Mal na Ferrari, bem na Mercedes

Se você perguntar qual foi o melhor piloto de carros GT em 2018, a minha resposta será Raffaele Marciello.

Aos 23 anos de idade, o piloto italiano foi vice-campeão da Blancpain Endurance Series, campeão da Sprint Series e, consequentemente, também vencedor na classificação geral. Triunfou nas 10 Horas de Suzuka e só não chegou na frente em Bathurst porque a corrida foi encerrada antes da hora com bandeira vermelha – o primeiro colocado ainda ia precisar parar nos boxes para um último reabastecimento.

Com essas conquistas, dá para dizer que Marciello se tornou um dos principais nomes da Mercedes na modalidade.

No entanto, o mais curioso é que ele teve a maior parte de sua carreira paga pela Ferrari, uma das principais rivais da Mercedes no esporte a motor na atualidade.

E por que Marciello saiu da Ferrari e foi parar na Mercedes? Dá para dizer que essa é uma das grandes críticas aos programas de jovens pilotos das escuderias de F1. Essas iniciativas são tão centradas na principal categoria do automobilismo mundial, que praticamente não aproveitam seus jovens – em quem investiram milhões – em outros campeonatos.

Não é um caso isolado a Academia da Ferrari, da qual Marciello fez parte de 2010 a 2015, nem sequer ter cogitado colocar o italiano em alguma equipe cliente no GT ou no endurance. Praticamente nenhum programa oferece opções para seus pupilos fora da F1.

São dois casos recentes as exceções: António Félix da Costa foi bancado pela Red Bull no DTM após perder a vaga na Toro Rosso, em 2014, para Daniil Kvyat, e Ben Barnicoat defende a McLaren nos carros GT, desde o ano passado, sem jamais ter chegado perto do time de F1 da escuderia.

Quando Marciello foi campeão da F3 Euro, em 2013, a expectativa era que desembarcasse na GP2, como a F2 era chamada, lutando pelo título contra Stoffel Vandoorne, outro jovem badalado da época. No entanto, enquanto o belga foi vice e ficou com o título nas duas temporadas seguintes, o italiano não engrenou, venceu uma única vez no mesmo período e teve o sétimo lugar na tabela de pontos como seu melhor resultado final. Também não ajudava ele ser um dos mais altos do grid em uma época que peso e altura são levados em conta na hora de assinar contrato nos monopostos.

Assim, no fim de 2015 acabou demitido da Academia da Ferrari ao brigar com Maurizio Arrivabene, chefe da escuderia de Maranello. Ainda disputou mais uma temporada da GP2, antes de assinar com a Mercedes para andar na Blancpain.

É claro que naquela época a montadora italiana não tinha uma bola de cristal para saber que Marciello se tornaria um dos principais pilotos de GT do mundo.

Mas já tinha informações necessárias para saber que seu pupilo era promissor e, mesmo longe da F1, poderia conquistar bons resultados. Em vez de mandá-lo embora, dava para tê-lo colocado longe de Arrivabene, seja na Blancpain, onde a Ferrari tem suas equipes clientes, seja no TCR, categoria que conta com carros da Alfa Romeo, da FCA.

Qualquer um desses caminhos certamente era melhor que ver seu antigo piloto vencendo provas importantes e sendo campeão pela rival.

 

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s