O Road to Indy sem a Mazda

Após oito anos, a Mazda anunciou nesta terça-feira, dia 31, que não fará mais parte do programa Road to Indy. Era a montadora nipônica que pagava para os campeões de USF2000, Pro Mazda e Indy Lights subirem de categoria na temporada seguinte.

A fabricante, no entanto, também afirmou que os vencedores deste ano terão, sim, suas bolsas para 2019. A única diferente é que seus carros não serão mais pintados no vermelho característico da empresa japonesa.

Nesses anos de apoio da Mazda, o principal motivo que levava um piloto a deixar o automobilismo europeu para correr nas categorias de acesso dos EUA era justamente a bolsa dada ao campeão.

Para quem não tinha orçamento para seguir na Europa, atravessar o oceano Atlântico era um último recurso para seguir carreira. Momentos de desespero aconteciam. Por falta de dinheiro, havia quem se mudava para os EUA com contrato para apenas algumas etapas – esperando que bons resultados atraíssem eventuais patrocinadores – ou sem participar de testes, apenas dos treinos livres e classificações antes das corridas.

Para a grande maioria dos pilotos, não dava certo. Era preciso planejamento e estar no lugar certo. Nos últimos oito anos, o campeão da USF2000 corria pela equipe Cape.

Ter uma escuderia dominante é uma situação mais do que comum no automobilismo. Por exemplo, há anos, para triunfar na GP3 é preciso andar pela ART Grand Prix. Mas é um problema em um campeonato que premia seu vencedor com uma bolsa. Afinal, muitas vezes o título ficava com quem tinha o melhor carro, não com o piloto mais promissor.

Assim, vencedores da USF2000, como Nico Jamin, Florian Latorre, Petri Suvanto e Atnhony Martin, sumiram depois de um ou dois anos apagados nas categorias de cima.

Como a Pro Mazda é um certame sem uma escuderia dominante, mas com muitos times competitivos, não havia uma receita certa de para onde levar o prêmio dado pela Mazda O mesmo se aplica à Indy Lights.

Além disso, na Pro Mazda e na Lights, a concorrência de pilotos vindos da Europa é ainda mais pesada, com gente com orçamento mais estruturado. Não era mais o desespero de tentar um último recurso para seguir carreira.

Um dos argumentos a favor do Road to Indy é apontar que diversos pilotos da categoria principal vieram do programa. Normalmente, Josef Newgarden, Spencer Pigot e Ed Jones são usados como exemplo. Mas, desses, só Pigot subiu desde a USF2000. Os outros dois disputaram apenas a Indy Lights após fazerem a carreira na Europa.

Aliás, até hoje, só quatro pilotos foram campeões de duas categorias do Road to Indy. Pigot e Tristan Vautier (Pro Mazda e Indy Lights), Sage Karam (USF2000 e Indy Lights) e Matthew Brabham (USF2000 e Pro Mazda) – o que comprova como é difícil fazer carreira nos EUA dependendo só da bolsa da montadora japonesa.

Ainda assim, uma solução melhor que na Europa, onde praticamente não há prêmios para campeões seguirem carreira no esporte a motor.

E o que esperar do Road to Indy sem a Mazda? O ideal seria que a Indy anunciasse o quanto antes se os campeões de 2019 ganharão bolsa, independentemente de encontrar uma nova empresa que banque o programa.

É que falta cerca de um mês para o fim da temporada das categorias de acesso, e esse é o momento em que as negociações para o ano que vem começam a ser fechadas. A tendência é que os pilotos esperem alguma definição sobre a premiação de 2019 antes de fechar contrato. E se muita gente deixar para última hora, o resultado pode ser grids enxutos no ano que vem.

Fora que as categorias do Road to Indy agora também enfrentam a concorrência de F4 USA e F3 Americas – cuja primeira etapa acontece neste fim de semana -, que são muito mais baratas e dão pontos na superlicença. A F4, por exemplo, tem conseguido colocar mais de 30 carros no grid por etapa. Ou seja, sem a bolsa na USF2000, Pro Mazda e Indy Lights, as concorrentes se tornam opções bem viáveis para quem planeja competir nos EUA independentemente de qualquer premiação.

Assim, caso até o começo do ano que continue a indefinição sobre a substituta da Mazda, não será surpresa sem os grid de USF2000 e Pro Mazda na próxima temporada forem mais enxutos e que se comece a questionar a necessidade de ter três categorias de acesso nos EUA.

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