Eu me lembro até hoje de como comecei a acompanhar a Toyota Racing Series, considerada o primeiro campeonato do ano, por acontecer em janeiro e fevereiro. Foi em 2010. Por acaso cliquei num link da categoria e, para minha surpresa, descobri que tinha um brasileiro competindo – Lucas Foresti, hoje na Stock Car.

Na época, a TRS estava começando a se internacionalizar, e Foresti acabou chamado, pois ele era protegido do ex-F1 Roberto Pupo Moreno, que chegou a correr na Nova Zelândia no começo da década de 1980.

Só que, quando Foresti foi para a Oceania, o formato da Toyota Racing Series era um pouco diferente do atual. Eram quatro etapas ao longo de cinco fins de semana, mas com uma quinta e última rodada realizada meses depois, quando os competidores internacionais já tinham ido embora.

Ou seja, a chance de um neozelandês ser o grande vencedor era quase 100%. Mas não que a maioria precisasse dessa mãozinha. Naquele mesmo 2010, o campeão foi Mitch Evans, hoje piloto da Jaguar na Formula E. Nick Cassidy, atual vice da Super Formula, no Japão, também foi bi correndo em casa.

Mas, depois de Evans e Cassidy, mais nenhum kiwi foi campeão da Toyota Racing Series. Situação que deve mudar neste ano.

A temporada 2019 da TRS tem um quê de 2010, porque os principais nomes competindo são neozelandeses. O mais famoso é Marcus Armstrong, da Academia da Ferrari. Ele retorna à categoria para sua terceira campanha completa depois de, no ano passado, ter perdido o título na última volta. Na relargada decisiva do GP da Nova Zelândia, a última etapa do ano, o equipamento dele entrou em modo de segurança, de repente ficou devagar na reta e foi engolido pelo pelotão. Melhor para o russo Robert Shwartzman, que ficou com a taça.

Ou seja, Armstrong é o favorito para 2019, certo?

Só faltou combinar com Liam Lawson, de 16 anos. Atual vice-campeão da F4 Alemã, este neozelandês ganhou duas das três corridas da rodada de abertura da TRS, em Highlands, neste fim de semana. Em uma delas, com direito a ultrapassagem por fora em Armstrong (assista o vídeo mais abaixo). Com as três primeiras corridas disputadas, ele soma 199 pontos, cinco a mais que o experiente compatriota.

Big Three da Toyota Racing Series 2019

O outro nome de destaque é Lucas Auer, sobrinho de Gerhard Berger e que nos últimos quatro anos esteve no DTM. Com a saída da Mercedes do certame alemão, o austríaco foi puxado pelo Red Bull Junior Team e retornará aos monopostos em 2019, competindo na Super Formula.

E, para acelerar o processo de adaptação aos carros de fórmula, Auer fechou para correr na TRS, como uma espécie de intensivão. Afinal, são 15 corridas em pouco mais de um mês – mais que o dobro das sete provas da Super Formula ao longo do ano.

Lucas Auer Toyota Racing Series 2019
Lucas Auer na Toyota Racing Series 2019 – fotos do post: m2/divulgação

Curiosamente, Auer já tinha tomado parte da Toyota Racing Series antes, em 2012 e 2013, período em que conquistou duas vitórias.

Neste retorno, ele já mostrou que continua rápido, obtendo a pole-position para a terceira bateria em Highlands. Na prova, disputada com pista secando, não conseguiu acompanhar o ritmo dos dois neozelandeses, terminando em quarto.

O grid

Entre os demais competidores, o principal nome é de Raoul Hyman, sul-africano campeão da F3 Asiática em 2018. Na rodada de abertura, ele obteve uma pole e dois pódios.

Esteban Muth, belga que correu contra Caio Collet na F4 Francesa, recebeu a bandeira quadriculada na frente na segunda corrida de Highlands, mas acabou punido em 5s por queimar a largada.

Promovido ao primeiro posto foi Brendon Leitch, neozelandês veterano da TRS e que costuma ganhar em média uma corrida por ano nos campeonatos que disputa.

Há, ainda, a presença de Cameron Das, em sua segunda visita à Nova Zelândia, e de Kazuto Kotaka, protegido da Toyota no Japão. Petr Ptacek, rival de Gianluca Petecof na última temporada da F4 Italiana, e Artem Petrov, da F3 Euro, completam o time de estrangeiros mais conhecidos.

Neste ano, são 16 competidores tomando parte da categoria – e você pode clicar aqui para ver o grid completo. É um aumento com relação ao ano passado, quando 13 pilotos estiveram na TRS.

É que a Toyota neozelandesa – que assumiu a organização do certame em 2018 – destinou maior investimento em atrair novos pilotos, por isso o grid cresceu, principalmente com gente vinda da vizinha Austrália e dos EUA.

O crescimento pode parecer pouco, afinal a média da TRS, desde que a categoria começou a se internacionalizar lá em 2010, é de 19 pilotos por ano. Mas é preciso levar em conta que agora ela enfrenta a concorrência do campeonato de inverno da F3 Asiática e da F4 dos Emirados Árabes, categorias onde os competidores têm à disposição o mesmo equipamento que vão usar na Europa no meses seguintes.

No entanto, o trunfo da TRS é, ao menos por enquanto, ser um pacote melhor ao oferecer 15 corridas em 5 fins de semana seguido no sistema arrive and drive, em que os pilotos não precisam se preocupar com a logística em momento algum. F3 Asiática e F4 dos Emirados Árabes têm intervalos de quase um mês entre etapas. Não é por acaso que a primeira teve 12 pilotos na rodada de abertura na Tailândia, enquanto a segunda levou apenas dez competidores a Dubai.

Mas é bom a organização da Toyota Racing Series não se acomodar. O perigo de nos próximos anos voltar a ter um grid enxuto é real.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da rodada de abertura da Toyota Racing Series, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no último fim de semana.