O fim da Racing Steps Foundation

Uma bandeira quadriculada nas cores azul, vermelho e branco. Assim os carros da Racing Steps Foundation eram pintados e facilmente reconhecidos nos principais circuitos do mundo.

A RSF era uma organização privada e sem fins lucrativos que pagava para que jovens pilotos britânicos que não tinham orçamento ilimitado pudessem correr.

Fundada em 2007 por Graham Sharp, durou até o fim do ano passado. Na última quinta-feira, dia 5, foi realizada uma festa de despedida da fundação, também comemorando os êxitos alcançados nos 11 anos de programa.

Tendo feito fortuna em uma empresa no ramo de exploração de commodities – principalmente petróleo -, Sharp era quem pagava a conta de seus pilotos. No acordo, após se profissionalizarem, devolveriam 10% de tudo o que ganhassem acima de 100 mil libras anuais para o empresário.

Em uma rápida matemática, um competidor precisaria receber 1,1 milhão de libras por ano para devolver 100 mil para Sharp no período. E boa parte do grid da F1 tem salários menores que esse valor. Ou seja, o fundador sempre soube que a Racing Steps Foundation não se pagaria, mas arrumou uma boa forma de recuperar parte do dinheiro investido.

Ao longo dos 11 anos, 18 pilotos tiveram seus orçamentos – ou parte deles – pagos pela RSF. Seis deles se formaram no programa e se tornaram profissionais. E foi justamente o primeiro, Oliver Turvey, quem teve mais sucesso até agora.

Turvey foi da primeira turma, em 2007, ano em que disputou a F3 Inglesa. Foi vice-campeão, ficando atrás de Jaime Alguersuari, mas na frente de Brendon Hartley, dois representantes do Red Bull Junior Team na época.

Depois, o britânico passou por World Series by Renault e pela GP2 até fechar como piloto reserva da McLaren na F1. Além do trabalho feito em Woking, ele andou na ELMS, no WEC e no Super GT, do Japão. Atualmente defende a NIO, na Formula E, categoria na qual conquistou um pódio.

Outros três jovens da RSF também tiveram alcançaram de certa forma a F1. Jake Dennis hoje comanda o simulador da Red Bull, Oliver Rowland é piloto em desenvolvimento da Williams, e James Calado foi reserva da Force India.

Em entrevista à revista Autosport, Sharp disse que Calado foi quem chegou mais perto de se tornar titular da F1. Segundo o empresário, o piloto teve azar de em seu segundo ano na GP2 – quando lutou com Felipe Nasr pelo título – a equipe ART Grand Prix, para a qual competia, não teve o desempenho esperado após alguns de seus engenheiros e mecânicos terem ido para outros times.

Calado, que começou a ser empresariado por Nicolas Todt (o mesmo de Felipe Massa e Charles Leclerc), perdeu a vaga de titular da F1 e fechou para ser piloto de fábrica da Ferrari no WEC, categoria da qual é o atual campeão na divisão.

Os outros que se formaram no programa foram Ben Barnicoat e Jack Harvey.

E é justamente não ter revelado nenhum piloto para a F1 a principal crítica que se faz à RSF, ainda mais em uma época na qual Lewis Hamilton é o único representante do Reino Unido na principal categoria do automobilismo mundial.

Ainda assim, não dá para negar que em 11 anos a Racing Steps Foundation foi sinônimo de sucesso ao levar seis competidores praticamente sem dinheiro rumo ao profissionalismo, acumulando vitórias e títulos.

Para ter esses bons resultados, a RSF sempre fez questão de seus representantes terem à disposição o melhor equipamento possível, como os preparados por Carlin, Fortec, ART e Prema, consideradas as principais equipes das categorias menores.

E esse foi um dos motivos de a fundação ter fechado as portas no fim do ano passado.

Sharp explicou que, em 2007, praticamente apenas a Red Bull tinha um programa de desenvolvimento de pilotos. Hoje, a maior parte das equipes de F1 estão de olho no kartismo para apoiar jovens no início de carreira e colher o resultado no futuro, como a Academia da Ferrari tem feito com Leclerc, por exemplo.

Assim, a RSF não só ficaria com os que sobrassem, mas também não teria as principais vagas dos grids das categorias menores, destinados a aqueles com suporte dos times da F1. Sem poder ser competitivo, escolheram fechar as portas.

A RSF também teve um braço nas duas rodas, mas nenhum de seus pupilos chegou à MotoGP. Quem teve mais sucesso foi John McPhee, vencedor de uma corrida de Moto3. O problema aqui é que desde o começo os escolhidos pela fundação não tinham o melhor equipamento à disposição, uma vez que escuderias espanholas e italianas – as principais da modalidade – preferem trabalhar com pilotos de seus países.

Veja abaixo os principais pilotos que passaram pela RSF e onde estão hoje:

piloto da racing steps foundation

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