Dá para comparar a F1 e a Copa do Mundo?

Com poucas ultrapassagens e os três primeiros colocados terminando nas mesmas posições que as do grid de largada, o GP do Canadá, disputado no último domingo, foi bastante criticado.

Afinal, a expectativa era de uma corrida emocionante, já que a pista de Montreal normalmente permite boas disputas e variações de estratégia, além de vez ou outra ter algum resultado surpreendente. Mas o que se viu foi justamente o contrário.

E a decepção foi ainda maior porque o GP de Mônaco, realizado há duas semanas, também havia deixado a desejar quanto a ultrapassagens.

Após a corrida canadense, Sebastian Vettel, o vencedor, até tentou defender a F1 fazendo uma comparação com a Copa do Mundo. O piloto da Ferrari disse que o torneio de futebol, que começa nesta semana, será parecido: terá um monte de partidas emocionantes, mas outras não serão tão legais. Então não dá para esperar que todo GP seja bom.

Em parte, o piloto da Ferrari tem razão. E só lembrar que neste ano os GPs da China, do Bahrein e do Azerbaijão foram imprevisíveis e definidos nas últimas voltas.

Em Xangai, deu certo a estratégia da Daniel Ricciardo de fazer uma parada extra quando o safety-car foi acionado, com o australiano saindo de sexto para primeiro quando a corrida foi reiniciada. Em Sakhir, Vettel conseguiu segurar a pressão de Valtteri Bottas, que estava com pneus mais novos, nas voltas finais, enquanto, em Baku, o mesmo finlandês da Mercedes abandonou no último giro, após acertar detritos na pista, entregando o primeiro lugar para Lewis Hamilton, seu companheiro de equipe.

Mas o erro na comparação feita pelo alemão com a Copa do Mundo é que o problema da F1 é estrutural.

Pegando o futebol como exemplo, é como se antes das partidas na Rússia, decidissem diminuir o tamanho das traves, aumentar a bola e deixá-la mais pesada. O resultado provavelmente seria queda no número de gols, menos dribles, e jogos pouco emocionantes, gerando reclamações.

Aconteceu algo parecido na F1. Com a mudança no regulamento no ano passado, os carros ficaram maiores e mais rápidos,  mas os circuitos não cresceram. Ou seja, ficou mais difícil ficar lado a lado em uma disputa por posição, e como os equipamentos estão mais velozes – percorrem uma mesma distância que antes, mas em um intervalo menor – há menos tempo para completar uma manobra de ultrapassagem.

Para que ficassem mais rápidos, mas mantendo o mesmo motor, os carros passaram a ser mais dependentes da pressão aerodinâmica – e do ar limpo, consequentemente. É por isso que eles não conseguem seguir de perto um competidor por muito tempo.

Some-se a isso o pneu que praticamente não desgasta, independentemente do composto – acabando com qualquer estratégia nos boxes -, e temos essas corridas chatas.

A boa notícia é que para o ano que vem as equipes aprovaram algumas mudanças para dar mais emoção. Entre elas, estão simplificar a asa dianteira – para um piloto poder andar colado no carro da frente – e tornar o DRS mais efetivo.

É importante que a F1 faça as alterações agora, pois é um momento no qual praticamente todos os campeonatos do mundo estão enfrentando queda de audiência,  principalmente por causa da ida do automobilismo para a TV paga e pelas novas gerações não terem a mesma relação de desejo e admiração com carros que as mais antigas.

Ou seja, não faz sentido tentar atrair esse público já desinteressado oferecendo mais de 20 corridas por ano, com cerca de uma hora e meia de um carro seguindo o outro sem qualquer chance de mudança de posição. Para isso, ver um vídeo de melhores momentos no Twitter ou no Instagram já bastaria.

Você pode clicar aqui para ver os resultados completos do GP do Canadá, assim como das principais categorias do esporte a motor no fim de semana.

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4 comentários sobre “Dá para comparar a F1 e a Copa do Mundo?

  1. Pode ser comparado porque na Copa a maioria dos times joga na defesa pra não comprometer o resultado. Os pilotos correm pra terminar a corrida (exceto o Verstappen que tem alegria nos braços) porque tem medo de sofrer punições de troca de peças

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    1. Nunca tinha pensado pelo lado de alegria nos braços. Acho que essa é uma boa comparação!

      Agora, sobre a maioria dos times jogar na defesa, acho que faltou contar isso para alguém que ia enfrentar a Alemanha em 2014…

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  2. Se tiver um piloto tão superestimado como o Neymar é (isso ficou ambíguo propositalmente), dá para comparar sim! Tô brincando, porém depende.
    Mas aí vai um elogio: Adoro seu humor, repórter. Parabéns!

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