A recuperação de Tiago Monteiro

A transmissão brasileira da F1, no começo dos anos 2000, não perdia a oportunidade de fazer piada com Tiago Monteiro. É que seu outro sobrenome, Vagaroso, não combinava muito com a profissão de piloto de corridas.

Se o português não teve muita sorte na principal categoria do automobilismo mundial, tendo andado em alguma das piores equipes do grid, no WTCC, onde compete desde 2007, ele se tornou um dos principais concorrentes, tendo defendido os times de fábrica da Seat e da Honda.

Sua melhor chance de título foi no ano passado, na primeira temporada após a saída da Citroen. O luso estava na luta para ser campeão até que sofreu um grave acidente enquanto participava de um teste da Honda, em setembro, em Barcelona.

Como a batida aconteceu em um treinamento privado, não havia câmeras filmando e, portanto, não viralizou. Mas não se engane. Foi um dos acidentes mais fortes que aconteceram recentemente.

Tanto que o piloto só vai voltar a competir no fim deste mês, após um ano e dois meses de recuperação, na etapa de Suzuka do WTCR. É uma espécie de teste, já que o luso só deve retornar às pistas em tempo integral no ano que vem.

Sua vida desde o acidente foi bastante complicada. Em entrevista ao site da FIA, Monteiro deu detalhes do processo de reabilitação. Os primeiros quatro meses foram em uma UTI, por causa de lesões na cabeça e na coluna. Depois que recebeu alta, passou mais um mês sem poder se mexer. Como seus olhos também tinham sido atingidos na pancada, era proibido até mesmo ler ou ver televisão.

Quando começou a recuperar os movimentos, Monteiro começou o tratamento em uma câmara hiperbárica, na qual, ao longo de um mês, respirava oxigênio puro duas horas por dia. Ao mesmo tempo, passava por terapia com ozônio, em que o sangue era pouco a pouco retirado do corpo do piloto, misturado com o gás, e colocado de volta.

Isso sem falar em práticas mais comuns como consultas com quiropratas e fisioterapeutas.

Ele precisou até mesmo receber quatro injeções de botox nos olhos, para recuperar os movimentos de um dos nervos, que havia sido danificado por causa do acidente.

Apesar de o tratamento em si ter terminado no começo deste ano, Monteiro foi impedido de voltar às pistas por causa da preocupação dos médicos com uma nova lesão na cabeça, além, até então, não ter recuperado a visão completamente.

Assim, o piloto ficou limitado apenas a alguns testes com o Honda do WTCR, tendo sido substituído pelo jovem belga Benjamin Lessennes e por Ma Qing Hua, que chegou a passar pela F1 como piloto de testes.

Agora, totalmente recuperado e liberado pelos médicos, ele está pronto para fazer o retorno às competições. E, aos 42 anos, dá para dizer que ainda está jovem. Afinal, a luta pelo título do WTCR 2018 envolve Gabriele Tarquini, de 56, e Yvan Muller, de 49.

 

 

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3 comentários sobre “A recuperação de Tiago Monteiro

  1. Eu tinha ouvido falar da pancada que o Monteiro tinha dado no teste, mas nao sabia que tinha sido tao grave assim. São raras as vezes que pilotos de turismo se machucam com tal gravidade.
    Tem algum relato do que aconteceu nesse acidente?

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