Já pode entregar as taças no WEC

Um campeonato em que, salvo uma tremenda zebra, já sabemos quem será o campeão. Esse é o WEC, o Mundial de Endurance, cuja superseason começa neste fim de semana, em Spa-Francorchamps, e só termina em junho de 2019, nas 24 Horas de Le Mans.

Não foi a contratação de Fernando Alonso que tornou a Toyota favorita absoluta ao título da super-temporada. Nem a montadora japonesa ser a equipe com o maior orçamento do campeonato.

Já sabemos que ela será a vencedora porque as regras dificultam que outro time vença.

A Toyota é a única das quatro montadoras da divisão LMP1 que restou no campeonato. De 2015 para cá, houve uma debandada geral. Primeiro saiu a Nissan, seguida pela Audi e pela Porsche.

E para manter a empresa japonesa, o WEC fez uma série de concessões a ela. Por exemplo, os demais carros da LMP1 precisam ser cerca de 1s por volta em Le Mans mais lentos que os da Toyota (o que equivale a 0s5 em Spa, neste fim de semana). Quem for mais rápido que esse limite pode ser punido.

A montadora também terá vantagem nas paradas nos boxes. Em Le Mans, poderá dar uma volta por stint – intervalo entre cada reabastecimento – mais que as outras competidoras (em Spa serão duas). Ou seja, se os demais times serão capazes de fazer dez giros com o tanque cheio na França, os japoneses terão a chance de completar 11. A preocupação das outras equipes é que de volta em volta a mais na pista a Toyota consiga fazer menos paradas que elas.

A justificativa para a mudança nas regras é que era preciso equalizar o equipamento da Toyota – a única equipe que usa motor híbrido – com os demais, apenas com o a combustão. Como resultado, o carro japonês tem mais potência por ter um propulsor tradicional e outro elétrico, enquanto precisa de menos diesel, já que faz uso de outras fontes de energia. Daí ao mesmo tempo em que foi criada uma “equivalência de tecnologia” a montadora asiática saiu em vantagem.

Assim, para a Toyota ser derrotada neste ano, só se os dois carros tiverem problemas mecânicos, se envolverem em acidentes ou derem azar com bandeiras amarelas e safety-car.

Deixando a teoria de lado, faz algum sentido que a Toyota tenha levado vantagem.  Quando a Porsche anunciou, no ano passado, que estava deixando a categoria, a organização do WEC precisava fazer de tudo para garantir que o campeonato sobreviveria, o que incluiu criar o calendário que começa agora e só termina em 2019 e a permanência da Toyota, mesmo com termos favoráveis a ela.

Talvez o melhor fosse se a montadora japonesa também tivesse deixado o campeonato. Aí a briga pela vitória poderia ser entre as equipes privadas, como SMP e Rebellion. Certamente mais emocionante do que ver os dois carros nipônicos disparando na frente em todas as corridas.

NOMES FAMOSOS

Alonso é o principal nome no grid deste ano, mas outros ex-F1 também estreiam na categoria, como Pastor Maldonado, que retorna às pistas desde que perdeu a vaga na Renault na F1 em 2016, e Jenson Button, que só vem a partir da segunda etapa, em Le Mans, uma vez que este fim de semana há choque de datas com o Super GT, onde ele também compete.

Quatro brasileiros disputam a etapa de abertura na Bélgica: Pietro Fittipaldi, Tony Kanaan, André Negrão e Bruno Senna. Mas só os dois últimos estão confirmados para a temporada completa.

Kanaan corre em Spa, pela equipe oficial da Ford, como preparação para Le Mans, enquanto Fittipaldi, que estreia nas corridas de longa duração, substituiu Renger van der Zande na Dragonspeed. O holandês está nos EUA participando da etapa de Mid-Ohio, da Imsa, que tem prioridade em seu calendário.

Falando rapidamente sobre Fittipaldi, o WEC é a terceira categoria na qual correrá em 2018. Na Indy, ele teve uma boa classificação em Phoenix, antes de bater na corrida, enquanto na Super Formula largou em último e tinha dificuldade para manter o ritmo dos primeiros colocados na prova.

Há ainda Augusto Farfus. O piloto da BMW vai perder a etapa belga, pois disputa a abertura do DTM neste fim de semana, em Hockenheimring, mas depois deve se dedicar a ambas as categorias de forma integral.

Em Le Mans, o contingente de brasileiros ganhará o reforço de Felipe Nasr, Daniel Serra e Pipo Derani, que estão confirmados apenas para a tradicional prova francesa. Nasr correrá na divisão LMP2, enquanto os outros dois andarão pelo time de fábrica da Ferrari.

Você pode clicar aqui para ver os resultados da rodada de abertura do WEC, em Spa, assim como os das principais categorias do esporte a motor no fim de semana.

Em tempo: O texto foi escrito antes do forte acidente de Pietro Fittipaldi, em Spa, onde teve fratura na perna, e não será alterado.

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