Quem não consegue ir embora de Faenza

Cerca de um ano após ser demitido pela Toro Rosso, Daniil Kvyat arrumou uma equipe para retornar à F1 em 2019: a própria Toro Rosso.

Pode parecer piada, mas não é. Depois de somar somente cinco pontos nas 15 corridas em que disputou na temporada passada, o russo está de volta, iniciando sua terceira passagem pela esquadra.

Mas essa não é uma situação inédita para uma equipe localizada na cidade italiana de Faenza. Quando a Minardi é que funcionava no local, alguns pilotos eram quase que onipresentes nos carros da escuderia.

Um deles foi Pierluigi Martini. Após chegar à F1 pela Toleman, como substituto do suspenso Ayrton Senna no GP da Itália de 1984, o italiano assinou com a Minardi, que estrearia na categoria no ano seguinte.

Sua primeira passagem por Faenza foi complicada. Nenhum ponto marcado – naquela época, apenas os seis primeiros de cada corrida pontuavam – e 12 abandonos e uma não classificação em 16 provas.

Martini desceu para a F3000 – que sucedeu a F2 – para as três temporadas seguintes. Na metade de 1988, viu que estava na hora de voltar à F1. E adivinha por qual equipe ele foi correr? É, pela Minardi.

E olha que a reestreia foi com direito a um sexto lugar no GP de Detroit. Ele ficou na escuderia por mais três temporadas, e no período obteve dois quartos lugares, que seria o melhor resultado da história do time – igualado mais tarde por Christian Fittipaldi.

Em 1992, teve uma breve passagem pela Scuderia Italia, que tinha o equipamento desenvolvido pela Dallara, antes de voltar à Minardi em meados de 1993. Sua nova empreitada durou até metade de 1995, quando foi substituído pelo português Pedro Lamy.

Além dos dois quartos lugares obtidos, Martini liderou o GP de Portugal de 1989 e largou na primeira fila no GP dos EUA de 1990, duas das maiores façanhas da Minardi na F1.

Longe da principal categoria do automobilismo mundial, em 1996, o piloto italiano passou a se dedicar às corridas de longa duração. E os olhos da Minardi se voltaram para o brasileiro Tarso Marques.

Assim como Martini, foram três passagens pela esquadra. A primeira durou só os GPs do Brasil e da Argentina de 1996. Como era de praxe, a Minardi precisava de dinheiro e recorria a pilotos pagantes para fechar seu orçamento. Na época, o time tinha o Flavio Briatore como um de seus donos, e o empresário queria ver um de seus pilotos, o italiano Giancarlo Fisichella, no carro, por isso o brasileiro tinha concorrência para seguir na F1.

Mas Marques deixou uma boa impressão e foi chamado para voltar para as últimas dez corridas de 1997.

Depois de ter atuado como piloto de testes da esquadra italiana, o brasileiro mudou o foco da sua carreira para os EUA, onde andou por Penske e Dale Coyne, na Indy. Foi quando recebeu uma ligação do mundo da F1. Era da Minardi, que tinha sido recém-adquirida pelo australiano Paul Stoddart.

Marques, assim, assinou com a esquadra para 2001, quando foi companheiro do então estreante Fernando Alonso. Pelo acordo, o brasileiro não precisaria pagar pela vaga, mas seu carro seria oferecido a alguns jovens endinheirados, que estivessem dispostos a completar o orçamento do time. Nesse esquema, o malaio Alex Yoong acertou para fazer as últimas três corridas do ano, e a passagem de Marques pela F1 acabou.

KVYAT NA TORO ROSSO

Em 2005, a Red Bull comprou a Minardi, transformando-a na Toro Rosso, sua equipe satélite. É onde Kvyat vai correr no ano que vem.

Dizem que na F1 é preciso estar no lugar certo na hora certa, e é o que está acontecendo com o russo. Ele deu sorte de o programa de jovens pilotos da Red Bull não ter revelado mais ninguém para a escuderia de Faenza, ao mesmo tempo em que Helmut Marko e os demais dirigentes rubro-taurinos ainda acreditam no potencial dele.

Assim, o acordo para que Kvyat voltasse pela terceira vez à Toro Rosso aconteceu. E lembrando que o piloto agora é empresariado por Nicolas Todt, que também cuida das carreiras de Charles Leclerc e Felipe Massa, entre outros.

Ou seja, Kvyat vai voltar para a Toro Rosso sabendo que sua continuidade no esporte a motor não vai acabar caso fracasse novamente. No futuro, ele terá alguém capaz de negociar com outras equipes da F1 ou com times de ponta de outros grandes campeonatos, o que certamente vai tirar um pouco a pressão.

E o peso de ser comparado com Max Verstappen e outros pilotos rubro-taurinos foi apontado como uma das causas de jamais ter conseguido andar bem depois que foi demitido da Red Bull após apenas as primeiras quatro corridas de 2016.

foto: Jake Archibald – Daniil Kvyat, CC BY 2.0, link

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