Por que dizem que a Formula E não devia correr na Arábia Saudita?

É com uma boa dose de polêmica que a Formula E vai começar sua quinta temporada, neste sábado, dia 15, na Arábia Saudita.

E olha que esse era o momento em que a categoria queria destaque por tudo o que está acontecendo na pista. Afinal, vai estrear um novo equipamento com bateria suficiente para fazer toda a corrida – aposentando os pit-stops para troca de carros -, terá uma versão espetacularizada do push to pass, chamada de attack mode, e viu a chegada de mais pilotos com passagem recente pela F1, como Felipe Massa, Stoffel Vandoorne e Pascal Werhlein.

Mas esse também é o momento em que a categoria de carros elétricos vai correr em um país que está sendo bastante criticado em todo o mundo.

O motivo é a perseguição do governo do príncipe Mohammed bin Salman (ou MBS, como também é conhecido), que de fato controla o país, a seus opositores. Entre eles o jornalista Jamal Khashoggi, que foi morto dentro de um consulado saudita na Turquia, país onde ia se casar.

Quando MBS assumiu o poder, há dois anos, prometeu reformas profundas na sociedade saudita, como uma forma de modernizar o país e atrair investimentos.

As medidas são chamadas de Visão 2030. Além de melhorias na infraestrutura e ênfase na promoção do país – daí o interesse em receber a abertura da Formula E -, está a permissão para que mulheres sauditas possam dirigir carros, o que antes era proibido.

Não é por acaso que no domingo, logo após a primeira etapa da temporada, a Formula E vai realizar um teste coletivo no circuito de Ad Diriyah, e as equipes poderão andar com um segundo carro, caso ele seja pilotado por uma mulher. Até agora, mais de dez pilotas já estão confirmadas para a atividade.

O problema é que ao mesmo tempo em que tenta passar a imagem de país em evolução com a Visão 2030, o governo de MBS tem perseguido seus opositores. Segundo reportagens publicadas em diversos jornais e sites do ocidente, ativistas contrários ao governo, mesmo os que moravam fora da Arábia Saudita, foram presos, com acusações frágeis, parco direito à defesa e muitas vezes permanecem incomunicáveis, levantando dúvidas sobre se eles estão vivos.

E o caso de Khashoggi foi o que ganhou mais destaque deste lado do planeta. Ele era um jornalista saudita, bastante crítico ao governo do país, mas que não tinha grandes problemas com quando os antecessores de MBS estavam no poder.

Nos últimos anos, para evitar a perseguição, se mudou para os EUA. No entanto, para se casar com uma mulher nascida na Turquia, ele precisava de documentos do consulado saudita no país Europeu. Jamais foi visto depois que entrou no edifício.

O governo saudita, em um primeiro momento, afirmou que ele tinha ido embora sozinho do consulado. No entanto, investigações turcas mostraram que Khashoggi foi assassinado dentro do prédio – e as autoridades sauditas negaram qualquer tipo de envolvimento.

As investigações, posteriores, mostraram que funcionários do país asiático estavam envolvidos no assassinato, e, segundo os EUA, a ordem teria partido do próprio MBS.

Pela etapa da Formula E ser uma forma de promoção da Arábia Saudita sem qualquer crítica ao governo autoritário, houve quem defendesse que a organização da categoria cancelasse a etapa, mas ela vai ocorrer normalmente nestes sábado. É uma maneira de a Formula E seguir a F1 e mostrar que não está preocupada com acusações feitas a quem a está pagando.

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