Renault é mais um passo para Collet rumo à F1. Agora, ele reúne apoio de uma equipe da categoria, tem a carreira gerenciada por Nicolas Todt (o mesmo de Felipe Massa e Charles Leclerc), considerado o principal empresário do certame, e um currículo pequeno, mas vitorioso – com o título da F4 Francesa e do Volant Winfield.

Neste ano, ele vai disputar a F-Renault Eurocup (que agora é uma F3) pela R-Ace, uma das equipes mais fortes da categoria – e a expectativa é que lute por pódios e vitórias.

Já a Renault também tem motivos para comemorar. Com os programas de jovens pilotos cada vez mais disseminados, é raro alguém tão promissor quanto o brasileiro ficar muito tempo sem contrato. E a montadora percebeu a oportunidade e reforçou sua academia, que também conta com Christian Lundgaard e Max Fewtrell, entre outros.

E, por fim, ainda é uma maneira de a empresa ganhar as notícias de uma forma positiva após a prisão do então CEO, Carlos Ghosn.

Pontos negativos da Renault

Mas também há pontos negativos nesse acordo. Em primeiro lugar, o programa da Renault é o menos eficiente entre os das grandes equipes da F1, tanto que é o único que ainda não levou nenhum competidor ao grid da principal categoria do automobilismo mundial.

Alguém até pode argumentar que um dos motivos para isso é ele ser o mais recente – a atual versão foi criada em 2016.

É verdade, mas o problema da montadora francesa é estrutural, não de tempo de existência. É que a Renault não tem nenhuma equipe satélite para colocar seus jovens. A Red Bull, por exemplo, conta com a Toro Rosso, enquanto a Ferrari tem uma vaga garantida na Sauber por causa do acordo de patrocínio da Alfa Romeo. E, apesar dos problemas recentes com Esteban Ocon, a Mercedes pôs seus pupilos em Manor, Sauber, Force India e Williams nas últimas temporadas.

Ou seja, para que um jovem piloto da Renault chegue à F1, ele vai precisar desbancar Daniel Ricciardo ou Nico Hulkenberg.

Outro ponto negativo é o número elevado de demissões. De 2016 para cá, a montadora francesa já dispensou oito de seus alunos – Oliver Rowland, o nono a ser cortado, também não conseguiu chegar à F1, mas foi reaproveitado pela Nissan na Formula E.

No mesmo período, foram cinco dispensas na Red Bull (contando Neil Verhagen, cuja demissão ainda não foi oficializada publicamente), duas na Academia da Ferrari, uma na McLaren (apesar das incertezas sobre o futuro de Nyck de Vries) e nenhuma na Mercedes.

Ou seja, sem espaço para jovens pilotos na F1 e mandando embora seus integrantes frequentemente, a atual academia da Renault pode por repetir outra crítica que já recebeu: o de só revelar competidores para as outras equipes.

Entre 2002 e 2011, em sua passagem anterior pela F1, a montadora já teve um programa de jovens talentos pelo qual passaram mais de 20 competidores. Mas não deu muito certo. Apenas Nelsinho Piquet, Heikki Kovalainen e Romain Grosjean foram promovidos ao time de fábrica.

Já as marcas adversárias têm aproveitado o investimento feitos pela fábrica francesa para descobrir talentos naquela época. Por exemplo, Robert Kubica venceu na F1 pela BMW, Lucas di Grassi foi campeão da Formula E pela Audi (na disputa justamente contra a Renault) e Pechito López levou a concorrente francesa Citroen ao tricampeonato do WTCC.

Resta saber se dessa vez a Renault vai conseguir aprender com os erros do passado e dar estabilidade para que seus pupilos consigam se firmar na principal categoria do automobilismo mundial.

Você pode clicar aqui para ver todos os integrantes da academia da Renault.

Caio Collet F4 Francesa 2018
Caio Collet foi o vencedor da F4 Francesa em 2018 – foto volant winfield/fgcom/divulgação

 

 

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