Ao menos um piloto júnior da Mercedes está garantido na temporada 2019 da F1. É George Russell, atual líder da F2, que acertou com a Williams. O britânico deve substituir Lance Stroll, quando o canadense se transferir para a Force India, recém-adquirida por seu pai.

Enquanto o futuro de Russell está a salvo, ainda há poucas informações sobre o que acontecerá com Esteban Ocon, o outro piloto júnior da Mercedes.

Com a ida de Stroll para a Force India, e fracassos em negociações com Renault e McLaren, o francês deverá perder a vaga na principal categoria do automobilismo mundial.

Então por que a Mercedes não colocou Ocon – considerado um dos nomes mais promissores do campeonato – na Williams em vez de promover Russell?

Dá para resumir a resposta dizendo que Toto Wolff, chefe da Mercedes, pensa que Ocon é bom demais para a Williams. Como o time britânico é o pior do grid em 2018, correr para ele seria considerado um passo atrás para o francês, que poderia até mesmo queimar sua carreira, caso brigasse todos os fins de semana pelas últimas posições.

Russell não sofre do mesmo problema, pois será um novato. Ou seja, tudo o que ele fizer de bom será considerado lucro, enquanto enfrentar maus momentos já é esperado para um estreante.

Basta ver que os diversos erros cometidos por Charles Leclerc nas primeiras corridas deste ano não o queimaram na Sauber. Pelo contrário, o monegasco, após dar a volta por cima e pontuar com frequência, foi promovido para a Ferrari.

Enquanto isso, sem a vaga na Williams, Ocon deverá ser anunciado como reserva da Mercedes.

O problema é que o mercado de pilotos da F1 2020 também não deve ser muito favorável para ele. Como já foi vetado por equipes como Toro Rosso e McLaren por sua ligação com a Mercedes, a menos que essas escuderias mudem de ideia, Ocon não terá espaço nelas.

Restaria a Mercedes, caso Valtteri Bottas seja demitido, ou a Force India, se Sergio Pérez for embora. Outra opções são mais improváveis. Envolveriam, por exemplo, a Sauber perder o patrocínio da Alfa Romeo, que hoje permite à Ferrari indicar um de seus pilotos para a esquadra.

E, além da falta de vagas no mercado, há outro risco para Ocon: o de Russell brilhar no ano que vem. Se o britânico tiver na Williams um desempenho similar ao que Leclerc vem tendo na Sauber, como a Mercedes vai justificar preferir trazer o francês de volta em vez de promover o britânico?

É por isso que, na maior parte das vezes, mais vale correr com um carro ruim que assistir a tudo pela televisão.