Dan Ticktum Red Bull Junior Team Asian F3 Winter Series

Dan Ticktum e a saga dos pontos da superlicença

Tem muita gente que ama odiar Dan Ticktum. E de certa forma essas pessoas têm razão.

O mais famoso dos atuais recrutas do Red Bull Junior Team concentra polêmicas por onde passou. A maior delas foi em 2015, quando disputava a MSA Formula (categoria que deu origem à atual F4 Inglesa). Em uma das corridas daquele ano, o britânico teve um verdadeiro ataque de fúria ao receber um toque de um adversário.

Com o safety-car acionado por causa do incidente, Ticktum voltou à pista, acelerou como se a corrida estivesse em bandeira verde, ultrapassou os demais carros e foi bater de propósito em quem tinha lhe tirado da prova.

Pelo lance, foi banido do esporte a motor por dois anos, mas acabou liberado para voltar a correr no fim de 2016.

Desde então, mesmo com o apoio da Red Bull, as polêmicas não diminuíram. No fim do ano passado, usou o Instagram antes das últimas etapas da F3 Euro para dizer que a organização do certame preferia que Mick Schumacher – e não ele – fosse o campeão, o que acabou acontecendo.

Criticado, Ticktum foi taxado como mau perdedor. Mas de fato há a suspeita no paddock da F3 que, para as etapas finais, o germânico tenha recebido um motor mais potente da Mercedes, o que não é necessariamente ilegal, e seu desempenho mudou da água para o vinho.

Como Ticktum dominou o GP de Macau de F3, disputado poucos meses depois, e Schumacher em momento algum esteve na briga pela vitória, a teoria do motor passou a fazer ainda mais sentido.

Os pontos da superlicença

Com o bicampeonato em Macau, o britânico do Red Bull Junior Team alcançou 35 dos 40 pontos necessários na superlicença, documento obrigatório para correr na F1. Faltam apenas cinco, portanto. Para obtê-los, Ticktum fechou com a equipe Hitech para disputar o campeonato de inverno da F3 Asiática, em janeiro e em fevereiro deste ano.

Mesmo antes de ter sua participação confirmada no torneio, o britânico já dizia que era o favorito para vencer e não acreditava que algum outro piloto poderia superá-lo. Mas sua estreia na categoria, no último fim de semana, foi um desastre, como ele mesmo disse.

Além de não ter ganhado nenhuma corrida, Ticktum ainda amargou um abandono (devido a toque com outro piloto), foi superado por Rinus Veekay, também da Hitech, em uma das baterias, acabou punido por ultrapassar o limites da pista, largou mal em praticamente todas as três provas do fim de semana e ainda nem sequer conseguiu ultrapassar o carro danificado de Ye Yifei, que estava vazando óleo, na última corrida da rodada. Resultado: é apenas o sexto colocado na tabela, com apenas 26 pontos, 39 a menos que Veekay, o líder.

Ticktum não conseguiu esconder a decepção com o desempenho ruim. Na entrevista após a última corrida, afirmou que teve “jogos de pneus de bosta” nas duas primeiras baterias do fim de semana. E, no pódio, nem ficou para comemorar com champanhe. Assim que o hino chinês – de Yifei – foi tocado, o britânico pegou o troféu recebido e se mandou. Nem precisa dizer que mais uma vez acabou criticado por quem ama odiá-lo.

Se de um lado Ticktum é um dos pilotos mais talentosos das categorias de acesso na atualidade, do outro ele já mostrou – inúmeras vezes – que não costuma pensar duas vezes antes de agir, principalmente quando os resultados não são da maneira como espera.

Mas, no caso dele, nem tudo está perdido. Há boas chances de conquistar os cinco pontos que faltam para a superlicença. Para obtê-los, o britânico nem sequer precisa ser campeão do torneio de inverno da F3 Asiática. Basta ser terceiro colocado que já é o suficiente. E quem ocupa essa posição na tabela no momento é Pavan Ravishankar, de Cingapura, que está apenas cinco pontos na frente do piloto do Red Bull Junior Team. Lembrando que a próxima etapa do certame é já neste fim de semana em Sepang, na Malásia.

Da mesma forma, bastaria terminar a Super Formula, categoria que vai disputar no resto do ano, entre os cinco primeiros ou obter um inédito tricampeonato seguido nas ruas de Macau, em novembro.

Mas é bom tentar liquidar a fatura logo. Afinal, Ticktum nem sequer pontuou nas duas provas que fez no Japão no ano passado, e ainda não há uma definição sobre o regulamento do GP de Macau de 2019, por causa do fim da F3 Euro. A tendência é que a prova seja disputada pela F3 (antiga GP3), com um equipamento que o britânico nunca guiou na vida.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da primeira etapa do campeonato de inverno da F3 Asiática, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no último fim de semana.

Dan Ticktum Ye Yifei Asian F3 Winter Series Buriram Chang
Dan Ticktum em disputa de posição com Ye Yifei na F3 Asiática

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