Pódio 100% brasileiro

Felipe Drugovich, Matheus Iorio e Guilherme Samaia conquistaram, no último fim de semana, um raro pódio 100% brasileiro.

Foi na primeira bateria da etapa de Spa-Francorchamps da Euroformula Open. Logo no começo da prova, o argentino Marcos Siebert e o americano Cameron Das bateram enquanto lutavam pela liderança, abrindo caminho para que os representantes do Brasil ocupassem os três primeiros lugares.

Ter um pódio dominado por brasileiros é incomum porque depende, obviamente, de ter ao menos três pilotos do país disputando um mesmo campeonato internacional e que todos eles tenham equipamento competitivo.

É raro, mas de vez em quando acontece. A melhor fase foi na Indy, de 2000 a 2003, com sete pódios do Brasil no período.

Para quem não se lembra, entre o fim da década de 1990 e começo dos anos 2000, era muito comum que os pilotos do país seguissem carreira nos EUA. Era uma geração que começou a correr no mesmo momento em que Ayrton Senna conquistava seus títulos pela McLaren, mas que nem todo mundo chegou à F1. A alternativa foi seguir o caminho de Emerson Fittipaldi e tentar a sorte na Indy.

Para se ter ideia, em 2000, eram dez atletas do país disputando o campeonato. E o primeiro pódio 100% brasileiro daquele ano veio no dia 25 de junho, quando Gil de Ferran venceu a etapa de Portland, seguido por Roberto Pupo Moreno e Christian Fittipaldi.

Em 13 de agosto, em Mid-Ohio, teve mais um: com Helio Castroneves comandando a dobradinha da Penske, e Gil e Christian também entre os três primeiros.

E ainda deu tempo para Fittipaldi triunfar em Fontana, na última etapa da temporada, seguido por Moreno e Gil.

Em 2001, mais uma vez a Indy teve dez brasileiros, mas dessa vez só um pódio formado por eles. Foi  logo na segunda corrida do ano, em Long Beach, na qual ganhou Castroneves, tendo ao lado Cristiano da Matta e Gil.

Dois anos mais tarde, os pilotos do país voltaram a fazer 1-2-3, mas dessa vez foi na IRL, categoria que surgiu de um desmembramento da Indy. Aos poucos, ela passou a atrair os principais pilotos e equipes do certame adversário, assim como o interesse dos brasileiros.

Na corrida de Phoenix, em 2003, Tony Kanaan cruzou a linha de chegada na frente, seguido por Castroneves e Felipe Giaffone. E, de alguma forma, 15 anos depois, os três continuam na categoria dos EUA. Kanaan corre pela Foyt, Castroneves participou de duas etapas pela Penske e Giaffone é o comentarista da Band, levando ao telespectador todas as informações necessárias sobre o desempenho dos compatriotas.

Ainda em 2003, Gil de Ferran foi o vencedor das 500 Milhas de Indianápolis após superar Castroneves, que lutava pelo tricampeonato na tradicional corrida. E Kanaan foi o terceiro na prova.

E, em Gateway, foi a vez de Castroneves terminar na frente, seguido por Kanaan e Gil. Ou seja, dos três pódios brasileiros em 2003, cada um teve um piloto do país na frente.

Eu falei ali em cima que foram sete vezes que os pilotos do Brasil ocuparam as primeiras colocações, mas bem que poderiam ser oito. É que teve uma espécie de ensaio. Muitos dos brasileiros que chegaram à Indy naquela época, primeiro disputaram a Indy Lights.

E na prova de Laguna Seca, em 7 de setembro de 1997, o 1-2-3 na categoria de acesso foi formado por Da Matta, Kanaan e Castro-Neves (que na época corria com o hífen no nome).

Ou então podemos dizer que foram nove… mas nesse caso precisaríamos voltar no tempo até 1991, na F3 Inglesa. Na segunda corrida de Donington Park, Rubens Barrichello foi o primeiro colocado e teve o pódio completado por Gil de Ferran e Oswaldo Negri. Os três, mais cedo ou mais tarde, competiram nos EUA (embora Negri tenha andando só de endurance).

Ainda na F3 Inglesa, um dos anos mais emblemáticos foi o de 1998, quando quatro pilotos do país – Mario Haberfeld, Enrique Bernoldi, Luciano Burti e Ricardo Maurício – lutaram pelo título.

Todos subiram ao pódio ao longo da temporada, mas a trifeta brasileira só aconteceu na segunda visita a Silverstone, com Bernoldi, Burti e Haberfeld, nessa ordem. Curiosamente Maurício foi o sexto naquela prova, mesma colocação de Christian Hahn, o outro piloto do país na atual temporada da Eurofomula Open, no sábado em Spa-Francorchamps.

Para encerrar, é hora de lembrar um pódio 100% brasileiro que aconteceu em Interlagos, o único aqui no país. Foi na F3000 (categoria que antecedeu a GP2 e a F2) em 2002. Com seis competidores do Brasil no grid, a abertura do campeonato em terras paulistanas teve triunfo de Rodrigo Sperafico, com Haberfeld e Maurício vindo na sequência.

Aliás, foi o único 1-2-3-4 de pilotos da casa, uma vez que Antonio Pizzonia fechou na quarta posição. Talvez Drugovich, Iorio, Samaia e Hahn possam igualá-los ainda neste ano.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos da Euroformula Open em Spa-Francorchamps, assim como os das principais categorias do automobilismo mundial no último fim de semana.

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