Os melhores de 2018

Às vezes a gente nem tem tempo para respirar direito. Hoje estou escrevendo este post sobre os pilotos que mais se destacaram nos últimos 12 meses, mas amanhã já estará na hora de virar a chave para 2019 e pensar na Agenda da velocidade do fim de semana.

Como todos os anos costumo colocar aqui no World of Motorsport os competidores que sobressaíram no esporte a motor, dessa vez há duas mudanças nas categorias: os prêmios de “revelação do ano” e de “surpresa do ano” foram fundidos em um só, dado a quem não estava entre os favoritos no começo do campeonato, mas terminou o ano como uma das estrelas.

Para compensar, foi criado o prêmio de “melhor piloto do ano em categoria de acesso”.

A outra é o fim do “melhor piloto do ano”. É muito difícil medir o que alguém precisa fazer em outro campeonato para ser eleito no lugar de um nome vindo da F1. Por exemplo, falando em 2017, como comparar Martin Truex Jr, que levou a equipe Furniture Row (então pouco conhecida) ao título da Nascar com o tetracampeonato de Lewis Hamilton? Para não precisar avaliar universos tão diferentes, a partir de agora, são seis categorias distintas abrangendo certames mais parecidos entre si.

Lembrando que em cada prêmio há dois vencedores: o piloto que mais se destacou no mundo (podendo ser brasileiro ou não) e um representante do Brasil ou que correu por aqui durante o ano.

Vamos aos premiados:

Revelação/surpresa do ano: Joey Logano. Em uma temporada em que a Nascar foi dominada por Kevin Harvick, Kyle Busch e Martin Truex Jr, vencedores de 20 das 36 etapas, foi o piloto da Penske que conquistou o título. Logano garantiu vaga na decisão, em Homestead-Miami, ao dar um toquinho, na última curva de Martinsville, em Truex. Na grande final, uma bandeira amarela na parte final da prova, reagrupou o pelotão e permitiu o piloto da Penske ultrapassar Truex para garantir a taça. Menções honrosas a Nikita Mazepin, com maior número de triunfos no ano na GP3, e a Brett Moffitt, campeão da Nascar Truck Series pela mediana Hattori.

Joey Logano Ford

No Brasil: Enzo Fittipaldi. Em seus dois primeiros anos no automobilismo europeu, o neto de Emerson Fittipaldi teve um desempenho bem abaixo do esperado, com um único pódio obtido. Tudo mudou em 2018. Se tornou um habitué do top-3 na F4 Alemã, onde ganhou uma vez, e foi campeão da F4 Italiana, com sete vitórias.


Piloto de turismo de 2018: Scott McLaughlin. No ano passado, só um desastre lhe tiraria o título da Supercars, da Austrália. Afinal, para ficar com a taça, bastava chegar em 11º na última corrida do ano, em Newcastle. Três punições depois – duas por ele causar acidentes e outra por excesso de velocidade nos boxes -, e o título passou para Jamie Whincup. Em 2018, os fantasmas de Newcastle voltaram a assombrar o piloto da Penske. Na primeira bateria do fim de semana decisivo, McLaughlin ficou sem combustível na última volta. Cruzou a linha de chegada em segundo, mas, com o triunfo, Shane Van Gisbergen disparou na tabela. A sorte mudou no domingo. O piloto da Red Bull perdeu a vitória obtida no dia anterior por uma infração da equipe nos pits, e McLaughlin não cometeu erros na prova final, chegando em segundo. O suficiente para enfim ser campeão, após vencer nove vezes ao longo do ano. Menção especial para René Rast, vice do DTM, tendo chegado em primeiro nas últimas seis corridas do ano – um recorde na categoria.

McLaughlin_2018_Newcastle_500
Scott McLaughlin em Newcastle – foto: Kytabu – own work, CC BY-SA 4.0

No Brasil: Daniel Serra. Neste ano, o piloto da RC ganhou só duas vezes na Stock Car. Uma na Corrida de Duplas e a outra na prova com o grid invertido no Velopark. Apesar da temporada sem brilhos, apostou na consistência para superar Felipe Fraga (três primeiros lugares) e Átila Abreu (quatro).


Piloto de sportscar (endurance, GT ou protótipos): Colin Braun. Na Imsa, ele correu em um Oreca sem apoio de fábrica. Seu parceiro, Jon Bennett, é um gentleman driver dono da equipe e, por ser amador, é um dos mais lentos da categoria. E o BoP em momento algum favorecia os carros da LMP2 contra os DPi. Levando tudo isso em conta, quais as chances de Braun e Bennett pensarem em lutar pelo campeonato? Com vitórias em Mosport e em Road America, eles não só brigaram pela taça como foram derrotados apenas nos minutos finais da prova decisiva, a Petit Le Mans, porque precisaram fazer uma parada a mais para colocar combustível – lembrando que a autonomia dos DPi era maior que dos LMP2.

