Fernando Alonso 2017 Indy 500 Indianapolis

Fernando Alonso fora da F1 2019

O documentário Grand Prix Driver, lançado no começo deste ano, mostra os bastidores da McLaren, no início da temporada passada, quando a expectativa do time era conseguir bons resultados no terceiro ano da parceria com a Honda.

Mas a realidade foi bem diferente para a equipe britânica: houve um retrocesso. O propulsor se mostrou tão frágil e sem potência quanto em 2015.

Em uma das cenas, Eric Boullier, então chefe da escuderia, comenta com o engenheiro Jonathan Neale sobre a reação que ele imaginava que Fernando Alonso teria ao se deparar com equipamento ruim. “Ele não vai ficar. Tenho 100% de certeza de que ele não vai ficar”, disse Boullier.

Alonso ficou. Não só para 2017, como renovou o contrato com a McLaren para 2018, na esperança que a mudança do motor Honda pelo Renault rendesse melhores resultados. E mais uma vez foi só decepção. Se o objetivo era brigar por pódios na atual temporada, a realidade é que a equipe nem sequer é a melhor da chamada “F1 B”, o grupo que exclui Ferrari, Mercedes e Red Bull.

Segundo dados levantados pelo site RaceFans, é verdade que as esquadras com motor Renault de uma forma geral andaram para trás neste ano – indicando que a fabricante francesa não consegue desenvolver seu propulsor no mesmo ritmo que as adversárias. Mas em algumas provas a McLaren só não foi mais lenta que a problemática Williams.

E, pior, não há nenhuma indicação de que o desempenho possa melhorar em breve. Quando demitiu Boullier, o presidente-executivo da McLaren, Zak Brown, disse que a equipe está a anos de voltar a vencer na F1.

Alonso dessa vez não foi bobo. Pegou sua bicicleta e foi embora, como diz o meme por aí. Para ele, chega de brigar na parte debaixo do grid quando ainda tem condições físicas de lutar por vitórias e por títulos.

Em um primeiro momento, até tentou negociar com as principais escuderias da F1, mas McLaren, Ferrari e Red Bull estão mais interessadas em encontrar um segundo piloto que não seja uma ameaça para suas principais estrelas. Assim, o espanhol criticou o que chamou de politicagem dentro da F1 – logo ele que já foi beneficiado em seus anos de Renault e Ferrari -, e tudo indica que seu destino será a Indy.

Voltando a 2017, naquele momento Alonso percebeu que dificilmente voltaria a ser campeão da F1 e criou um novo objetivo para sua carreira: a Tríplice Coroa. Isto é, vitórias no GP de Mônaco, nas 500 Milhas de Indianápolis e nas 24 Horas de Le Mans.

Como nas últimas décadas as principais categorias do automobilismo mundial – em especial a F1 – passaram a exigir dedicação exclusiva de seus pilotos, ficou muito mais raro alguém transitar entre elas, por isso não se falava mais em Tríplice Coroa.

Alonso desenterrou o termo como uma espécie de último objetivo de sua carreira, uma forma de entrar para a história do automobilismo sem depender da F1.

Foi por isso que ele disputou as 500 Milhas de Indianápolis lá em 2017 e, neste ano, triunfou em Le Mans.

Como ele já havia vencido em Mônaco, agora só falta a Indy 500. Mas essa é uma tarefa das mais complicadas para o espanhol. Conforme já tinha escrito aqui no World of Motorsport, no ano que vem ele terá 37 anos. E, de 2000 para cá, Takuma Sato, aos 40, foi o piloto mais velho a ganhar a tradicional prova americana. Ou seja, Alonso tem no máximo umas cinco tentativas para completar a Tríplice Coroa.

E, importante: somente três pilotos, de 2000 até hoje, beberam leite em Indianápolis sem disputar a temporada completa da Indy: Helio Castroneves, Juan Pablo Montoya (ambos no começo do século) e Dan Wheldon, em 2011.

Assim, o caminho óbvio para Alonso é ir para a Indy de forma integral o quanto antes. Historicamente, não faz sentido apostar em desembarcar nos EUA apenas nos meses de maio para tentar vencer em Indianápolis.

O melhor era que a mudança tivesse acontecido lá em 2017, quando Boullier tinha certeza de que o espanhol não fosse ficar na McLaren. Era o momento de rumar para os EUA e começar a busca pela Tríplice Coroa.

Assim, saindo da F1 no fim da atual temporada, dá para dizer que Alonso está dois anos atrasado.

Não que ele tivesse bola de cristal para saber que nesses dois anos seu melhor resultado seria um quinto lugar. Mas nada apontava que a situação da McLaren fosse melhorar de uma hora para outra. E, de fato, não mudou.

Foto: Zach Catanzareti Photo, Public Domain, link

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