George Russell F1 test Silverstone Formula 1 Mercedes

Falta vaga na F1 para jovens pilotos?

Chefe de equipe da Mercedes, Toto Wolff tem criticado a falta de vagas na F1 para novos talentos e ameaçado acabar com o programa de jovens pilotos da escuderia alemã. O motivo é que Esteban Ocon e George Russell, ambos parte da iniciativa da equipe germânica, correm o risco de ficar sem vaga na próxima temporada da categoria.

É verdade que, com 20 carros no grid, há mais pilotos na fila que carros disponíveis no principal campeonato do automobilismo mundial. Mas encontrar espaço para jovens talentos não tem sido um problema tão grande para as adversárias da Mercedes.

A McLaren, por exemplo, anunciou nesta semana que Lando Norris, de apenas 18 anos de idade, será titular na próxima temporada. Antes, a Red Bull já havia promovido Pierre Gasly da Toro Rosso para o time principal. E há especulações de que Charles Leclerc, da Academia da Ferrari, substituirá Kimi Raikkonen na escuderia de Maranello, com a vaga na Sauber indo para Antonio Giovinazzi, também protegido da marca italiana.

Ou seja, a própria Mercedes complicou a vida de seus jovens pilotos ao renovar o contrato de Valtteri Bottas em vez de, por exemplo, assinar com Ocon para o ano que vem.

Assim, Wolff precisou negociar com outras equipes para manter o piloto francês na F1. Havia, aliás, um acordo verbal para que Ocon corresse pela Renault em 2019, mas que foi desfeito quando Daniel Ricciardo aceitou a proposta da montadora francesa e saiu da Red Bull.

O que Wolff não diz nas suas ameaças é que ele – e a Mercedes – sempre tornou a vida dos times pequenos mais complicada.

Na época de Bernie Ecclestone, Mercedes, Ferrari e Red Bull assinaram acordos comerciais com a F1 muito vantajosos para elas. Neles, ficou acertado que quem ganhasse os Construtores por dois anos seguidos teria um bônus na premiação e as equipes com melhor desempenho nas últimas quatro temporadas – justamente essas três – também levariam mais dinheiro.

Em troca, esses times se comprometeram a ficar na F1 a longo prazo (até o fim de 2020). O plano de Ecclestone era passar a negociar as ações da categoria em bolsa de valores, e a presença dessas três marcas tornaria o campeonato mais atrativo para investidores.

Levando em conta o valor que está sendo pago neste ano com relação aos resultados de 2017, a Mercedes vai receber mais de 63 milhões de euros por causa dos bônus estabelecidos nos acordos assinados. Red Bull ficará com quase 60 milhões de euros, e a Ferrari terá 33 milhões –  a escuderia de Maranello já recebe cerca de outros 60 milhões por ter disputado todas as temporadas da F1.

Os valores acima são referentes apenas aos bônus pagos a cada equipe. Não entra o quanto elas ganham de premiação em si por desempenho.

A Sauber, em comparação, ficará com 39 milhões de euros, que é o dinheiro destinado à equipe que ficou com a última colocação. Ou seja, só de bônus a Mercedes recebe um pouco menos que o dobro do dinheiro repassado à escuderia suíça.

De quebra, junto com os acordos comerciais, Mercedes, Red Bull e Ferrari – e mais uma equipe a depender da classificação nos Construtores – passaram a integrar o chamado Grupo de Estratégia da F1, órgão então responsável por propor as regras desportivas da categoria. É por isso que antes de a Liberty comprar o campeonato – e chamar para si o processo de construir o regulamento – nunca houve discussões avançadas sobre corte de custos, teto orçamentário e aumentar a competitividade. Afinal, para manter os bônus, pagos, era de interesse desses times que só eles ganhassem.

Não é surpresa, portanto, que as demais equipes não consigam brigar por pódios e vitórias com Mercedes, Red Bull e Ferrari. Na verdade, elas têm dificuldade para sobreviver na F1.

Agora, veja o que aconteceu com os times pelos quais os pilotos em desenvolvimento da montadora alemã passaram:

Force Indiaentrou em administração e só saiu dela porque foi comprada por Lawrence Stroll. O empresário canadense não tem medido esforços para dar ao filho Lance Stroll bom equipamento na F1. A equipe teve Ocon nos dois últimos anos.

Manor – entrou em administração duas vezes, fechou as portas no fim de 2016. Teve Pascal Wehrlein (que voltou ao DTM e nem sequer é lembrado na F1).

Sauber – para não fechar as portas, foi adquirida por um grupo de investidores suecos em troca de manter Marcus Ericsson em um dos carros. Teve Wehrlein, que perdeu a vaga para Charles Leclerc e o dinheiro da Alfa Romeo.

Williams – nos últimos atingiu o orçamento necessário por causa de: 1) o dinheiro da PDVSA levado por Pastor Maldonado; 2) a multa que a PDVSA pagou para liberar Maldonado para outra equipe; 3) o interminável dinheiro da família Stroll; 4) a multa que a família Stroll precisará pagar para que o canadense se mude para a Force India. Ocon e Russell são especulados nela, já que não há outras vagas na F1 2019.

Resumindo, se as equipes que aceitavam receber pilotos da Mercedes estão fechando as portas ou, para sobreviver, oferecem seus carros a jovens muito endinheirados, aí é claro que não vai ter vaga para todo mundo na F1.

 

 

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3 comentários sobre “Falta vaga na F1 para jovens pilotos?

  1. Estaria eu louco se dissesse que Ferrari, Mercedes e Red Bull negociaram bônus de premiação e criaram o grupo de estratégia para enfraquecer as equipes menores, técnica e financeiramente, para que essas dependessem do dinheiro das maiores, precisando aceitar seus pilotos de ‘junior teams’ e assim fazer com que os pilotos ligados aos times maiores dominassem o grid, para sempre as mais poderosas terem um piloto pronto para assumir um lugar no time de ponta e assim dominarem todo o grid?

    Parece loucura pra você?

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    1. Acho que o único erro no seu raciocínio é colocar muita importância nos pilotos. Faria mais sentido as grandes enfraquecerem as pequenas, para garantir vitórias e pódio (e bônus) sempre, além de obrigar as pequenas a serem clientes deles, com compra de motor, câmbio e outros componentes.

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