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A polêmica sobre a venda da Force India na F1

A novela da venda da Force India para um consórcio liderado pelo pai de Lance Stroll está longe de terminar. E o motivo da polêmica são os cerca de 28 milhões de euros de premiação que a equipe pretende receber.

Antes, é melhor explicar como funciona o pagamento aos times da F1. De uma forma geral, o dinheiro primeiro é dividido em duas partes iguais – chamadas de coluna 1 e coluna 2.

Escuderias como Ferrari, Williams, McLaren, Red Bull e Mercedes têm acordos com a F1 para ganhar bônus. Para simplificar, dá para dizer que a divisão do montante em duas colunas acontece depois do pagamento desses bônus.

A coluna 2 leva em conta o desempenho da equipe no mundial de Construtores do ano anterior. Por exemplo, a Mercedes, campeã de 2017, está recebendo neste ano mais de 53 milhões de euros pelo título. Última colocada na temporada passada, a Sauber fica com pouco mais de 11 milhões de euros.

O problema está na coluna 1. Nela, as escuderia dividem igualmente metade do dinheiro – equivalente a 280 milhões de euros ou 28 milhões para cada uma.

Só que para ficar com esse valor, um time precisa ter terminado duas das últimas três temporadas entre os dez primeiros nos Construtores. Ou seja, uma escuderia que estreia na F1 só terá cumprido esse requisito no mínimo em seu terceiro ano de existência.

Enquanto isso, os outros times dividem igualmente a parte que seria do estreante – em vez de dividir os 280 milhões por dez esquadras, reparte entre nove.

Quando entrou na principal categoria do automobilismo mundial, em 2016, a Haas já sabia que nas duas primeiras temporadas não teria direito ao pagamento da coluna 1. Não tinha problema, o dono Gene Haas aceitou bancar a equipe do próprio bolso nesse período.

E aí vem a dúvida: após o processo de administração e de venda para a família Stroll, a Force India é considerada estreante ou tem direito ao dinheiro da coluna 1?

No entendimento da Haas, a adversária não tem. É que nos contratos da F1 com as equipes o que importa é o equivalente ao CNPJ delas.

A ideia original era realmente que o pai de Stroll adquirisse a Force India como um todo, incluindo o “CNPJ”.

Só que para isso acontecer, era preciso a aprovação de 13 bancos indianos, credores de Vijay Mallya, antigo dono do time. Houve algumas negociações, mas ficou claro que no intervalo de cerca de um mês entre os GPs da Hungria e da Bélgica era impossível conseguir que todos os bancos concordassem a tempo.

A solução foi Stroll comprar tudo o que a Force India tinha: os carros, computadores, sede, peças, caminhões, contratos etc – os chamados “assets”. Menos o “CNPJ”. E passar a competir como uma nova empresa, a tal Racing Point, com um “CNPJ” diferente, portanto.

A FIA permitiu que a Racing Point Force India estreasse no GP da Bélgica como se nada tivesse acontecido. As outras nove equipes da F1 também.

Só que as nove adversárias tinham concordado que a Force India poderia continuar a correr – e a manter a premiação da coluna 1, consequentemente -, caso Stroll tivesse salvado a equipe da falência. Ou seja, ainda fosse a mesma empresa, com o mesmo CNPJ.

Como Stroll precisou abrir uma nova empresa para driblar os bancos e concluir a compra a tempo de correr na Bélgica, o que a Haas alega é que nesses termos ela não aceitou a participação da Force India. Ou seja, para ela, a Racing Point deveria ser tratada como uma estreante e, assim, só começar a receber o dinheiro da coluna 1 a partir de 2020.

A tendência é que se chegue a um acordo entre as competidoras, e não há perigo de a equipe parar de correr.

Mas, caso a Force India de Stroll não ganhe o dinheiro da coluna 1 nos próximos anos, algum investidor pode entrar na Justiça e dizer que só aceitou participar da compra por causa da receita garantida da premiação.

Foto: Takayuki Suzuki from Kanagawa, Japan, CC BY-SA 2.0, link

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