Sergio Sette Câmara na McLaren na F1 2019

Depois de pouco mais de um ano, o Brasil volta a ter um representante na F1. É Sergio Sette Câmara, que foi anunciado como piloto de testes e em desenvolvimento da McLaren, nesta terça-feira, dia 6.

Mas o que quer dizer ser piloto de testes e em desenvolvimento?

Em uma época em que praticamente não há treinos privados – as equipes têm menos de dez dias de pré-temporada e pouquíssimas atividades coletivas ao longo do ano -, significa que Sette Câmara terá acesso ao simulador do time britânico e viverá o dia a dia de trabalho da escuderia, uma oportunidade de aprender como funciona a F1.

Como, por acordo com a FIA, os times precisam colocar um jovem piloto em metade dos testes coletivos ao longo do ano (normalmente realizados na terça e quarta após alguns GPs), é provável que Sette Câmara conduza o carro da McLaren de 2019 nessas atividades.

Mas tomar parte desses treinos não significa que ele está mais próximo de um dia ser titular da F1. Esse é um trabalho similar ao de Nicolas Latifi na Force India e de Sean Gelael na Toro Rosso, ambos adversários do brasileiro na F2. E as chances de esses dois competidores um dia serem promovidos a titular são praticamente nulas.

SETTE CÂMARA PODE SER TITULAR NA F1?

Neste momento, a resposta para essa pergunta é não. Para competir na principal categoria do automobilismo mundial, um piloto precisa da superlicença. Para obtê-la, é necessário somar 40 pontos nas categorias de acesso no período de três anos. Sette Câmara não tem nenhum.

Em 2018, ele ocupa a sexta colocação na F2, posição que lhe daria dez desses pontos. E está na briga pelo quinto lugar no campeonato. Caso supere o russo Artem Markelov na última etapa da temporada, em Abu Dhabi, o quinto lugar leva 20 pontos na licença.

Ou seja, se quiser um dia chegar à F1, Sette Câmara precisará retornar à F2 no ano que vem e novamente terminar entre os quatro ou cinco primeiros ou então ir para outro campeonato que também distribua esses pontos em grandes quantidades (como a Indy e a principal divisão do WEC)

Em uma entrevista em setembro deste ano, o brasileiro afirmou que ainda não está garantido que ele correrá pela Carlin mais uma vez em 2019. Independentemente dessa declaração, a tendência é continue na categoria de acesso para lutar pelo título.

Caso conquiste os 40 pontos da superlicença, estaria na hora de pensar na F1. O mais provável seria o brasileiro substituir Carlos Sainz Jr na McLaren. No entanto, o espanhol assinou contrato válido por várias temporadas (sem duração especificada) a começar em 2019.

Lando Norris, que substituirá Stoffel Vandoorne a partir do ano que vem, não tem seu posto ameaçado, uma vez que ele é um dos pilares da reformulação pela qual passa a escuderia inglesa.

Nesse cenário, em uma eventual disputa pelo carro de Sainz, Sette Câmara teria a vantagem de ser apoiado pela Petrobras, patrocinadora da equipe britânica, e de ter um bom relacionamento com Norris, já que os dois são companheiros na Carlin, neste ano na F2, e trocam cumprimentos e elogios em entrevistas e em redes sociais.

O lado negativo é que Sette Câmara já teve passagem por uma equipe de F1 antes – fez parte do Red Bull Junior Team em 2016 – e fracassou. Na época, a expectativa era que lutasse por vitórias e por títulos na F3 Euro, mas terminou o ano em 11º na tabela de pontos, com somente dois pódios – em que pese as constantes punições que sofreu e lhe custaram ao menos três poles perdidas. Também seria um novato na principal categoria do automobilismo mundial, com todo o processo de aprendizagem.

Assim, fica a questão se em 2019 ele vai conseguir lidar com a pressão de voltar a fazer parte de um time da F1 e precisar lutar pelo título para garantir o futuro de sua carreira.

Em tempo: nada impede que ele use o que aprender na McLaren no ano que vem e busque uma vaga em outra equipe, caso obtenha a superlicença. Foi o que Felipe Nasr fez em 2014. Era reserva da Williams, mas estreou na F1, no ano seguinte, pela Sauber.

Foto:  james gasperotti/quick comunicação/divulgação

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