jean-eric vergne mexico city formula E techeetah

Campeão sem apoio da Red Bull

É sempre curioso ver o Red Bull Junior Team, programa de jovens pilotos da escuderia austríaca, ser considerado um fracasso por causa do problema que é preencher a segunda vaga na Toro Rosso desde o fim do ano passado.

Fracasso, por exemplo, seria se a iniciativa não tivesse revelado ninguém, o que não é o caso. Levando em conta as vagas nas quatro primeiras equipes da F1 no Mundial de Construtores – Mercedes, Ferrari, Red Bull e Renault – o Junior Team levou pilotos à metade delas.

Daniel Ricciardo e Max Verstappen correm pelo time dos energéticos, enquanto Sebastian Vettel se transferiu, em 2015, para a Ferrari. E Carlos Sainz Jr está emprestado à Renault desde a parte final da temporada passada.

Também daria para criticar o RBJT caso os pilotos que tivessem passado por ele tivessem conquistado vitórias e títulos por outras equipes, mas não para a Red Bull.

Era o que acontecia com a Renault na década passada. Na época, a montadora francesa investiu em nomes como Robert Kubica (ganhou pela BMW), Lucas Di Grassi (campeão da Formula E pela Audi) e José Maria López (tricampeão do WTCC pela concorrente Citroën) ao mesmo tempo em que seus pupilos não tinham muito espaço na F1. Heikki Kovalainen, Nelsinho Piquet e Romain Grosejan até chegaram à principal categoria do automobilismo mundial, mas não conseguiram se destacar no time francês.

Não é o que acontece na Red Bull. Antes de ir para a Ferrari, Vettel venceu 41 vezes por RBR ou Toro Rosso, além de ser tetracampeão mundial. Os atuais titulares, Ricciardo e Verstappen, já triunfaram sete e quatro vezes, respectivamente, pela esquadra austríaca.

Mas no último fim de semana a fabricante viu uma de suas crias – Jean-Éric Vergne – ser campeã da Formula E. Pior, sem poder faturar em cima.

JEV não foi o primeiro piloto com passagem pelo Red Bull Junior Team a ser campeão para outra equipe. Sébastian Buemi já levantou a taça da mesma Formula E,  pela e.Dams (Renault), enquanto Neel Jani e Brendon Hartley foram campeões do WEC e das 24 Horas de Le Mans pela Porsche. Mas os três mantiveram patrocínios pessoais da marca de energéticos, cujos logos são exibidos nos capacetes deles.

Mirko Bortolotti e Scott Speed, para citar alguns, também venceram campeonatos depois que tiveram seus vínculos com a Red Bull encerrados. Mas eram certames de menor expressão, como a Blancpain Series e o Global RallyCross, respectivamente.

Quando eles passaram pelo Junior Team enfrentaram concorrência interna pesada pelas vagas na F1, situação bem diferente da atual. Buemi e Speed correram na principal categoria do automobilismo, mas precisaram ceder espaço para outros representantes do programa. Hartley, Jani alcançaram o posto de piloto de testes, enquanto Bortolotti foi descartado enquanto ainda corria de F3.

JEV teve uma passagem semelhante a de Buemi e Speed. Também chegou à F1 e disputou três temporada pela Toro Rosso, mas foi dispensado para a chegada de Carlos Sainz Jr no fim de 2014.

Foi quando a Red Bull buscava um substituto para Vettel, que havia assinado para andar pela Ferrari a partir da temporada seguinte. Como estava em seu terceiro ano na Toro Rosso, JEV era considerado favorito à vaga, mas foi preterido por Daniil Kvyat. O russo era um novato na F1, tinha impressionado em alguns treinos livre, mas somados apenas oito pontos até então – o francês tinha 19.

Como Kvyat era considerado mais promissor, subiu para a Red Bull, apenas para perder a vaga para Verstappen pouco mais de um ano depois.

Não dá para saber o que aconteceria com JEV caso ele tivesse sido promovido em 2015 no lugar do russo. Certeza é que, assim como Kvyat, ele teria de conviver com a sombra de Verstappen e apenas pouco mais de um ano para brigar por pódios e vitórias. Aí seria exercício de adivinhação imaginar se conseguiria fazer mais que Ricciardo nesse período e ficar com o posto de companheiro do holandês.

Como Vergne ficou sem carro na F1 em 2015, se mudou para a Formula E e teve tempo suficiente para se tornar um dos principais nomes da categoria nesses últimos quatro anos. Lembrando que ele largou na pole em sua estreia, pela Andretti, no Uruguai e depois passou por DS Virgin até se acertar com a chinesa Techeetah, time com o qual levantou a taça.

Você pode clicar aqui pare ver os resultados completos da Formula E em Nova York, que definiu o título de JEV, assim como os das principais categorias do esporte a motor no fim de semana.

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