Sai Vandoorne, entra Lando Norris na McLaren 2019

Quem acompanha o automobilismo já deve ter escutado que, para ter sucesso nesse esporte, é preciso estar no lugar certo na hora certa.

Considerado um dos pilotos mais promissores de sua geração, Stoffel Vandoorne esteve no lugar certo, mas seu timing não poderia ter sido pior.

A primeira vez em que ele acabou especulado na F1 foi em 2013. Após os títulos na F4 Francesa e na F-Renault Europeia – na qual derrotou Daniil Kvyat -, o belga tinha chegado à World Series após assinar com o programa de jovens pilotos da McLaren e era considerado a nova promessa do esporte a motor.

Fez quase tudo certo naquele ano. Venceu na estreia, conquistou outros nove pódios na campanha e terminou com o vice. O problema é que o título ficou com Kevin Magnussen, também do programa da McLaren. Apesar de Vandoorne ser considerado mais promissor que o colega, não faria sentido ser promovido para a F1 enquantoMagnussen é quem havia ficado com a taça.

Enquanto o piloto dinamarquês aproveitou a última temporada da McLaren com motor Mercedes, Vandoorne foi correr na GP2. Novamente ganhou na corrida de estreia, acumulou mais nove pódios e terminou com o vice-campeonato. Chances na F1? Nenhuma. Para a vaga de Magnussen, a escuderia de Woking contratou Fernando Alonso, enquanto Jenson Button permaneceu no outro carro.

O belga, então, foi para seu segundo ano de GP2 em 2015. Venceu na abertura do campeonato,  triunfou em outras seis corridas e enfim foi o campeão. Só que a Honda prometia uma melhora significativa no desempenho do motor para 2016 na F1, então era a hora de Button e Alonso continuarem como titulares para aproveitar o bom equipamento – ao menos na expectativa da equipe.

Sem a vaga, Vandoorne rumou para a Super Formula, no Japão. Não venceu na estreia nem terminou como vice. Na verdade, foi o quarto colocado na tabela de pontos, com dois triunfos.

E foi assim que surgiu sua vaga na McLaren. Button havia decidido deixar a categoria, e o belga assumiu como companheiro de Alonso.

Dá para dizer que era a vaga mais complicada de toda a F1. Primeiro porque a McLaren já não era mais a gigante de décadas anteriores, mas os chefes da escuderia não admitiam isso. A transição de Ron Dennis para Zak Brown também foi conturbada, com uma caça às bruxas aos aliados do antigo comandante.

Na pista, o motor Honda piorou com relação a 2016, e já havia temores que nem Alonso ficaria para o resto do ano. O espanhol permaneceu. Mas, por ser considerado polarizador e fazer de tudo para ter a prioridade dentro da equipe, o bicampeão mostrou mais uma vez que não é fácil dividir uma equipe com ele.

Nesses dois anos de McLaren, Vandoorne jamais teve um carro competitivo. Em 2018, por exemplo, não largou nenhuma vez na frente do espanhol. E sempre quando a McLaren tinha alguma atualização era Alonso quem recebia primeiro.

Sem conseguir mostrar seu real desempenho, o piloto belga teve sua autoconfiança destruída, consequentemente diminuindo seu rendimento na pista. Sua situação era uma bola de neve.

Assim, quando a McLaren buscou um nome experiente para substituir a Alonso, que já havia anunciado que não correrá na F1 em 2019, Vandoorne não foi considerado. A equipe preferiu trazer Carlos Sainz Jr, da Renault, que divide o mesmo empresário com o compatriota bicampeão.

Esse foi o fim da linha de Vandoorne no time.

Mas e o segundo carro, alguém pode perguntar. É que a escuderia britânica tinha, por contrato, até 30 de setembro para promover Lando Norris, de apenas 18 anos de idade, à vaga de titular. Caso não fizesse, ele estava livre do vínculo e negociava com a Toro Rosso.

A McLaren, então, testou Norris nos treinos livres na Bélgica e na Itália. Considerou que ele estava pronto para ser titular e renovou o vínculo dele, dando o segundo carro na F1.

Mesmo que não conquiste o título da F2 neste ano – está 22 pontos atrás de George Russell -, o novo titular da McLaren é um dos pilotos com melhor currículo na história das categorias de acesso. De 2015 para cá, foi campeão da F4 MSA, Toyota Racing Series, F-Renault Eurocup, F-Renault NEC e F3 Euro. Em todas elas era novato. Ele também já havia vencido o mundial de kart.

Neste ano, Norris disputou as 24 Horas de Daytona ao lado de Fernando Alonso, pela equipe de Zak Brown. Impressionou quem acompanha a prova por fazer voltas tão rápidas – ou ainda mais velozes – que as do espanhol.

Apontado como futura superestrela da F1, ele é a peça que faltava no processo de reformulação da McLaren, que começou com a demissão de Eric Boullier, o antigo chefe, e o fim da parceria com a Honda.

Para o lugar deles, a equipe anunciou Gil de Ferran como diretor-esportivo e Andrea Stella, como diretor-técnico. Também já contatou James Key, projetista da Toro Rosso, mas que ainda tem vínculo com a escuderia de Faenza. Enquanto ele não é liberado, o time acertou o retorno de Pat Fry, para comandar o projeto do carro de 2019. O engenheiro havia trabalhado para a própria McLaren, até 2010, e depois passou por Ferrari e Manor.

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Stoffel Vandoorne na Espanha – foto: alberto-g-rovi – own work, CC BY 3.0
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