Por que Hamilton não foi punido no GP da Alemanha?

Para quem não acompanhou o noticiário da F1 após o GP da Alemanha deste domingo, dia 22, pode ter sido uma surpresa descobrir que Lewis Hamilton escapou de ser punido e perder a vitória.

É que, horas após a prova, os comissários decidiram investigar se o piloto da Mercedes tinha desobedecido o regulamento ao desistir de parar nos boxes no momento em que a chuva apertou no circuito alemão. Como ele já estava na entrada dos pits, precisou passar pela grama – e pela linha branca que define os limites da pista – para retomar o traçado normal.

Pilotos que cruzam a linha branca de entrada ou de saída dos boxes costumam ser punidos em cinco segundos. Como a vantagem de Hamilton no fim do GP foi de 4s5 para Valtteri Bottas, ele perderia a vitória em caso de uma penalização.

Os comissários, no entanto, decidiram dar apenas um reprimenda, e o novo líder do campeonato manteve o triunfo. Por causa da decisão, houve quem criticasse a medida da FIA e até acusasse a entidade de proteger Hamilton e a Mercedes.

Essas pessoas se lembraram de que o regulamento desportivo da F1 proíbe que os carros cruzem a linha na entrada ou na saída dos boxes. “Except in cases of force majeure (accepted as such by the Stewards), the crossing, in any direction, of the line separating the pit entry and the track by a car entering the pit lane is prohibited.”

Essa regra existe para evitar que os competidores mergulhem de última hora para os pits, evitando até mesmo batidas com quem havia decidido parar. Ou seja, o que Hamilton fez na Alemanha é e continua sendo proibido na F1. E por essa razão ele foi investigado.

E por que o britânico não foi punido? Na verdade, ele foi – com a reprimenda. O que o regulamento não especifica é qual a medida a ser tomada para cada caso de descumprimento das regras. Afinal, as circunstâncias de cada incidente precisam ser avaliadas.

Segundo um levantamento feito pelo site RaceFans, de 2011 até 2017, os comissários analisaram 22 casos envolvendo pilotos que cruzaram a linha branca. Em apenas quatro (Felipe Massa em Interlagos em 2013, Carlos Sainz Jr na Rússia em 2015, Kimi Raikkonen em Baku em 2016 e Pascal Werhlein em Barcelona no ano passado), os pilotos foram punidos com os cinco segundos.

Agora, qual a diferença desses quatro casos para os outros 18 e para o de Hamilton neste fim de semana?

É que nas chamadas Event Notes – equivalente ao regulamento específico de cada GP – dessas quatro corridas, emitidas pelo diretor de prova, Charlie Whiting, os pilotos eram especificamente proibidos de cruzar a tal linha.

Abaixo, você pode ver a imagem das Event Notes de Baku, quando Raikkonen foi punido.

baku event notes

No caso do GP da Alemanha, as notas da direção de prova não traziam qualquer menção a punições. Apenas dizia que, para entrar nos boxes, os pilotos deveriam estar do lado direito da linha branca.

Ter um regulamento específico para cada etapa é importante porque a F1 corre em circuitos muito diferentes, do traçado de rua de Mônaco a Paul Ricard e suas infinitas áreas e escape. É nele que fica determinações como onde estão cada zona de detecção e de ativação do DRS (a asa traseira móvel). Ou que se um piloto cortar a chicane da primeira curva de Monza, então ele é obrigado a parar o carro completamente antes de continuar na corrida.

Assim, quando Hamilton e a Mercedes foram investigados, os comissários avaliaram diversos pontos, inclusive as Event Notes não dizerem especificamente que era proibido desistir de parar nos boxes. Também foi considerado o safety-car estar na pista naquele momento, então não havia carros em alta velocidade nem risco para outros pilotos, e que somente em episódios específicos (nos quatro citados acima) a FIA puniu os competidores com acréscimo de tempo.

Aliás, em uma entrevista neste ano, Whiting já tinha explicado que os comissários têm um banco de dados em que podem rever ocorrências acontecidas em anos anteriores, qual foi a punição aplicada e por qual razão. Ou seja, em Hockenheimring, bastava abrir esse sistema para perceber que em 18 dos 22 casos não aconteceu nada com o piloto que cruzou a linha branca e decidir o que fazer com Hamilton.

Ou seja, houve um padrão estabelecido pela FIA e que está sendo seguido pela entidade. Nenhuma perseguição nem preferência com relação ao piloto da Mercedes.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos do GP da Alemanha, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no último fim de semana.

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