Quando Alain Prost quase correu na Indy

Em uma famosa foto tirada no GP de Portugal de 1986, Ayrton Senna, Alain Prost, Nigel Mansell e Nelson Piquet estão tranquilos, sentados na mureta dos boxes.

O quarteto fez parte da época de ouro da F1 e conquistou todos os títulos da categoria de 1985 a 1993 – e ao todo foram 11.

Em comum, os quatro também ficaram de olho em ir para a Indy, nos EUA, em algum momento de suas carreiras.

Deste lado do oceano Atlântico, Mansell foi quem teve mais sucesso, conquistando o título de 1993 pela Newman-Haas, além de cinco vitórias.

Piquet sofreu um grave acidente nos treinos para as 500 Milhas de Indianápolis de 1992, com lesões nos pés e na perna, mas voltou no ano seguinte para enfim tentar completar a prova.

E Senna participou de apenas um teste, pela Penske, no fim de 1992, quando negociava a renovação de contrato com a McLaren. Na época, o tricampeão não escondia a vontade de se transferir para a Williams, que tinha o melhor equipamento, e não via muito futuro em permanecer no time de Ron Dennis.

Só que não havia vaga para ele na escuderia de Frank Williams, e o teste nos EUA serviu para pressionar a McLaren a assinar um contrato com cláusulas favoráveis ao brasileiro.

O que era pouco conhecido até agora é que Prost também flertou com uma ida para a Indy. Foi em 1992, quando tirou um ano sabático da F1, antes de retornar à Williams para a conquista do tetracampeonato.

Segundo uma reportagem publicada pelo jornal americano Free Press, de Detroit, a Newman-Haas considerou contratar o maior rival de Senna para substituir, em Belle Isle, Mario Andretti, que havia se lesionado em Indianápolis. (leia a matéria mais abaixo).

Ela tinha sido escrita em 1992 pelo jornal de Detroit, e o print apareceu nesta semana, nas redes sociais, postado pelo jornalista Jeroen Demmendaal.

Segundo o jornal, o problema para Prost ir para os EUA era o contrato que ele tinha com uma emissora francesa para comentar a F1. Apesar de não haver choque de data entre as duas categorias no fim de semana da Indy em Detroit, o canal de TV não ficaria muito contente em ver sua estrela em um campeonato concorrente e com riscos de se acidentar.

Pensando em uma eventual negativa do futuro tetracampeão, a Newman-Haas trabalhava com outros nomes, incluindo o holandês Arie Luyendyk e o italiano Teo Fabi.

Como as tratativas com Prost não avançavam, e a corrida de Detroit se aproximava, Luyendyk até chegou a fazer o molde do banco, mas acabou descartado por ser considerado alto demais. Assim, foi Fabi quem assumiu o equipamento.

Com passagem pela F1 no começo da década de 1980, o veterano italiano não fez feio e terminou a corrida com a sexta colocação. O vencedor foi Bobby Rahal, que viria a ser campeão no fim daquele ano.

Quanto a Prost, seu posto de comentarista da TV francesa durou uma só temporada. No fim de 1992, acertou com a Williams para voltar à F1 no ano seguinte, garantindo seu quarto título mundial. O resto é história, como dizem.

foto: StuSeeger – source: flickr, CC BY 2.0, link

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