Oreca media - Colin Braun

No Brasil: Felipe Nasr. O brasileiro foi campeão da Imsa, mas não brilhou. Mesmo correndo pela Action Express, com apoio de fábrica da GM, venceu uma única vez no ano e parecia que o título ia embora até o carro da Core ter feito a parada extra na Petit Le Mans. Na ELMS, onde também competiu, só uma vez terminou entre os dez primeiros. Mas Nasr nunca foi parte do problema – ele era a solução. Levando em conta todas as voltas completadas na Imsa em 2018, o brasileiro foi o piloto mais rápido do grid. Em 2019, ele terá Pipo Derani (o terceiro mais veloz) como parceiro, e a expectativa é de que lutem mais frequentemente por vitórias.


Melhor kartista de 2018: Gabriele Mini. Vice-campeão europeu e mundial na divisão OKJunior, este italiano de 13 anos de idade é apontado como uma das futuras promessas do esporte a motor no mundo. Tanto que, no fim do ano, assinou para ter como empresário Nicolas Todt, o mesmo de Felipe Massa, Charles Leclerc, Caio Collet e Daniil Kvyat.

No Brasil: Gabriel Bortoleto. Se Mini foi vice nas duas principais competições do kartismo internacional, o brasileiro não fez feio e veio logo atrás, terminando em terceiro em ambos os torneios. Para o ano que vem, ele vai disputar a divisão OK, o último passo antes do kartismo, pela equipe de fábrica da CRG (a mesma que teve Max Verstappen há alguns anos). Também vale destacar Guilherme Figueiredo, que lutou pelo título do Troféu Academia, da FIA.


Melhor piloto de categorias de acesso: Dan Ticktum. O principal problema deste britânico é não pensar antes de agir. Em 2015, ele foi banido do automobilismo por dois anos, pois, após um toque com outro piloto, acelerou com tudo, mesmo com o safety-car na pista, para dar o troco (payback) no adversário. Só voltou a correr em 2017, quando assinou com o Red Bull Junior Team, vencendo o tradicional GP de Macau de F3, no fim do ano passado, em sua primeira corrida na modalidade. Neste ano, Titcktum voltou a causar polêmica ao usar as redes sociais para dizer que estava sendo prejudicado na luta pelo título da F3 Euro. Afinal, queriam que Mick Schumacher fosse o campeão. A suspeita do paddock é que de fato o alemão tenha recebido um motor mais potente – não necessariamente ilegal – para as etapas finais, quando largou na pole e venceu a maior parte das corridas. Macau só mostrou que as suspeitas eram válidas. Schumacher mal apareceu – foi o quinto – e Ticktum dominou o fim de semana para levar o bicampeonato.

Dan Ticktum

No Brasil: Felipe Drugovich. O piloto de Maringá disputou 22 corridas em 2018, vencendo 16 delas, sendo campeão do MRF Challenge e da Euroformula Open. O único porém é que a qualidade do grid dessa última era bem menor que de outros certames, como F-Renault Eurocup, GP3 ou F3 Euro. No ano que vem, a expectativa é ver se o brasileiro vai seguir dominante em certames mais competitivos.


Melhor piloto de monopostos de 2018: Lewis Hamilton. O GP da Alemanha foi um divisor de águas na última temporada da F1. Enquanto Sebastian Vettel jogou fora uma vitória fácil ao bater quando a chuva apertou em Hockenheimring, o britânico da Mercedes iniciou uma sequência de oito triunfos nas últimas 11 corridas rumo ao penta, incluindo em circuitos considerados ponto fraco da Mercedes, como Hungaroring e Cingapura. O alemão, por outro lado, jamais se recuperou e ainda se envolvendo em toques e rodadas na Itália, Japão e Estados Unidos. Jean-Éric Vergne também merece destaque por obter seu primeiro título desde que deixou a F1, andando por uma das menores equipes da Formula E.

M180975

No Brasil: Lucas Di Grassi. Se não fosse uma sequência de quatro corridas sem pontuar no começo da temporada, o brasileiro poderia ter disputado a taça da Formula E contra Vergne. Afinal, nas últimas sete provas, foram duas vitórias e cinco segundos lugares.

Leia outros textos do especial de fim de ano:
> 9 anos de World of Motorsport
> As vitórias do Brasil em 2018
5 jovens promessas para ficar de olho em 2019
Quiz Autosport 2018
2018 World of Motorsport Rookie of the Year

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