Era questão de tempo para que Pedro Piquet conquistasse sua primeira vitória na GP3 e, de quebra, se tornasse o primeiro representante do país a subir no alto do pódio na categoria.

No começo da temporada, escrevi aqui no World of Motorsport que a ida do filho de Nelson Piquet para o certame era uma decisão acertada, porque a GP3 é uma categoria mais fácil que a F3 Euro, onde ele competia.

O motivo é a GP3 ter a regra do grid invertido, premiando pilotos que terminam a primeira bateria de sexto a oitavo com a chance de lutar pelo pódio aos domingos.

E foi justamente por causa dessa regra que Piquet venceu em Silverstone, em seu primeiro triunfo em solo europeu. Partindo da segunda colocação na segunda bateria do fim de semana, o brasileiro tracionou melhor que Giuliano Alesi, o pole, e assumiu a ponta logo na primeira curva. Depois, precisou manter uma pequena vantagem para o companheiro de equipe para receber a bandeirada na frente.

Apesar de ter sido beneficiado pelo grid invertido, o brasileiro tem muitos méritos. Ele é um piloto que consegue largar bem, manter bom ritmo de prova (costuma ganhar posições – e não perder – durante as corridas) e comete poucos erros, apesar de já ter se envolvido em um acidente neste ano em Barcelona.

Também foi um acerto dele – e de quem o empresaria – ter fechado com a Trident para a atual temporada. Em uma GP3 dominada pela ART Grand Prix, a escuderia italiana é considerada a melhor do resto. Então, se o time francês costuma dominar o pódio nas corridas de sábado, o de Piquet é quem se destaca aos domingos.

É uma situação muito diferente da enfrentada, por exemplo, por David Beckmann e Joey Mawson, que também deixaram a F3 Euro para andar na GP3 neste ano, mas ainda não se encontraram. Eles competem, respectivamente, por Jenzer e Arden, times médios.

Com o resultado de Silverstone, onde obteve seu terceiro pódio da temporada, Piquet é o quinto na tabela, com 67 pontos, 33 a menos que Anthoine Hubert, o líder.

Por causa do domínio da ART, é muito difícil falar em título. E para isso ele precisaria andar bem ao sábados, não só na corrida com o grid invertido. Mas sua campanha tem sido muito boa e feito com que as críticas recebidas nas época em que estava na F3 ficassem para trás.

Piquet não é mais visto como desconfiança nem como piloto do meio para o fim do pelotão. Ele se mostrou capaz de vencer quando está na situação certa e já pode pensar no futuro em ser competitivo nas principais categorias do automobilismo mundial.

Como este é o quinto ano dele em uma F3 ou GP3, talvez o ideal para 2019 fosse a transição para a F2, mesmo sem o título. E aí continuar seu desenvolvimento como piloto.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da GP3, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no fim de semana.