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Quais pilotos brasileiros podem disputar a Copa do Mundo no Bahrein?

Pode ser que ao ler o título deste post, você tenha ficado confuso. Afinal, a Copa do Mundo está acontecendo na Rússia e a próxima edição será no Qatar. O que o Bahrein tem a ver com isso?

É que este não é um texto sobre futebol. É de automobilismo. E a FIA anunciou nesta semana – coincidindo, é claro, com as partidas nos campos russos – que no fim do ano haverá uma disputa entre países em corridas de carros GT no Bahrein.

Mas não espere ver Felipe Massa, Lucas Di Grassi, Tony Kanaan ou Nelsinho Piquet correndo por lá. A GT Nations Cup, como o evento está sendo chamado, é para pilotos amadores e semi-amadores, os gentleman drivers.

Segundo as regras, cada federação – no caso do Brasil, a CBA – deverá indicar dois pilotos para participarem: um bronze e um silver, segundo a categorização da FIA.

E por que um campeonato para amadores e não entre os profissionais? Afinal, seria muito mais interessante ver, por exemplo, Fernando Alonso defendendo a Espanha, contra o Reino Unido, de Lewis Hamilton, e a Nova Zelândia, de Scott Dixon.

É que são os gentleman drivers que pagam pelo evento. A inscrição custa 10 mil euros, e cada dupla ainda precisa desembolsar 50 mil euros de caução, valor devolvido pela FIA assim que os carros chegarem ao autódromo.

Se fosse só com profissionais, seria necessário arrumar patrocinadores para pagar o cachê deles e também as inscrições. Para os países com mais tradição no automobilismo, esse talvez não seja um problema, mas seria um obstáculo para fazer o grid crescer. Ou seja, focar só nos amadores – prática que a SRO (promotora do evento) tem adotado nos últimos anos em seus campeonatos – é uma forma de o torneio ser mais saudável.

Então, se não teremos os principais nomes do Brasil, quem pode corre em Sakhir?

Em primeiro lugar, a necessidade de haver um piloto bronze na dupla acaba restringindo bastante os possíveis selecionáveis. Segundo a categorização listada no site da FIA, há 17 brasileiros que se encaixam neste critério.

Não é surpresa que a maior parte seja os gentleman drivers do país que nos últimos anos têm se aventurado nos campeonatos internacionais: Marcelo Hahn, Chico Longo, Marcio Basso, Paulo Bonifácio e Xandy Negrão.

Há até Marcos Galassi, o chefão da F-Inter.

Mas há outros nomes bem interessantes. Um deles é o de Emerson Fittipaldi. Por regra, todos os pilotos que já passaram pela F1 são platina na categorização da FIA. Mas, há alguns anos, o bicampeão foi rebaixado para bronze para disputar a etapa do WEC, em Interlagos, da qual era um dos promotores. Ter Emerson correndo após tantos anos em um carro da GTE-Am era uma forma de tentar criar interesse no público.

O que equilibra o desempenho de Fittipaldi com o dos amadores é a idade. Nascido em 1946, ele estará prestes a completar 72 anos quando os carros chegarem ao Bahrein, no fim de novembro, para a Copa do Mundo. Em comparação, Mark Patterson é o competidor mais velho na edição deste ano das 24 Horas de Le Mans, com 66. Lembrando que o sul-africano participa com frequência de campeonatos da Europa, então está com os reflexos e o preparo físico em dia.

E se pagar para correr não for um problema? Daria para escolher o piloto bronze apenas pelo desempenho, optando por gente que vive do automobilismo. Um deles é Thiago Marques, que durante muito tempo correu na Stock Car e hoje se divide entre Brasileiro de Marcas e GT Open – também é o comandante da Sprint Race.

Outro é Adriano Medeiros, que fez uma carreira bastante vitoriosa em campeonatos amadores da Europa, como a F-Ford. Ou Giulio Borlenghi, que anda em uma Lamborghini no GT Open, então se adaptar a um carro GT no Bahrein não seria um problema para ele.

Os demais brasileiros entre os bronze são: Renato Braga, Jonatan Jorge, Luiz Floss, Carlos Kray, Sergio Pasian, Felipe Tozzo, Carlos Gomes e Leonardo Lamelas.

Quando se chega aos listados como silver, há 25 nomes entre os representantes do país. E aqui é onde pode estar o pulo do gato. Essa divisão é conhecida como a grande bagunça da FIA. Quando a entidade não sabe como classificar um competidor, ele vira silver. Há desde amadores com menos idade e mais preparo físico a campeões nacionais, mas sem projeção internacional.

Todos os anos há polêmicas em campeonatos como WEC, Imsa e ELMS porque, para ocupar a vaga obrigatória de silver (nas categorias em que há essa restrição), as equipes escolhem um piloto profissional pouco conhecido, e eles levam muita vantagem no duelo contra um amador.

Para a Copa do Mundo, é provável que o piloto bronze definirá seu parceiro. Afinal, já que vai estar pagando para correr, melhor levar alguém de confiança. Mas aí é que está o problema. Chico Longo tem Daniel Serra como copiloto desde a época do GT Brasil, mas o atual campeão da Stock Car é listado como gold e não pode participar do torneio. O mesmo vale para Allam Khodair, costumeiro companheiro de Marcelo Hahn.

Hahn, no entanto, pode chamar Alan Hellmeister, que atua como substituo de Khodair nas corridas em que há choque de data entre o GT Open e a Stock Car.

Outra opção seria Marcos Gomes. O vencedor da Stock em 2015 também já foi substituto de Khodair quando houve problemas de calendário.

Sem sair da equipe Cimed, Felipe Fraga, que ganhou a Stock Car em 2016, também aparece como silver e, inclusive, disputou a última etapa da Blancpain Endurance Cup, cujos carros serão usados no Bahrein.

Há ainda uma porção de pilotos que andaram com destaque em carros GT nas últimas temporadas: Rodrigo Baptista, Nicolas Costa, Lukas Moraes, Oswaldo Negri e Felipe Ortiz.

A lista completa conta com Bruno Bonifacio, Julio Campos, Victor Carbone, Gabriel Casagrande, Victor Correa, Danilo Dirani, Thomas Erdos, Pietro Fantin, Carlos Iaconelli, Pierre Kleinubing, Giuliano Losacco, Xandinho Negrão, Claudio Ricci, Tuka Rocha, Alexandre Sperafico, Matheus Stumpf e Rafael Suzuki.

Esses todos são os nomes que aparecem na categorização da FIA. Nada impede que pilotos não listados participem da prova. Eles só precisariam tirar a carteira internacional a tempo e, claro, serem considerados bronze ou silver.

As federações têm até 15 de setembro para enviar à FIA quais serão as duplas e pagar a inscrição. Também precisam definir qual carro será usado. Para isso, não é preciso uma equipe brasileira. Dá para assinar como as grandes escuderias da modalidade, como WRT, Black Falcon, GRT Grasser, Strakka, AF Corse, M-Sport, entre outras. E um mesmo time pode alinhar veículos para mais de um país.

E uma última curiosidade da lista da FIA é que poderia haver uma parceria entre Valentino Rossi (silver) e Marco Melandri (bronze), ambos estrela do motociclismo, defendendo a Itália. Afinal, eles cumprem os requisitos da Copa do Mundo. Faltaria ver se há interesse deles e disponibilidade de calendário.

No dia 30 de setembro a FIA divulgará a lista de convocados para a Copa, enquanto as corridas de uma de duração e com troca de pilotos no traçado bareinita estão marcadas para 30 de novembro e 1º de dezembro.

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